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Editorial
Quando é péssimo politizar
Redação
03/03/2020 | 00:10

A questão da tarifa das passagens de ônibus de Natal passa necessariamente pela licitação do sistema, que insiste em não se viabilizar.

Razões para isso há muitas, mas repousa, sobretudo, na concorrência que poderia diminuir os custos para os usuários e numa modelagem realista de uma licitação que precisa viabilizar a presença de novas empresas dispostas a investir.

Ou, como lembrou a nota do Seturn publicada neste fim de semana, o cidadão da capital que pega ônibus todos os dias não tem capacidade contributiva para pagar o ISS na alíquota máxima e tampouco os 18% de ICMS sobre o combustível.

É claro que quem paga esses tributos são as empresas, que os repassam em alguma medida para os usuários para poderem continuar operando.

Quando essa relação do custo é desprezada no debate, dois elos da corrente saem perdendo: o usuário em primeiro lutar e o setor produtivo, na medida em que ele precisa de retorno financeiro para se viabilizar como negócio.

A excessiva politização que se dá à questão das tarifas de ônibus de Natal tem produzido discrepâncias que evitam qualquer setor de entrar nos eixos.

Cada passageiro gera um custo por Km rodado para empresas, que dependem desse volume de clientes para pagar seus custos fixos e variáveis, com sobras para poder investir em frotas compatíveis com as exigências modernas.

No entanto, quando a questão adquire contornos “políticos”, quem tem responsabilidade acaba se eximindo delas e jogando a culpa para os operadores, o que sem dúvida não é honesto e nem racional.

Não existe almoço grátis nas economias modernas. E as reiteradas tentativas de se fazer uma licitação em Natal mostram que há alguma coisa profundamente equivocada nessa questão.

Responsabilidades, quando existem e prejudicam a maioria da população, devem ser compartilhadas e assumidas à luz da opinião pública e não dissimuladas para facilitar os discursos de alguns.

Se todos os problemas fossem rápidos e fáceis de resolver, o planeta seria um oceano de igualdades.

É preciso honestidade para que o poder público e as empresas ponham esse problema preto no branco. Estabeleçam, prioridades e parem de jogar para suas torcidas.

Já foi o tempo.

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