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Marcelo Hollanda
Quando Bolsonaro cair pelo voto, estará sozinho para arcar com as consequências
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quarta-feira 29
Marcelo Hollanda
29/12/2021 | 08:49

Presidencialismo já deu
A vida é dura e não é nada justa. Mas realçar as diferenças de tratamento entre ricos e pobres especialmente em ano eleitoral vai completamente contra o manual mais elementar do exercício da política nas democracias.

É o que acontece com a Bahia depois das enchentes dramáticas desta semana. Ministros sobrevoam as áreas atingidas enquanto o presidente da República pesca e se diverte no litoral catarinense, mesmo estado que ele visitou pessoalmente quando teve problemas parecidos.

A dificuldade aqui é um governador (petista), uma maneira desagregadora de governar, que não é para todos e muito menos para adversários.

Não bastasse a desgraça da pandemia e suas consequências, ainda é preciso lidar com essas irracionalidades.

Desconhecer a Bahia não vai ajudar Bolsonaro na sua tentativa cada vez mais distante de se reeleger, mas é só assim que o presidente consegue pensar e fazer política: na base do tranco e do confronto, confiando nas alianças primárias suficientes para eleger aliados, mas insuficientes para garantir a sobrevivência da cabeça de chapa.

E isto com ressalvas, já que esses aliados também fazem cálculos e sofrem os desgastes dos erros continuados do presidente, especialmente em relação à vacinação e ao tratamento visivelmente diferenciado dos interesses da família e dos amigos.

Ao contrário da ex-presidente Dilma Rousseff, que se isolou nos próprios erros sem negociar no Congresso (ao contrário do que o ex-presidente Lula fez várias vezes), Bolsonaro só tem agora uma base apaixonada de aliados que come grama e pula da janela do prédio se ele mandar.

Isso foi o que Hitler conseguiu de milhões de alemães de um país devastado antes mesmo de se transformar em primeiro-ministro. É o sonho de todo o autocrata contar com o apoio incondicional da população. Mas não é de longe o caso de Bolsonaro e seu jeito belicoso de fazer política.

Quando ele cair pelo voto, estará sozinho para arcar com as consequências.

Neste momento, tão certo como a chuva que cai de cima para baixo, os antigos aliados seguirão a vida com novas ‘personas’.

Como fizeram em 1985, os militares retornarão aos quartéis de onde nunca deveriam ter saído e caberá ao futuro presidente extinguir a reeleição (que seduziu até Fernando Henrique Cardoso, um entusiasta do Parlamentarismo), desarmando a bomba presidencialista.

Um artefato que dá tantos poderes a um presidente é mesmo algo a ser enterrado em nome de uma governança mais equilibrada e menos sujeita ao pandemônio armado no Brasil com a eleição de um extremista de direita.

Um retorno à normalidade é o que se busca, mas com traumas a curar em tempos especialmente difíceis.

TCU de novo
Na mesma linha do orçamento secreto no Congresso desvendado pelo Estadão, a Folha de S. Paulo colou no relatório sigiloso do Tribunal de Contas da União sobre contratações feitas pelas Forças Armadas de empresas ligadas a militares. E não promete soltar. O malfeito custou, até o momento, R$ 87 milhões. Os auditores mapearam contratos de 2017 a 2020 com um grupo de sete empresas envolvidas no fornecimento de alimentos para o Ministério da Defesa, assunto em destaque nesta coluna na edição de ontem, repercutindo o material da Folha. Segundo o jornal, “foram identificados grupos econômicos com indícios de atuação coordenada entre as empresas integrantes em licitações, com ou sem a participação de servidores, para direcionamento do certame ou contratação direta indevida”.

Muito grave
Diz a Folha que entre os principais sinais de alerta estão sócios ou ex-sócios que foram militares e cujo endereço de sete empresas é praticamente o mesmo. E algumas utilizam o mesmo email de outra empresa, apresentam sócios ou ex-sócios em comum e proposta no mesmo item de pregão. Pior, seis utilizaram nas licitações o mesmo IP (espécie de registro de endereço de conexão à internet). “Também foram apontados problemas como incompatibilidade entre o porte da empresa e o valor de contratação, além de uma sócia de duas empresas que foi titular de conta bancária de outras empresas do grupo com as quais não possui nenhum vínculo (nem sócia nem empregada)”, sustenta a reportagem.

Resposta da Defesa
Em nota, a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa negou que a “administração central” da pasta tenha contratos com as referidas empresas e, por telefone, disse que as Forças Armadas possuem autonomia para fechar os seus contratos.

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