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Coluna
Presídio federal no RN: Um erro a ser corrigido; leia coluna de Vagner Aráujo
Cnfira a coluna de Vagner Araujo nesta quarta 13
Vagner Araujo
13/12/2023 | 08:25

A instalação de um presídio federal, para receber presos perigosos de todo o País, em um estado que tem 400 quilômetros de litoral e onde o turismo é fonte de sobrevivência para muitos, é um equívoco estratégico.

A vinda daquele presídio para Mossoró foi um erro. E erros devem ser corrigidos. No caso, retirando-se a função federal do equipamento e convertendo-o em penitenciária estadual.
A política de instalar presídios de segurança máxima em lugares de difícil acesso pelo País para segregar presos mais perigosos é correta. Mas nem Mossoró nem o Rio Grande do Norte é um desses lugares. Ao contrário. Somos ponto de passagem para a Europa. Estamos no Atlântico com grande extensão litorânea e dois portos.

Sabemos que a vinda desse presídio para cá não foi decisão política. Foi decisão técnica do Departamento Penitenciário Nacional. Mas faltou posicionamento contrário das nossas forças políticas. Em especial, da bancada federal que nos representa em Brasília.

Olhando para as estatísticas, constatamos que o crescimento do crime organizado aqui se deu justamente a partir do pleno funcionamento do presídio federal em Mossoró (2011). A transferência de presos do Sul e Sudeste do País para uma região turística resulta na vinda do seu entorno – da sua ‘equipe de apoio’. E aqui, não encontraram muita resistência já que nossas polícias não estavam preparadas para lidar com estruturas pesadas.

Foi assim que perdemos a posição que tínhamos até o fim dos anos 2000: Natal como a capital mais tranquila do País – destacada pela revista Época e Globo Repórter de então -, saltando para a outra ponta do ranking como uma das mais violentas. Essa tenebrosa escalada pode ser vista no gráfico disponível em bit.ly/rnviolencia.

Como corrigir este erro? Criando-se uma ampla frente suprapartidária com representantes da sociedade civil, deputados, senadores, prefeitos, governadora do Estado, entre outras instituições, para reivindicar esta medida. Essa união de forças, que pode juntar o Ceará – também prejudicado pela proximidade -, será capaz de sensibilizar Brasília para alterar a função federal da penitenciária de Mossoró, convertendo-a em presídio estadual. Assim, evitaremos que presos de alta periculosidade venham para o Rio Grande do Norte livrando o nosso lindo estado de fazer parte do mapa do crime organizado. Protegendo nossa população e preservando a “galinha dos ovos de ouro” da nossa economia, o turismo, das perdas e danos a que a instalação do presídio federal em Mossoró tem nos condenado até aqui.

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