BUSCAR
BUSCAR
Marcelo Hollanda
Perguntem a qualquer governador ou ex-governador e ele confirma: é difícil negociar com gente armada
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quarta-feira 25
Marcelo Hollanda
25/08/2021 | 09:36

Governadores estão tensos com o vírus da insubordinação

Perguntem a qualquer governador ou ex-governador e ele vai confirmar: é difícil negociar com gente fardada e armada. É sempre uma relação tensa e tênue sujeita a variações que afetam uma área sensível da vida: a segurança pública.

Tão vital quanto à saúde, com a diferença que médicos e enfermeiros não ostentam revólveres na cintura, a área da segurança pública também lida com o bem maior das pessoas: a vida imediata, pulsante.

Em jogo está o direito inalienável de alguém se sentir seguro para comprar pão na padaria da esquina ou chegar a casa sem precisar olhar três vezes para os lados, esperando a chegada de bandidos a qualquer momento.

Uma tragédia que há décadas deixou de afligir só as periferias e foi bater na porta dos condomínios fechados da classe média.

Já era muito ruim e precária essa situação antes que se instalasse a disrupção em parte da sociedade brasileira com a ascensão do bolsonarismo. Agora, é uma questão que aterroriza até os governadores, que apelam para o diálogo improvável com o presidente da República diante das ameaças reiteradas à ordem legal.

O teste para saber quão em risco estamos já tem data: Sete de Setembro, Dia da Independência do Brasil colônia de Portugal.

E a sinalização de problemas emana justamente do setor que deveria proteger a população, mas está conflagrado demais para pensar nisso, inoculado que foi pelo vírus da insubordinação.

Atiçados por exemplos profícuos de militares da ativa e da reserva presenteados com cargos na máquina pública, muitos dos quais despreparados para as responsabilidades assumidas, a militarização no governo é um fato.

Casos como o de um general da Intendência de três estrelas da ativa discursando em palanque político depois de protagonizar uma tragédia à frente do Ministério da Saúde, desaguaram nessa situação. Sem punição de nenhum tipo, este senhor foi um belo exemplo para a tropa.

A falta absoluta de compostura no exercício do poder civil também não ajuda. E a forma pela qual os maiores desafios brasileiros na saúde e na educação foram mal tratados em favor de lobbies de armas, para ficar nesse exemplo, só serviu para mostrar o lado mais feio e obscuro do País.

Faltando um ano e uns quebrados para as eleições de 2022, é algo que infelizmente precisaremos lidar agora. E com firmeza.

Sem trégua
Poucas horas depois de os governadores pedirem um encontro com o presidente da República, Bolsonaro voltou a atacar nesta terça-feira os chefes dos governos estaduais por sua atuação no combate à pandemia e na economia. A ponto de várias fontes do Planalto ouvidas habitualmente pelos jornalistas cravarem a possibilidade do encontro como “remoto”. De fato, ele não seria mesmo presencial.

O Arthur filosofa
Em artigo publicado nesta terça-feira no Globo, o presidente da Câmara Arthur Lira mostrou um pouco seus pendores enigmáticos para explicar a crise institucional promovida pelo governo que ele e o Centrão dão sustentação.

Escreveu:
“As cordas foram esticadas nessa realidade paralela, de faz de conta, de demasiada retórica e virulência que, tenho certeza, não é sustentada na relação diária, física, nos palácios, sedes dos Poderes, sindicatos, associações e confederações de todas as áreas — terreno onde a sociedade civil se articula e prospera. Não podemos deixar que essa movimentação de vídeos, gifs, memes e posts substitua a altivez e a nobreza da boa política que constrói e promove avanços”.
Então tá.

Trump vaiado
Quando se acha que as coisas estão melhorando, vem uma notícia dessas dos nossos primos ricos do Norte. E o que parecia ser um indício alvissareiro de progresso, não é. O ex-presidente dos EUA Donald Trump foi vaiado em um comício no Alabama. E isso teria sido ótimo não fossem as motivações da vaia. Ele incentivou as pessoas a tomarem a vacina contra a Covid-19. O Alabama detém a menor taxa de vacinados no país, com apenas 36% da população totalmente imunizada, bem abaixo da média nacional de 52,1%. “Eu tomei. É bom. Tomem as vacinas”, disse Trump antes de ser massacrado.

Por falar nisso
A Polícia Federal acompanha de perto o ex-estrategista de Donald Trump, Steve Bannon, preso recentemente por levar vantagens pecuniárias em sua pregação de extrema direita. Ele também tem atacado instituições brasileiras e se mostrado muito interessado (até demais) nas eleições de 2022. No último dia 12, Bannon ciceroneou o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em Dakota do Sul (EUA), durante evento recheado de muita desinformação sobre as eleições.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.