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Declaração
‘Quando for para o céu, espero que Deus me receba como todos me recebem hoje’, diz Pelé
Aos 80, Pelé é grupo de risco e sabe que tem de se isolar, coisa que nunca fez desde que deixou Três Corações, em Minas Gerais, passando por Bauru até chegar em Santos, onde ganhou o mundo
Estadão
21/10/2020 | 08:40

Pelé está mais próximo de Deus. E isso nada tem a ver com os 80 anos que completa nesta sexta-feira, dia 23. O Rei do Futebol chega bem ao octogésimo aniversário. De sua casa, no Guarujá, onde passa a maior parte do tempo, Pelé manda um recado para os fãs no mundo todo por meio de um vídeo de 3min57. Ele queria receber jornalistas e amigos, como fez quando completou 50 anos do seu milésimo gol, marcado em 1969, aos 29 anos. Mas a pandemia brecou qualquer iniciativa desse tipo.

Aos 80, Pelé é grupo de risco e sabe que tem de se isolar, coisa que nunca fez desde que deixou Três Corações, em Minas Gerais, passando por Bauru até chegar em Santos, onde ganhou o mundo. Pelé está quietinho em seu canto, como imagina ficar um dia. Sua maior paixão hoje não é mais a bola, mas é a família, os filhos e os netos. Pelé gosta de ficar rodeado de pessoas. Sempre gostou.

Como disse no vídeo gentilmente enviado ao Estadão nesta quarta-feira, chega aos 80 bastante lúcido. “Agradeço a todos os que me mandaram cumprimentos. Agradeço a Deus pela saúde de chegar aqui lúcido… não muito inteligente, mas lúcido”, brinca.

Em suas três respostas curtas a perguntas de um interlocutor, Pelé lembra de Deus, agradece tudo o que Ele lhe proporcionou na vida desde pequeno, quando deu os primeiros chutes numa bola e pano e foi levado pelas mãos de Waldermar de Brito, então técnico do Baquinho, seu time em Bauru, ao Santos com 15 anos. “Quando for para o céu, espero que Deus me receba da mesma maneira que todos me recebem hoje pelo nosso querido futebol.”

Pelé fala em nome de Deus para agradecer tudo o que ganhou na carreira. E não foram poucas coisas. Só Copas do Mundo ele tem três no currículo das quatro que disputou. Fez 1.283 gols e colocou o Brasil no lugar mais alto do pódio quando o assunto é Mundiais da Fifa. Antes de Pelé, a seleção brasileira não tinha vencido nenhuma Copa. Durante sua trajetória no futebol, ganhou três (1958, 1962 e 1970). Depois dele, o Brasil festejou duas apenas (1994 e 2002). E olha que ele parou de jogar em 1977. “Chegando aos 80 com saúde, com boa recepção em todo lugar que vou, sempre de portas abertas para mim. Agradeço a Deus.”

Aos 80, ele se permite dizer que até ficou com raiva de alguns jornalistas que inventavam coisas a seu respeito nessa trajetória e de rivais que tentaram tirá-lo do controle em campo. Disse que errou muito pouco na vida. Sua mensagem é de otimismo, de agradecimento e também de reconhecimento por tudo o que fez. Pede desculpas aos que, por ventura, magoou ao longo da vida, seja no futebol ou fora dele. Pelé faz uma espécie de reflexão nos seus 80 anos e descobre que só tem de agradecer.

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