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Articulação
PP negocia com opositores de Bolsonaro em pelo menos sete estados para 2022
PP deve manter a parceria eleitoral com adversários ferrenhos do presidente
O Globo
29/08/2021 | 08:00

Ao escolher Ciro Nogueira para comandar a Casa Civil, o presidente Jair Bolsonaro pode ter criado uma saia justa para si mesmo em 2022. Se, por um lado, o novo ministro se tornou o fiador e articulador político do governo junto ao Congresso, de outro, é uma das principais lideranças do PP, partido do Centrão focado em seus próprios interesses eleitorais. Em pelo menos sete estados, há a possibilidade real de a sigla apoiar nomes críticos ao presidente da República, sendo que em três deles deve estar com seu principal adversário: Luiz Inácio Lula da Silva.

As possibilidades de “traições” se concentram principalmente no Nordeste, onde o presidente enfrenta os menores índices de aprovação ao governo federal e, historicamente, Lula é mais competitivo. Em seis das nove unidades da federação daquela região, há chances de Bolsonaro estar num palanque diferente do PP ou, a depender do cenário, ter que dividi-los com concorrentes diretos na corrida pelo Palácio do Planalto.

Ironicamente, este é o caso do Piauí, terra de Ciro Nogueira, que por anos a fio foi aliado de primeira hora do PT de Lula. Seu plano inicial é disputar a eleição para governador contra o candidato da situação, que será lançado pelo atual chefe do Executivo estadual, Wellington Dias (PT). O presidente do PP local, Julio Arcoverde, porém, tem dito que seu correligionário deve permanecer na Casa Civil.

— É um consenso que o ministro Ciro ficará no ministério. Eu comungo da ideia de que não podemos definir o candidato no próximo ano. Tem que ser neste ano, a gente tem que virar em janeiro já com a chapa montada, com o candidato na rua, é só completar com as defecções que teremos na base — justificou Arcoverde em entrevista ao “Portal O DIA”.

Nesse contexto, a tendência é que a legenda apoie Silvio Mendes, do PSDB. Os tucanos, entretanto, devem lançar candidatura própria à Presidência da República — o governador de São Paulo e desafeto de Bolsonaro, João Doria, é o favorito — e certamente contam com o palanque de Mendes no Piauí.

Adversários ferrenhos

Em outros redutos, o PP deve manter a parceria eleitoral com adversários ferrenhos do presidente: a aliança com o grupo de Flávio Dino (PSB), governador do Maranhão, já está quase certa. O partido ainda faz parte da base aliada de dois petistas da região: Camilo Santana, no Ceará, e Rui Costa, na Bahia. Nessas três unidades da federação, mais do que estar distante de Bolsonaro, a legenda do ministro da Casa Civil tem tudo para fechar com Lula. Também tende a se opor ao presidente em Pernambuco, onde apoiou o governador Paulo Câmara (PSB) nas últimas eleições e, possivelmente, em Sergipe, estado cujo mandatário, Belivaldo Chagas (PSD), venceu com o apoio de siglas de esquerda, entre elas o PT.

Em São Paulo, maior estado do país, mais problemas: atualmente, o PP conversa com Rodrigo Garcia (PSDB), nome apoiado por Doria. Mesmo que essa negociação não avance, o plano B seria a candidatura de Geraldo Alckmin, que deve deixar o PSDB e está conversando com PSB e PSD, siglas distantes de Bolsonaro.

Os planos de Doria podem esbarrar nas articulações de grupo de tucanos para lançar o governador do RS, Eduardo Leite, à Presidência Foto: Gustavo Mansur / Agência O Globo
Os planos de Doria podem esbarrar nas articulações de grupo de tucanos para lançar o governador do RS, Eduardo Leite, à Presidência Foto: Gustavo Mansur / Agência O Globo
Após anulação as condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e poderá concorrer em 2022. Lideranças do PT dizem que Lula só não sai candidato se ele quiser Foto: Edilson Dantas
Após anulação as condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e poderá concorrer em 2022. Lideranças do PT dizem que Lula só não sai candidato se ele quiser Foto: Edilson Dantas
O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição. Em visita à Câmara, em fevereiro, após ser xingado por deputados da oposição, ele respondeu:
O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição. Em visita à Câmara, em fevereiro, após ser xingado por deputados da oposição, ele respondeu: “Nos encontramos em 22”. Foto: Isac Nóbrega/PR
A atuação de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde e a visibilidade que ganhou na época fizeram o Dem cogitar lançar o nome dele em candidatura própria em 2022 Foto: Jorge William / Agência O Globo
A atuação de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde e a visibilidade que ganhou na época fizeram o Dem cogitar lançar o nome dele em candidatura própria em 2022 Foto: Jorge William / Agência O Globo
Antes da decisão que possibilita Lula se candidatar, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi aconselhado pelo ex-presidente a rodar o país se apresentando como pré-candidato Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo 23/10/2018
Antes da decisão que possibilita Lula se candidatar, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi aconselhado pelo ex-presidente a rodar o país se apresentando como pré-candidato Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo 23/10/2018
Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Agência O Globo
Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Agência O Globo
O governador de São Paulo tem se colocado como opção de centro direita a Bolsonaro, não evitando o embate com o presidente, de olho em 2022 Foto: Fotoarena / Agência O Globo
O governador de São Paulo tem se colocado como opção de centro direita a Bolsonaro, não evitando o embate com o presidente, de olho em 2022 Foto: Fotoarena / Agência O Globo
Após ir para o segundo turno na eleição para a Prefeitura de São Paulo com votação expressiva, Guilherme Boulos se cacifou para concorrer novamente para presidente Foto: Marcio Alves / Agência O Globo
Após ir para o segundo turno na eleição para a Prefeitura de São Paulo com votação expressiva, Guilherme Boulos se cacifou para concorrer novamente para presidente Foto: Marcio Alves / Agência O Globo
O governador do Maranhão, Flávio Dino, defende a criação de uma frente ampla de esquerda e seu nome é um dos catados para essa coligação Foto: 11/01/2013 / Agência Brasil
O governador do Maranhão, Flávio Dino, defende a criação de uma frente ampla de esquerda e seu nome é um dos catados para essa coligação Foto: 11/01/2013 / Agência Brasil
Desde que saiu do governo brigado com o presidente, o nome do ex-juiz Sergio Moro é cotado para 2022 Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil
Desde que saiu do governo brigado com o presidente, o nome do ex-juiz Sergio Moro é cotado para 2022 Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil
Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, começou a ser assediada por líderes partidários para participar de composições de chapa para disputa à Presidência. Pelo menos três legendas já enviaram emissários para discutir o assunto com a ela Foto: Patricia Monteiro / Bloomberg
Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, começou a ser assediada por líderes partidários para participar de composições de chapa para disputa à Presidência. Pelo menos três legendas já enviaram emissários para discutir o assunto com a ela Foto: Patricia Monteiro / Bloomberg
Candidato a presidente pelo Novo em 2018, João Amoêdo planeja se candidatar novamente em 2022, mas enfrenta resistências no partido Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Candidato a presidente pelo Novo em 2018, João Amoêdo planeja se candidatar novamente em 2022, mas enfrenta resistências no partido Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Senador Tasso Jereissati se colocou como opção do PSDB para a Presidência em 2022 e ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Senador Tasso Jereissati se colocou como opção do PSDB para a Presidência em 2022 e ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Nas últimas eleições, o PP fortaleceu o projeto de adversários de Bolsonaro em diversos estados. No plano nacional, a legenda compôs com o então candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin, e indicou a ex-senadora Ana Amélia como vice da chapa tucana. Com a lupa virada para as disputas regionais naquela ocasião, viu-se o partido de Ciro Nogueira apoiar o governador Rui Costa, do PT, na vitoriosa eleição ao governo da Bahia.

A situação de 2022 se torna ainda mais curiosa porque Nogueira não apenas ocupa um espaço de destaque no governo federal, mas integra o núcleo duro da chamada ala política dos auxiliares de Jair Bolsonaro. Desde a redemocratização, a Casa Civil costuma ser tratada como um cargo de estrita confiança do presidente da República, quase inalcançável às negociações partidárias.

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