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Opinião
Professor universitário escreve artigo abordando os temas educação e segurança pública
'Mas será uma incrível coincidência que todos (eu disse TODOS) os países com estatísticas educacionais elevadas também possuem baixos índices criminais?!', escreveu Lacet
Redação
30/11/2017 | 14:46

O jornalista, escritor e professor universitário Otaviano Lacet abordou o tema educação e segurança pública em artigo, tendo em vista o momento que o país se encontra com a aproximação do ano eleitoral. Para o escritor a segurança pública é um dos principais temas abordados pelos candidatos por possuir um apelo social, enquanto a educação não é vista como um ponto que raramente é debatido pelos candidatos.

 

CRIME É NÃO EDUCAR

Otaviano Lacet 

A pouco menos de um ano da eleição presidencial, não restam dúvidas de que a criminalidade será um dos motes principais das candidaturas. Porém, tal fato não denota compreensão sobre o tema ou mesmo que este vá ser tratado
com a devida seriedade pela classe política, muito pelo contrário: elevado à categoria de alarido circense, o assunto infla frases de efeito e abarrota comícios relâmpagos, mas estes pouco ou nada trazem de soluções efetivas.

A educação, que é a principal delas, raramente é vista como um ponto crucial deste debate, mas sim como se fosse “um outro assunto”. Mas será uma incrível coincidência que todos (eu disse TODOS) os países com estatísticas educacionais elevadas também possuem baixos índices criminais?! A lógica e o bom senso atestam que não. Assim sendo, está mais do que claro que é um erro estratégico crasso exaltar apenas ações militares diretas sem que, aliados a estas, hajam projetos educacionais efetivos atuando em prol da sociedade.

Aliás, esta é uma realidade que o Brasil nunca experimentou: ter uma política educacional eficaz. E o resultado disto é sentido por toda a sociedade, sendo o alto índice criminal a sua face mais “midiática” – mas nem de longe a
única visível. E assim, escada abaixo, temos recebido o fruto inverso daquele experimentado por nações que “fizeram a lição de casa” e atualmente estão demolindo presídios por falta de detentos, ou transformando delegacias em salas
de aula, pelo simples fato de que há menos demanda para uma do que para
outra.

Já no Brasil, com escolas desabando sobre a cabeça dos alunos, professores mal remunerados e analfabetos funcionais sendo diplomados em nome de manter estatísticas eleitoreiras, só neste ano “investimos” 2,2 bilhões
de Reais no sistema penitenciário.

O ensino traz em si não só o poder de quebrar ciclos, mas principalmente o de prevenir o surgimento destes. Ele atua provendo e robustecendo a esperança de um futuro melhor, da abertura de possibilidades: para o aluno, sua
família e também a sociedade, que obterá um verdadeiro cidadão apto a beneficiá-la. Eis aí algo que os candidatos aguerridos não compreendem, pois são pífios estrategistas: este é o caminho para estancar o fornecimento de material humano para a criminalidade, atuando na prevenção do crime. Qualquer discurso que não visualize isto não passa de bala completamente perdida.

 

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