BUSCAR
BUSCAR
Vacina

Pfizer ressarciria o Brasil caso não cumprisse prazo de entrega, diz TV

Embaixada do Brasil nos EUA enviou documento ao Planalto com o compromisso da Pfizer em agosto
Poder360
14/06/2021 | 08:58

A farmacêutica Pfizer se comprometeu a reembolsar o valor pago pelo Brasil por doses da vacina contra covid-19 caso o prazo de entrega não fosse cumprido. O compromisso foi firmado em agosto de 2020, segundo documentos entregues à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado e obtidos pelo Fantástico, da TV Globo.

Um dos documentos consultados pela reportagem é uma correspondência enviada em 27 de agosto pela embaixada do Brasil nos Estados Unidos ao Ministério das Relações Exteriores, então comandado por Ernesto Araújo.

Brasil recusou oferta da vacina da pfizer pela metade do preço pago por eua e reino unido
Em agosto de 2020, data da oferta, a farmacêutica se comprometeu a entregar 30 milhões de doses. Foto: Reuters

Nela, os diplomatas informaram que a farmacêutica “se comprometeria a devolver ao governo brasileiro todo e qualquer pagamento antecipado, na hipótese em que a empresa não consiga honrar a obrigação de entregar a quantidade acordada da vacina”. Na época, a farmacêutica ofereceu 30 milhões de doses.

Ao depor à CPI, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello falou que um dos motivos para o contrato com Pfizer não ter sido assinado em 2020 era a falta de previsão de multa caso as entregas não fossem feitas no prazo determinado.

O gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, disse à CPI que governo brasileiro recebeu 6 propostas para comprar vacinas da Pfizer contra a covid-19 até fechar contrato com a farmacêutica.

O acordo foi firmado em março, para a compra de 100 milhões de doses. Em maio, o Brasil fechou novo contrato, para outras 100 milhões de doses.

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), declarou em 4 de junho que a investigação da comissão apontou que pelo menos “53 e-mails da Pfizer que ficaram sem resposta” por parte do governo federal.

Segundo o congressista, o último, datado de 2 de dezembro de 2020, é “um e-mail desesperador da Pfizer pedindo algum tipo de informação porque eles queriam fornecer vacinas ao Brasil”.

O Fantástico ainda teve acesso a um documento que mostra que, em julho, o governo federal foi informado pela aliança responsável pela Covax Facility, consórcio internacional para aquisição de imunizantes, que seria ressarcido se desistisse da compra de doses.

O país tinha opção de solicitar doses suficientes para imunizar de 10% a 50% da população. O Planalto preferiu ficar com os 10%.