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Povo vai reagir se não tivermos uma eleição democrática, diz Bolsonaro
Presidente tem defendido implementação do voto impresso, em discussão no Congresso, sob argumento de que urnas eletrônicas permitem fraudes
Metrópoles
28/07/2021 | 14:17

O presidente (sem partido) disse nesta quarta-feira 28que “o povo vai reagir” se o país não tiver “uma eleição democrática” no pleito do próximo ano.

O chefe do Executivo fazia referência ao voto impresso, modelo que vem defendendo sob o argumento de que o atual sistema eleitoral, de urnas eletrônicas, permite fraude. A declaração foi feita a apoiadores, no Palácio da Alvorada. A conversa foi transmitida por um canal simpatizante ao governo.

“Olha, o povo vai reagir em 22 se não tivermos uma eleição democrática. Todos nós queremos eleições. […] Temos que ter transparência. Me acusavam de ser ditador, mas estou demonstrando exatamente o contrário. Vai ganhar eleições quem tem voto, se não for dessa maneira, poderemos ter problema em 22 e eu não quero problema”, declarou o presidente.

De acordo com um levantamento feito pelo Metrópoles, publicado no último sábado (24/7), Bolsonaro falou em “fraude” ao menos 90 vezes, entre 6 de maio e a última sexta-feira, 23 de julho. Ele, no entanto, nunca apresentou provas. A reportagem considerou todas as declarações do presidente em discursos oficiais, entrevistas à imprensa, lives semanais e conversas com apoiadores no Palácio da Alvorada.

Ao defender o voto impresso, o chefe do Executivo também já afirmou nos últimos meses que o seu lado “pode não aceitar o resultado” das eleições do próximo ano e que o Brasil terá “eleições limpas” ou “não terá eleição”.

A primeira vez em que Jair Bolsonaro prometeu que iria apresentar provas de fraudes nas eleições, contudo, foi em 9 de março de 2020 – há mais de 500 dias.

Para esta quinta-feira 29, o presidente promete uma “apresentação bombástica” para demonstrar as “inconsistências” e as “vulnerabilidades” das urnas eletrônicas.

Na apresentação, segundo Bolsonaro, serão apresentadas provas de que houve fraude nas eleições de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) disputaram o segundo turno. Na ocasião, as urnas constataram que a petista foi eleita com 54,5 milhões de votos, contra 51 milhões do tucano.

Além disso, o chefe do Executivo ainda promete que demonstrará que venceu as eleições de 2018 ainda no primeiro turno.

“Peço que amanhã, quinta-feira, às 19h, o pessoal assista porque a gente vai demonstrar todas as inconsistências de 2014, 2018… São coisas fantásticas ali para mostrar”, disse nesta quarta.

No início deste mês, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o chefe do Executivo federal aponte provas e indícios de irregularidades no sistema eleitoral; até o momento, porém, o presidente não o fez. A expectativa é que as “evidências” apresentadas por Bolsonaro nesta quinta sejam enviadas à Corte eleitoral para análise.

Em maio deste ano, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), determinou a instalação de comissão especial para discutir a PEC do voto impresso.

O colegiado é responsável por analisar o mérito do texto. Se aprovada, a matéria segue para votação no plenário da Câmara. Sob a autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF), a PEC teve a constitucionalidade aprovada, em dezembro de 2019, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Por se tratar de uma PEC, o texto precisa do aval de 308 deputados, em dois turnos de votação. Caso seja aprovado, o novo dispositivo legal será analisado pelos senadores.

A proposta estipula a inclusão de um artigo na Constituição Federal para que, “na votação e apuração de eleições, plebiscitos e referendos, seja obrigatória a expedição de cédulas físicas, conferíveis pelo eleitor, a serem depositadas em urnas indevassáveis, para fins de auditoria”.

Há duas semanas, para evitar uma derrota, a base aliada do governo na Câmara conseguiu adiar a votação do parecer do relator da proposta, deputado Filipe Barros (PSL-SP), na comissão.

O presidente do colegiado, Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), convocou nova reunião para 5 de agosto, após o recesso parlamentar.

Em manobra regimental, Martins argumentou que Barros pediu mais tempo para fazer modificações no texto, a pedido de outros deputados da comissão.

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