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Editorial
“Penduricalhos” do corona
Redação
08/05/2020 | 03:30

Se depender do novo coronavírus, a maior tragédia sanitária desde a chamada Gripe Espanhola de 1918, populações inteiras padecerão até que o Poder Judiciário possa dizer que impingiu alguma privação a seus ilustres membros, a elite mais privilegiada do serviço público brasileiro.

Basta examinar a situação no Rio Grande do Norte, onde o Tribunal de Justiça, Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas do Estado excluíram das medidas de contenção impostas pela pandemia os salários de desembargadores, promotores e conselheiros de contas.

Desde o início da hecatombe sanitária, em março passado, essas três instituições, é verdade, adotaram planos de contingenciamento de despesas, com cortes de diárias operacionais, terceirização, entre outros custos.

Nada disso, porém, atingiu um centavo do pagamento dos imorais “penduricalhos”, aqueles auxílios em forma de abonos e benefícios a salários de fazer inveja à esmagadora maioria dos servidores de carreira.

O Agora RN, em sua manchete de capa da edição desta quinta-feira, ao pesquisar o Portal da Transparência do próprio Tribunal de Justiça do RN, verificou que, em março último, quando a pandemia já campeava solta, juízes e desembargadores receberam os bons, velhos e questionáveis penduricalhos em forma de auxílios alimentação, transporte, saúde, sem contar outras vantagens eventuais.

A reportagem constata, por exemplo, que uma juíza de 3ª entrância recebeu R$ 32 mil, que se somaram a outros 33,8 mil do salário de março. Além desse exemplo singelo, notou-se que todos na estrutura – de desembargadores a promotores – simplesmente passaram incólumes aos cortes que vitimaram milhões de brasileiros assalariados.

Na relação publicada por este jornal, tem penduricalho para todos os gostos. E fica evidente porque a redução de gastos dessas instâncias se empenhou tanto de um lado, ao paralisar pagamentos de prestação de serviços tão necessários para fazer circular o dinheiro, mantendo os benefícios de outros no topo da cadeia alimentar.

Fenômeno idêntico ocorreu no Tribunal de Contas do Estado, em março, último mês dos dados acessáveis, quando um promotor teve um rendimento bruto de R$ 55 mil, oriundos do salário e de outros R$ 18 mil oriundos de vantagens legais.

Em tempos de tragédia sanitária e econômica, nada melhor para um isolamento social agradável do que pertencer ao Poder Judiciário do Rio Grande do Norte.

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