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Saúde
Prevenção à Covid-19 derruba casos de doenças respiratórias em até 80%
Medidas para frear o avanço do novo coronavírus no país tiveram um impacto ainda mais forte em outros agentes infecciosos, dizem especialistas
R7
11/10/2020 | 17:39

As medidas de restrição e prevenção adotadas para frear o avanço do novo coronavírus – como a quarentena, a higiene pessoal e o uso de máscara – levaram a uma queda drástica na incidência de doenças causadas por outros vírus respiratórios no país, de acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). A ocorrência dessas outras infecções caiu em mais de 70%. As internações de casos pediátricos graves foram reduzidas em 80%.

O sistema InfoGripe, que monitora as notificações de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com base nos dados do Ministério da Saúde, mostra que até agosto deste ano foram registrados 218.904 casos gerados por vírus respiratórios.

As medidas de restrição e prevenção adotadas para frear o avanço do novo coronavírus – como a quarentena, a higiene pessoal e o uso de máscara – levaram a uma queda drástica na incidência de doenças causadas por outros vírus respiratórios no país, de acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). A ocorrência dessas outras infecções caiu em mais de 70%. As internações de casos pediátricos graves foram reduzidas em 80%.

O sistema InfoGripe, que monitora as notificações de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com base nos dados do Ministério da Saúde, mostra que até agosto deste ano foram registrados 218.904 casos gerados por vírus respiratórios.

A queda dos casos de síndromes respiratórias agudas graves causadas por VSR ainda entre janeiro e agosto deste ano foi de 76,4% na comparação com a média dos últimos três anos nos mesmos meses. Os casos de gripe também despencaram – uma redução de 62,2%.

O pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, afirma que essa diminuição aconteceu por causa das medidas adotadas para conter a disseminação do novo coronavírus, a partir do momento que se confirmou a transmissão comunitária no Brasil, quando existem pessoas infectadas, mas não é possível saber quem transmitiu o vírus para elas.

“Aí as ações [contra o coronavírus] foram muito fortes e geraram uma queda muito expressiva e completamente inesperada. A gente estava esperando um surto de influenza para esse ano, porque já vinhamos observando níveis altos nos anos anteriores”, afirma Gomes.

De acordo com ele, essas medidas romperam com o surto precoce de influenza registrado nas semanas epidemiológicas 9 e 10, que correspondem ao final de fevereiro e início de março.

“Coincidiu com o período em  que começou a se espalhar o coronavírus. e aí a gente começou o distanciamento, o trabalho remoto. Março e abril foram o período mais intenso de implementação por parte dos governos e adesão da população a essas medidas”, destaca.

“Por volta da semana 13 [a última do mês de março] começou a queda forte [de influenza] e então se manteve sempre, em valores de novos casos por semana, muito mais baixo do que o esperado”, acrescenta.

O pesquisador pondera que as ações implementadas diante da pandemia foram efetivas para frear a covid-19, mas tiveram um impacto mais forte em outros vírus respiratórios porque eles são “menos competentes” para se espalhar. “Aqueles que não são aptos na transmissão quase desapareceram”, ressalta.

A expectativa de Gomes é que as medidas de prevenção contra o coronavírus sejam adotadas no futuro. “Sempre que estiver com princípio de gripe coloque a máscara, porque isso já vai ajudar a proteger a comunidade”, exemplifica.

“O distanciamento também foi fundamental, mas são coisa simples, como máscara e lavagem de mãos, que vão se somando, e a combinação delas gera o maior resultado”, completa.

Gustavo Prado, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, concorda. “Todos esses vírus respiratórios têm um ponto em comum: são transmitidos principalmente por meio de gotículas emitidas quando uma pessoa fala, tosse, espirra e as medidas [de prevenção] que a gente sempre recomendou verdadeiramente se intensificaram por causa do novo coronavírus”, observa.

“Com a máscara você já reduz a chance de contágio, e mantendo uma distância de pelo menos 2 metros [das outras pessoas] essa transmissão vai diminuir ainda mais”, acrescenta.

Margareth Dalcolmo, pneumologista da Fiocruz,  também cita que também colaborou para esta queda a alta cobertura que a vacinação contra influenza alcançou neste ano. 

Logo que o coronavírus chegou ao Brasil, as autoridades de saúde incentivaram a vacinação justamente como medida para evitar a ocorrência de várias doenças respiratórias ao mesmo tempo, o que poderia aumentar a procura por hospitalização, prejudicando ainda mais a oferta. De acordo com o DataSus, a cobertura superou os 90% da população alvo no país.

Crianças foram mais poupadas

A queda mais significativa no número de casos de outras gripes ocorreu entre as crianças. Com todas as escolas do país fechadas, elas realmente ficaram mais isoladas durante a maior parte da epidemia. Além disso, diferentemente do que ocorre em outras doenças respiratórias, elas não são o alvo preferencial da covid-19. Os mais vulneráveis são os adultos e os idosos.

Um novo estudo do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) revelou que as internações por infecções respiratórias comuns em UTIs pediátricas tiveram uma queda de 80% em 2020 em comparação com os três anos anteriores.

“As UTIs pediátricas ficaram muito vazias”, relata o pediatra José Colleti Jr, coordenador da UTIP do Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo, que participou do estudo. “Muitas delas, inclusive, fecharam porque não tinham pacientes e acabaram sendo transformadas em UTIs de covid. Alguns intensivistas pediátricos fizeram cursos rápidos e foram transferidos para unidades de adultos.”

O estudo foi feito em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva Pediátrica em 15 hospitais da Rede D’Or em Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Distrito Federal.

A confirmação dos primeiros casos de covid no fim de fevereiro e começo de março, coincidindo com o início da temporada sazonal de doenças provocadas por vírus respiratórios, alarmou os médicos, sobretudo os pediatras, porque as crianças, normalmente são mais vulneráveis aos patógenos respiratórios.

“Nesta época do ano, normalmente, as emergências pediátricas ficam lotadas, prontos socorros fecham por não terem condições de atender mais doentes, falta vaga em UTIs pediátricas”, descreve Colleti Jr.

“Quando o novo coronavírus surgiu, não sabíamos como ele se comportaria em crianças. Ficamos com muito medo que se somasse às doenças que já tínhamos normalmente provocando uma verdadeira tragédia. Mas aconteceu justamente o contrário”, pondera.

“Não é que os vírus deixaram de existir, mas eles não circularam de forma tão intensa”, afirma a pediatra Patrícia Barreto, presidente do Departamento de Doenças do Aparelho Respiratório da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj).

Segundo Patrícia, uma lição importante a ser mantida depois da volta às aulas, é que crianças com qualquer sintoma de doença respiratória, como febre e coriza, não devem ser mandadas para a escola como muitas vezes costumava ser feito.

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