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Alerta
Pico de casos de Covid-19 no RN surgiu logo após relaxamento nas medidas de isolamento, diz estudo
Professor José Dias, físico do Departamento de Física da UFRN e coordenador do Grupo de Aplicações do Modelos Mosaic no Estado, ressalta que as políticas públicas de enfrentamento baseadas em reaberturas prematuras prolongaram a duração da epidemia da Covid-19; RN alcançou a marca de 2.594 mortes pelo novo coronavírus até esta quinta-feira 5
Redação
06/11/2020 | 05:14

De acordo com a análise realizada por meio dos modelos Mosaic da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, um pico sem precedentes de casos de coronavírus ocorreu no estado por volta do dia 15 de outubro, reflexo do relaxamento do isolamento social a partir do mês de setembro. Os pesquisadores destacam que o Rio Grande do Norte é o único estado da região Nordeste a apresentar um aumento ascendente no último dia 15. Neste dia, o RN havia registrado 299 novos casos da doença.

Apesar disso, os modelos do Mosaic evidenciam que os estados nordestinos ainda não passam por uma segunda onda de novos casos. Para o mês de novembro, a previsão é que a quantidade de casos siga uma queda alongada.

O professor José Dias, físico do Departamento de Física da UFRN e coordenador do Grupo de Aplicações do Modelos Mosaic no estado do RN, ressalta que as políticas de enfrentamento baseadas em reaberturas prematuras prolongaram a duração da epidemia, favorecendo assim um cenário de óbitos constantes por muitos meses e a circulação descontrolada do vírus.

“Estados como o Rio Grande do Norte, onde os sinais de estabilização são defendidos, escondem, na verdade, uma evolução sistemática de óbitos diários que segue em patamares constantes desde agosto”. O integrante do Comitê de cientistas do Nordeste no enfrentamento da covid-19, José Dias, afirma ainda que o Governo decidiu ignorar indivíduos vulneráveis à doença. “Os indivíduos ‘morríveis’ seguem protegidos pela sorte ou azar”, pontua.

Os dados apresentados pela John Hopkins University mostram que países como França, Itália e Espanha estão chegando ainda no pico da sua segunda onda neste mês de novembro, uma vez que o primeiro pico da doença foi em abril. Então, para esses três países, o intervalo entre o primeiro e o segundo pico durou sete meses.

Avaliando a situação atual, os pesquisadores do Mosaic indicam que, se os processos médios de contaminação se mantiverem, teremos uma segunda onda no RN por volta de janeiro.

RN tem 2.594 mortes pela Covid-19

O Rio Grande do Norte chegou aos 82.079 casos confirmados de Covid-19 desde o início da pandemia. Houve aumento de 203 casos em relação aos dados da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) publicados nesta quarta-feira 4.

O RN também registrou seis novas mortes pela doença nas últimas 24 horas, o que eleva os casos para 2.594 no período. Os dados estão no boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde Pública. Outros 363 seguem em investigação.

O boletim mostra também que 188 pessoas estão internadas por causa da Covid-19 no estado, sendo 138 na rede pública e 50 na rede privada. A taxa de ocupação dos leitos críticos (semi-intensivo e UTIs) é de 44,88% na rede pública e de 17,6% na rede privada.

Nas últimas 24 horas, o Brasil teve 23.317 novos casos confirmados e 609 novos óbitos. Ao todo são 5.614.258 pessoas infectadas e 161.779 mortos por coronavírus desde o início da pandemia, conforme dados das secretarias estaduais de Saúde. A média móvel diária de óbitos por Covid-19 ficou em 392 nesta quinta-feira 5.

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