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Artigo

PSD, a pedra no sapato dos Faria

Confira a coluna do jornalista Bosco Afonso no Agora RN desta sexta-feira 10
Bosco Afonso
10/09/2021 | 08:18

O então governador Robinson Faria embarcou no Partido Social Democrático (PSD), de Gilberto Kassab, navegou em mar de águas tranquilas no período em que administrou o Rio Grande do Norte e até que conseguiu eleger o seu filho, Fábio Faria, à duras penas, a deputado federal.

À época da navegação, ajudado por calmos ventos, o então governador Robinson, filho do quase governador Osmundo Faria, demonstrou um prático desempenho ao constituir novos diretórios municipais e ao engordar uns tantos outros com as participações de prefeitos, ex-prefeitos e vereadores fazendo crescer o seu PSD, que galhardamente exibia quase uma centena de organizações partidárias municipais.

Psd, a pedra no sapato dos faria
Gilberto Kassab com o ex-governador Robinson Faria e o atual ministro das Comunicações Fábio Faria. Foto: Reprodução

Embora não lograsse êxito na tentativa de sua reeleição, cujo desgaste maior se concentrou na opção involuntária de atrasar os salários de servidores, Robinson mostrou à direção nacional do seu PSD a força em eleger 1 deputado federal e 3 deputados estaduais. Não demorou muito e, enquanto dois dos seus deputados estaduais criavam rusgas com o seu PSD, o seu próprio filho, Fábio, o federal, depois de licenciado do mandato para assumir o Ministério das Comunicações na gestão Bolsonaro, decidiu e anunciou deixar as fileiras do partido que o abrigou para chegar ao Congresso Nacional. Mesmo assim, Robinson continuou prestigiado pela direção nacional de seu PSD e mesmo sabendo que seria complicado conciliar os seus interesses políticos com os de Fábio – agora bolsonarista de carteirinha – se agarrou à Kassab e ficou aguardando os acontecimentos.

Até o momento, Fábio, que tem pretensões de se tornar Senador pelo RN apoiando o presidente Bolsonaro em sua reeleição, ainda não definiu a sua nova sigla partidária, mas o partido por qual se elegeu, o PSD, presidido no Estado pelo seu pai, Robinson, já está definido, nas palavras do presidente nacional, Gilberto Kassab, que vai também engrossar fileiras na tentativa de viabilizar o impeachment de seu chefe Bolsonaro, ainda sem partido.

Assim, a situação política fica ainda mais complicada para o ex-governador Robinson Faria administrar. Um grande dilema. Como vai ser a convivência de Robinson com o seu partido, o PSD, arquitetando cassar o mandato do chefe de seu filho, Fábio? É o mesmo que dizer que o partido de Robinson está querendo desalojar o seu filho do Ministério das Comunicações. Dá para entender? Aliás, dá para conviver com uma situação dessa?

Na verdade, o ministro Fábio Faria já anunciou e consolidou a sua saída do PSD, mas o PSD continua a ser uma pedra no sapato de Fábio. E de Robinson também.