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Editorial
Poder insubornável; leia o editorial do Agora RN desta quarta (20)
Redação
20/05/2020 | 03:58

Significado para a palavra “cooptar” no dicionário: verbo transitivo direto; aceitar alguém, sem que haja necessidade do cumprimento das formalidades normais de aceitação, numa assembleia, corporação, companhia, instituição etc.

E o detalhamento vai além, com exemplos: “a escola achou melhor cooptar como professor o filho do diretor. Causar a admissão de alguém como associado; aliciar: eles tiveram de cooptar jogadores de times adversários para ganhar o campeonato”.

Dito isto, que venha o nexo: a enxurrada de militares reformados ou não no governo Bolsonaro, incluindo agora o ministro da Saúde (se temporário, não se sabe) acompanhado de outras tantas fardas em cargos chaves da mesma pasta no curso da maior pandemia do século.

São evidências de um loteamento preocupante, que só encontra guarida na suposição de um processo de cooptação épico de gente que há muitos anos não se via minimamente protagonista do poder civil.

E quando se diz “muito tempo”, é muito mesmo. Um dado exemplar disso é que, durante os 21 anos de ditadura militar no Brasil, nem um único ministro da Saúde saiu do oficialato. Nenhum. De Castelo Branco a João Figueiredo, passando por Costa e Silva e Medici, incluindo os generais da Junta governativa de 1969, todos foram médicos.

Nos 13 anos de PT na Esplanada, nos governos Lula e Dilma, o Ministério da Defesa foi ocupado por civis. E três deles, diga-se de passagem, tiveram problemas com o regime militar.

Se, de um lado, o nível de militarização no governo atual causa espanto, convém ouvir o que muitos militares de alta patente na ativa, fora dessa farra, têm a dizer de uma cumplicidade tão estreita de fardados num governo civil.

Sabe-se que o poder pode ser tão sedutor para civis quanto militares, mas é preciso observância para os limites.

Endossar nesse grau um governo fadado a confusões e confrontos pode estar no limite do bom senso para quem, fora da política, tem cuidado de todos os brasileiros, independentemente dos presidentes de plantão.
Que assim continue.

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