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Livre
‘Perdi parte da infância do meu filho’, diz jovem negro preso por quase 3 anos por crimes que não cometeu
Lucas foi preso no dia 20 de dezembro de 2017, por suposto envolvimento em uma série de assaltos. Desde então, ele tentava provar a própria inocência. No dia em que foi detido, ladrões roubaram um carro e cometeram outros delitos, em Ceilândia
Redação/G1
23/10/2020 | 11:09

O jovem Lucas Moreira de Souza, de 26 anos, deixou após quase 3 anos o Complexo Penitenciário da Papuda nesta quinta-feira, 22. Lucas estava preso desde 20 de dezembro de 2017 por suposto envolvimento em uma série de assaltos – crimes que não cometeu. O jovem chegou a ser condenado a 77 anos.

“Perdi parte da infância do meu filho”, disse Lucas após deixar o presídio.
O alvará de soltura foi expedido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) na noite de quarta-feira, 21. A testemunha chave foi um policial civil, que acreditava na inocência do rapaz e procurou a Defensoria Pública.

“Pelo fato de ser negro e morar na periferia, você já se torna um suspeito”, afirmou o jovem inocentado.

Prisão

Ao relembrar os dias na Papuda, o jovem contou que viveu um período difícil na penitenciária e que, agora, quer passar um tempo com a mãe e com o filho.

“Cheguei a dividir cela com cerca de 50 pessoas. Um espaço com apenas oito camas. Imagina como é?”

Em liberdade, Lucas, que estudou até o segundo ano do ensino médio, também pretende retomar os estudos e trabalhar. O filho dele, Kauan, de 5 anos, disse que a primeira coisa que quer fazer é “tomar sorvete com o pai”. À época em que o jovem foi detido, o menino tinha apenas 2 anos.

Indenização

O defensor público Daniel de Oliveira, que atuou no caso, diz que a defesa entrará com um pedido de indenização contra o Estado. “Foi uma condenação injusta. Trabalhamos muito nesse processo para tirar esse inocente da prisão”, disse.

Por outro lado, Daniel afirma que “nenhum dinheiro vai pagar o tempo que Lucas perdeu”, mas que a indenização “é o mínimo a se fazer nesse momento”.

“Quando encontrei com ele, parece que toda minha carreira de defensor público valeu à pena.”

Caso

Lucas foi preso no dia 20 de dezembro de 2017, por suposto envolvimento em uma série de assaltos. Desde então, ele tentava provar a própria inocência.

No dia em que foi detido, ladrões roubaram um carro e cometeram outros delitos, em Ceilândia. Em seguida, foram para o Recanto das Emas, onde deram continuidade à sequência criminosa.

O jovem diz que, naquele dia, acordou pela manhã, tomou café e, em seguida foi para a rua, onde costumava soltar pipa. Nesse momento, foi abordado por policiais civis e apontado como um dos suspeitos dos crimes. Desde então, ficou detido no sistema carcerário da capital federal.

Por conta dos crimes, Lucas foi condenado em dois processos. A soma das penas chegava a 77 anos de prisão. Há cerca de dois anos, no entanto, um policial civil que havia atuado na investigação e acreditava na inocência do jovem procurou a Defensoria Pública do DF.

Ele conseguiu apresentar indícios de que o rapaz não estava envolvido nos crimes. Além disso, a equipe mostrou que o carro utilizado para cometer os assaltos foi utilizado em outros delitos, dez dias após a prisão de Lucas. O detalhe havia passado em branco pelos responsáveis pelas apurações.

*Com informações do G1

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