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Coluna
Quando não existe meta e planejamento para alcançá-la não há salvação, apenas enrolação
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quarta-feira 28
Marcelo Hollanda
28/07/2021 | 08:29

Quando o otimismo não serve de nada

Mesmo com uma vacinação insipiente, o brasileiro é um otimista. Enxerga coisas boas em tudo. Faz do limão uma limonada. E isso é bom e é mal. Mais mal do que bom.

Melhor rir do que chorar não é argumento quando o que está em jogo é a saúde econômica de um país.

É graças ao pessimismo que muitos odeiam que se brecam os picaretas e suas teses salvacionistas.

Quando não existe meta e planejamento para alcançá-la não há salvação, apenas enrolação.

No exato momento, andamos sobre o fio de uma navalha ou se preferirem sobre um delicado papel de arroz.

A indústria de transformação no Brasil, muito graças à pandemia, está no seu limite.

Em junho último, o saldo de estoques dessa indústria ficou em 1,5 ponto negativo – perto, portanto, de zero – com a oferta batendo pau a pau com a demanda.

A falta de insumos combinada com a energia cara e um governo sem planejamento, gastador e obcecado pela reeleição do presidente, começa a cobrar do setor produtivo menos ilusão e mais realismo com o futuro.

No ano passado, no auge da pandemia, quem vendia não conseguia entregar porque os estoques estavam baixos e as fábricas fechadas pela covid.

Este ano, entrando no segundo semestre, os consumidores prometem aquecer as vendas, só que os estoques da indústria de transformação continuam justos, como um cinto apertado que prejudica a respiração.

Com o aumento da demanda adormecida com a pandemia, a escassez de borracha e plástico, por exemplo, atrapalha a manufatura de muitos produtos e impede que eles ganhem o mercado na rapidez que deveriam.

Não se sabe ainda se esse problema vai afetar o setor de máquinas e equipamentos se houver uma explosão de demanda como consequência do arrefecimento da pandemia.

O que se sabe que não é hora de comemorar absolutamente nada. O momento é de cobrar decisões coerentes do governo e esperar que tudo o que não foi feito até agora sirva de alerta e não à inutilidade do otimismo da pós-pandemia.

Quando se baixa a guarda é que as pancadas entram.

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