Quem acompanhou as colocações do secretário da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, à Comissão de Finanças e Fiscalização da Assembleia Legislativa pode observar a realidade financeira do Governo Fátima Bezerra. O auxiliar petista deixou claro que o Plano de Equilíbrio Fiscal é hoje um objetivo da governadora, aliada histórica do presidente Lula da Silva. O Rio Grande do Norte precisa ser incluído pelo Governo Federal em projetos para reequilibrar as contas e, assim, ter acesso a R$ 1,6 bilhão em financiamentos. Passados oito meses do terceiro Governo Lula, quando vai vir esse socorro? Qual dificuldade existe para iniciar essa parceria?
Para se ter uma ideia, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é um petista aliado de Fátima desde os tempos de militância. Qual dificuldade para obter recursos extras neste segundo semestre? Segundo o argumento de Cadu Xavier, o Governo do Estado ainda estuda as medidas, mas antecipou que pretende apresentar um novo programa de refinanciamento de débitos, um projeto para reduzir temporariamente a alíquota do ITCD, além do recebimento de R$ 100 milhões oriundos da venda da conta única de pagamentos.

Para minimizar, o auxiliar da governadora voltou a enfatizar que a atual crise é resultado do baixo crescimento da receita – atribuída ao corte no ICMS em 2022 – e ao grande aumento na folha salarial, principalmente devido ao reajuste dos professores. “Não tem como não fazer o debate do peso hoje nas finanças públicas estaduais da folha de pagamento. É preciso fazer esse debate. É um tema difícil”, ressaltou. Carlos Eduardo revelou que, além do aumento da folha, há ainda um problema estrutural, que é o fato de a maioria desses servidores já ser aposentado ou pensionista. E quando o Governo Lula vai salvar o segundo mandato de Fátima no Estado? Afinal de contas, quando o melhor vai começar?
NELTER
Propositor do convite para o secretário da Fazenda comparecer à Comissão de Finanças e Fiscalização, o deputado Nelter Queiroz (PSDB) questionou a grande quantidade de terceirizados no Governo Fátima, relembrando que este fato era criticado pela governadora antes de assumir o cargo. Depois, cobrou a renegociação do contrato com a Arena das Dunas. O secretário explicou que este acerto ocorreu em gestões anteriores e que o governo precisa honrar com os pagamentos com a administradora do estádio.
PRESTIGIADO
A participação do secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, ontem na Assembleia Legislativa foi bastante prestigiada. Estavam presentes Coronel Azevedo (PL), Tomba Farias e Nelter Queiroz, ambos do PSDB, além de Isolda Dantas (PT), Cristiane Dantas (Solidariedade) e George Soares (PV). José Dias (PSDB), voz crítica do Governo Fátima, não esteve ontem. Outros deputados como Francisco do PT, Ubaldo Fernandes (PSDB), Luiz Eduardo (Solidariedade), Divaneide Basílio (PT), Terezinha Maia (PL), Hermano Morais (PV) e Dr. Bernardo (PSDB) passaram na Comissão. O encontro ainda reuniu o presidente da Femurn, Luciano Santos, além de vários prefeitos, e o presidente da Associação de Praças da PM, Eduardo Canuto.
ARGUMENTO
Líder do Governo na Casa, o deputado Francisco do PT relembrou que a governadora Fátima Bezerra, além de ter enfrentado o corte na arrecadação do ICMS, também não contou com o dinheiro do fundo previdenciário “que gestões passadas tiveram como recursos extras”. Segundo o petista, “o Governo Fátima não herdou somente R$ 1 bilhão de folhas atrasadas”. “Herdou consignados, e quando estava o equilíbrio começando a acontecer, veio a pancada do maior golpe federativo, que foi a redução do ICMS”.
MEADOS DE MAIO
Este foi o prazo dado pelo prefeito Álvaro Dias (Republicanos) para escolher seu sucessor no Palácio Felipe Camarão. Ele não se anima em apoiar o ex-prefeito Carlos Eduardo (PSD), de quem foi vice em 2016. “Nada pode ser descartado em política, eu não vou descartar, dizer que é impossível; é difícil de acontecer, mas eu não vou descartar. Inclusive há a possibilidade agora levantada do nosso apoio a Rafael Motta. É uma possibilidade sim”, disse na barulhenta entrevista à 96 FM de Natal.
TODO VAPOR
Enquanto é lembrado como possível candidato pelo prefeito Álvaro Dias, o ex-deputado Rafael Motta articula em Brasília com o PSB Nacional. Ontem, ele teve uma conversa com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, seu velho amigo. De testemunha, o diretor-presidente da Codern, Nino Ubarana. Rafael se aproxima do Republicanos, mas também mantém como indicado o diretor-geral do Detran-RN, Jonielson Oliveira. Os petistas não estão gostando. Em 2022, Rafael contrariou a governadora e se lançou ao Senado, ajudando até na vitória do senador bolsonarista Rogério Marinho (PL).
DESPEDIDA
O vereador Bispo Francisco de Assis (Republicanos), comandante da Igreja Universal do Reino de Deus, não anda animado mais para concorrer a reeleição. Em seu quinto mandato, foi eleito vereador pela primeira vez em 2004. Agora, já pensa em lançar outro correligionário do segmento evangélico. Ele tem revelado a nova estratégia aos mais chegados.
PRESIDENTE
O Supremo Tribunal Federal (STF) elegeu ontem o ministro Luís Roberto Barroso para ser o novo presidente da Corte. A eleição, realizada entre os 11 integrantes do STF, é uma formalidade, uma vez que a tradição é apontar o ministro mais antigo que ainda não tenha presidido o tribunal, posição hoje ocupada por Rosa Weber. Barroso assumirá a presidência da Corte em setembro, para um período de dois anos. A posse foi marcada para o dia 28 de setembro.
PRF DIRECIONADA?
Na análise de celulares de integrantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que fundamentou a prisão preventiva de Silvinei Vasques, a Polícia Federal encontrou uma mensagem de um policial reclamando das blitze de ônibus com eleitores no Nordeste no segundo turno do ano passado. Em conversa com um superior, o agente criticou a proposta de “policiamento direcionado” no dia 30 de outubro. O ofício aponta que, entre os dias 28 e 30 de outubro do ano passado, o número de ônibus fiscalizados no Nordeste “foi apenas de 221 a menos que a soma das demais regiões do Brasil”.
QUEDA EM RANKING
Após defender maior protagonismo das regiões Sul e Sudeste nas discussões nacionais em uma fala considerada separatista, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), despencou em popularidade digital neste mês, anulando uma recuperação que havia obtido em julho. Críticas às declarações foram prevalentes na movimentação das redes sobre o tema, que reverberou também entre políticos, sobretudo opositores, mas também entre os de centro e de direita. O mineiro é considerado pré-candidato do campo da direita à eleição de 2026 e tem buscado rivalizar com Lula (PT).