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Marcelo Hollanda

A morte da jornalista Cristiana Lôbo pegou de surpresa seus colegas e produziu uma profunda consternação

Confira a coluna de Marcello Holanda deste sábado
Marcelo Hollanda
13/11/2021 | 08:57

Quando não pagar sai caro

O presidente Jair Bolsonaro está exultante.

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Foto: Reprodução/ Internet

Não é certamente com a economia do país ou com as últimas pesquisas sobre sua popularidade.

É que ele acaba de fazer um grande negócio nos Emirados Árabes.

Vai se hospedar neste fim de semana num hotel luxuoso de Dubai pago por um príncipe árabe.

É a segunda vez que ele participa de uma boquinha do gênero desde o começo do mandato neste destino paradisíaco.

Pelo menos essa conta não vem pra gente, que já sustenta uma gorda comitiva do governo brasileiro há semanas na Expo Dubai, curtindo a vida e, é claro, trabalhando um pouquinho.

A respeito desse negócio das arábias para o Brasil, Bolsonaro comentou esta semana:

“Vou ficar num hotel hiperluxuoso, a diária deve ser uns US$ 4 mil, mas vai ser de graça, pelo príncipe lá, ok? Até a primeira-dama vai querer ir, pô. O quarto é tão luxuoso que você não dorme”, disse o presidente entre frouxos de riso.

Sem problema.

Esse negócio de comitiva para eventos no exterior é mais comum do que se pensa. E todos que entram na boquinha vão trabalhar pelo seu país, pelo seu estado, por sua cidade, atrair negócios e voltam como verdadeiros patriotas.

Só que as semanas passam, os meses passam, e os anos também, sem que ninguém veja um resultado prático desse turismo. Às vezes acontece, mas é raro.

Pode ser que desta vez os árabes possam retirar o Brasil da inflação de dois dígitos em que ele se encontra, mas não é muito provável que aconteça.

Nem que mudem a cara carrancuda do mercado de trabalho. Será apenas um presidente risinho se dando bem num hotel de ricos com as diárias pagas para ele, a patroa e agregados.

Não cobre o avião presidencial e a colossal equipe de seguranças que sempre acompanha o mandatário nos muitos deslocamentos oficiais dele pelo Brasil e o mundo, mas já é alguma coisa.

Pelo menos não será uma inauguração eleitoral, uma motociata dispendiosa e inútil, mas será um belo  m de semana nas arábias.

Houve um tempo em que jornalistas da grande imprensa eram proibidos de aceitar qualquer coisa oferecida por empresários ou políticos, fossem governadores e parlamentares, um hotel ou um mísero jantar.

Isso talvez nem exista mais, porém, um presidente daria um ótimo exemplo  cando em casa quando os moradores mais precisam dele.

Mesmo que todos já saibam que isto também não fará a menor diferença.

Dilema

A experiência machista de antigamente costumava dizer que caro era uma mulher que confessa o seu amor por alguém. Era sinal que um casamento estava à vista e, logo,  lhos, despesas com escola, casa, carro, sem falar na perda da liberdade – tudo que horroriza qualquer solteirão convicto. Nunca perguntavam, naqueles tempos, se as mulheres pensavam a mesma coisa quando eram pedidas em casamentos por alguém diante do olhar aprovador da família.

Corrupção

A Operação Lava Jato não acabou. Está de mudança para o Podemos, partido do senador paranaense Álvaro Dias (não confundir com o nosso prefeito). Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Carlos Fernando, a patota inteira sonha com um mandato. Sem dúvida um triste desfecho para quem transformou numa latrina a política e o conteúdo dela, os políticos.

Meia volta

No ato de filiação de Sérgio Moro, esta semana em Brasília, estavam os ex-bolsonaristas (general) Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-secretário da Secretaria de Governo; Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde e os deputados federais Júnior Bozzella (PSL-SP), Professora Dayane Pimentel (PSL-BA), Julian Lemos (PSL-PB) e Luis Miranda (DEM-DF).

Consternação

A morte da jornalista de política Cristiana Lôbo pegou de surpresa seus colegas e produziu uma profunda consternação em vários veículos de comunicação, especialmente O Globo, onde ela trabalhou por mais tempo. Mas a tristeza também atingiu políticos, fontes ou não da jornalista, que a conheciam por sua marca registrada: a objetividade com a cordialidade. Era uma dama que não poupava ninguém, mas sempre mantinha as portas abertas para ela, o que é raro. E isso é para quem pode e não para quem quer.

Bidu!
Com atraso, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu emendas transparentes e não secretas. Isso, depois que o Supremo brecou os pagamentos, numa decisão cujo mérito ainda será julgado. Isso, depois de insinuar que o governo poderia assumir para si esses pagamentos bilionários de maneira discricionária. Finalmente ele se convenceu que pagar emendas com dinheiro público sem revelar para quem e quanto não é uma boa.

Só alegria

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), implicado até o pescoço na CPI da Covid, emplacou uma indicação no Tribunal Superior do Trabalho. É a desembargadora Morgana de Almeida Richa, cunhada do ex-governador do Paraná Beto Richa, de quem a mulher de Barros, Cida Borghetti, foi vice-governadora entre 2015 e 2018.