21/05/2015 | 05:26
O PSDB desistiu de bancar, neste momento, um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Após receber parecer sobre sua viabilidade jurídica, o presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), admitiu nesta quarta-feira (20) que outras medidas devem ser adotadas antes que o partido apresente um pedido de afastamento de Dilma.
Nesta quinta (21), Aécio apresentará aos demais partidos de oposição um relatório do jurista Miguel Reale Júnior. O parecer não traz elementos que sustentem um pedido de impeachment agora.
Na avaliação do PSDB, é melhor esperar o avanço da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, e buscar outros elementos que sustentem um processo contra Dilma.
Em vez de impeachment, Aécio vai sugerir que a oposição entre com uma ação penal contra a presidente por causa das manobras fiscais usadas para fechar as contas do governo no seu primeiro mandato, que viraram alvo de questionamentos no TCU (Tribunal de Contas da União).
“Não daremos folga”, afirmou Aécio, que foi derrotado por Dilma nas eleições do ano passado. “A população está querendo partir para cima do PT. Somos apenas instrumento”, acrescentou. Embora afirme que existem indícios fortes contra a petista, este “não é o momento para o movimento de impeachment”.
A mudança de tom no discurso de Aécio é significativa. Em abril, o tucano disse que já via “motivo extremamente forte” para impeachment nas denúncias de corrupção na Petrobras. Dias depois, o líder da bancada tucana na Câmara, Carlos Sampaio (SP), afirmou que apresentaria um pedido de impeachment em uma semana.
Acabou prevalecendo no partido a tese de que é preferível desgastar a presidente do que propor uma ação de resultado incerto agora. Os tucanos reconhecem que não há adesão popular significativa à causa do impeachment, e que não há consenso sobre o tema nem mesmo no PSDB.