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Arte

Pelas ruas da Cidade Alta: opções culturais do primeiro bairro de Natal

Pelas ruas do centro ainda é possível encontrar bijuterias, roupas, eletrodomésticos a preços baixos. Além disso, é possível comprar castanhas, tomar um mate gelado e comer um biscoito trovo de sobremesa
Isabelly Noemi, Karen Sousa, Luana Costa e Nathallya Macedo
01/11/2023 | 09:44

É fato: as ruas da Cidade Alta agora recebem uma quantidade bem menor de visitantes. Outrora, o comércio local era vivo e no mês de novembro, por exemplo, já era possível identificar o aumento das vendas devido aos festejos de fim de ano. Atualmente, no entanto, a situação é outra.

Grandes lojas fecharam as portas e os consumidores foram deixando o local. Segundo os próprios comerciantes, os problemas passam pela insegurança e por questões financeiras, como o valor de impostos e aluguéis na região.

Bruno e Geovana gostam de frequentar o Delícias do Mate, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN
Bruno e Geovana gostam de frequentar o Delícias do Mate, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN

Mesmo assim, a Cidade Alta resiste culturalmente. Primeiro bairro da capital potiguar, o lugar ainda é palco de apresentações culturais ricas e tradicionais. No Beco da Lama e Espaço Ruy Pereira, por exemplo, rodas de samba acontecem semanalmente. Na Pinacoteca, ocorrem exposições de artistas visuais locais.

Pelas ruas do centro ainda é possível encontrar bijuterias, roupas, eletrodomésticos a preços baixos. Além disso, é possível comprar castanhas, tomar um mate gelado e comer um biscoito trovo de sobremesa.

A equipe de reportagem da Cultue preparou um roteiro de lugares para conhecer na Cidade Alta. Confira:

Mate

Já tradicional no coração da Cidade Alta, o Delícias do Mate oferta salgados, sucos e, o mais importante, o mate. O estabelecimento, que sempre teve um público fiel, agora recebe uma nova clientela: jovens estudantes, artistas e entusiastas da cultura local. As bebidas geladas são servidas puras ou batidas com várias frutas, e a mais pedida é o mate com limão.

Adriana Moura trabalha no ponto há 19 anos. Depois da pandemia, ela acredita que houve uma queda de consumidores e frequentadores da Cidade Alta. “Já é véspera de Natal e está tudo vazio, nunca foi assim”, disse. Ela contou ainda que, com o fechamento para reforma da unidade do IFRN, na Rio Branco, o fluxo de estudantes diminuiu. Porém, ainda tem esperança de que a Cidade Alta reviva.

Bruno de Lira, músico de 27 anos, e Geovana Grunauer, artista visual de 26, costumam se reunir com os amigos no Delícias do Mate. “Gosto da receptividade do espaço, acho acolhedor, e o mate é delicioso. Sempre gosto de trazer amigos, que também partilham do mesmo sentimento”, contou ela.

Geovana também ressalta a localização central. “Dá para visitar a Pinacoteca, que é um polo artístico interessante. Como sou formada em Artes Visuais, sempre estou frequentando e gosto de me conectar com o entorno, que está diretamente ligado à cultura da nossa cidade”.

Para que a Cidade Alta volte a respirar, Geovana acredita que o poder público precisa agir. “Além da conscientização da sociedade, precisamos que o poder público deve fomentar mais meios para que a população tenha acesso a esses locais culturais. Assim como é necessário que haja mais editais financeiros para os artistas, para que ocupem esses espaços. É assim que a gente vai dando vida”.

Bruno de Lira concorda. “A memória da Cidade Alta deveria ser preservada, muita coisa aconteceu aqui. Natal deveria seguir o exemplo de outras cidades brasileiras, que preservam seus centros históricos. Deveria ter mais festivais também, porque as pessoas frequentam”, pontuou ele, que já se apresentou pelos palcos do bairro.

Os amigos também apontaram a questão da insegurança. “Muita gente deixa de visitar por medo de roubos e furtos. É a realidade”, frisou Geovana.

Delícias do Mate, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN
Delícias do Mate, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN

Trovo

Uma pequena e saborosa tradição holandesa conquistou o coração dos natalenses: o trovo, que une duas camadas finas de biscoito em formato de disco com uma espessa camada de caramelo ou outros recheios como chocolate, doce de leite e goiabada. A doçura dessa iguaria se tornou uma parada obrigatória na Cidade Alta.

O trovo, originalmente conhecido como “stroopwafel” na Holanda, encontrou seu lar adotivo na Cidade Alta, atraindo todos aqueles que passeiam pela rua João Pessoa. Com sua irresistível combinação de texturas e sabores, o biscoito conquistou o paladar de quem passa pelo centro.

Experimentar o biscoito quando ele é preparado na hora, quentinho, é irresistível. Maria Clara Gomes, uma funcionária do local que testemunhou a história e o amor crescente pelo trovo, revelou que a clientela é composta por uma mistura diversificada de frequentadores da região, incluindo funcionários que trabalham pelo centro, estudantes de escolas próximas e pessoas que simplesmente passam por lá.

Embora o biscoito seja amplamente apreciado, a funcionária conta que a produção para a Cidade Alta diminuiu consideravelmente nos últimos tempos, e que por isso a produção externa se tornou maior do que a venda in loco. Ela acredita que o fechamento das grandes lojas teve um impacto significativo no comércio da região.

Apesar dos desafios, o Trovo continua sendo um símbolo de sabor e tradição que transcende fronteiras.

Biscoito de trovo. Foto: José Aldenir / Agora RN
Biscoito de trovo. Foto: José Aldenir / Agora RN

Espaço Ruy Pereira e Zé Reeira

O Espaço Cultural Ruy Pereira, localizado entre a Rio Branco e Princesa Isabel, passou por uma revitalização em 2020 e hoje abriga eventos como rodas de samba e outras apresentações musicais.

Os murais de grafite do local, assim como aqueles localizados no Beco da Lama, estão sendo refeitos devido ao desgaste natural das obras. Os artistas que atualmente fazem as intervenções foram selecionados por meio dos editais lançados pela Secretaria Municipal de Cultura.

O muralista Felipe Félix já iniciou os desenhos no local. Ele pretende fazer um músico tocando um violino. “O muro estará completo com desenhos de vários artistas natalenses”, pontuou ele. A ilustradora Clara Félix também trabalha no espaço. “A previsão é finalizar tudo até o dia 10 de novembro. Ficou destinado 50 metros quadrados para cada artista e a minha referência será uma personagem indígena, para enaltecer os povos originários. Também trarei outros elementos, como a flor da ‘xanana’, que representa bem a nossa cidade”.

O Espaço Ruy Pereira também abriga o bar do Zé Reeira há 25 anos. Zé Reeira serve refeições típicas e saborosas durante o almoço, levando opções com carne de sol e macaxeira para os clientes. Porém, segundo ele, o movimento caiu drasticamente de uns tempos para cá.

“Sempre tem gente, mas está difícil porque as lojas estão fechando e a Cidade Alta, se acabando. Às sextas-feiras temos serestas, e às vezes temos samba no fim da tarde. É uma coisa que gera emprego, renda, e melhora um pouco a situação. Ainda bem que temos essas festas”, contou Zé Reeira.

Bar do Zé Reeira, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN
Bar do Zé Reeira, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN

Beco da Lama

Todas as noites de quintas-feiras, o centro histórico de Natal se torna o epicentro do samba local com o evento “Quinta que te Quero Samba”. O projeto é considerado Patrimônio Cultural Imaterial do município desde 2019 e atrai um público diversificado há mais de 13 anos. O destino é o tradicional Bar de Nazaré, assim como o Bar da Meladinha e outros.

O evento é organizado pelo grupo Batuque de um Povo, uma roda de amigos sambistas que existe desde 2016. O local, recentemente revitalizado, também abriga uma galeria a céu aberto com painéis de grafite, que estão passando por melhorias.

Beco da Lama, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN
Beco da Lama, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN

Sebo

Entre diversos estabelecimentos fechados, é possível ver lugares que ainda resistem culturalmente na Cidade Alta. Localizado na Avenida Rio Branco, o Sebo Vermelho é o espaço ideal para encontrar aquele livro que não se encontra em nenhum aplicativo do celular, além de ser um ótimo passatempo para conhecer autores diferentes.

O estabelecimento de Seu Abimael, que trabalha no bairro desde 1977 e proprietário do Sebo Vermelho há 38 anos, é destaque nacional, pois é o único sebo do país que edita livros, segundo ele. Ao todo, são mais de 635 obras editadas com financiamento próprio.

Em relação às vendas, o local ainda é bem movimentado, com clientes fiéis que frequentam o sebo semanalmente para comprar, fazer eventos ou até mesmo conversar com o dono. Uma programação cultural única que apenas a Cidade Alta pode oferecer com tamanha maestria.

Sebo Vermelho, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN
Sebo Vermelho, na Cidade Alta. Foto: José Aldenir / Agora RN

Pinacoteca

Ainda existe outra opção para que os natalenses e visitantes se conectem com a arte potiguar: a Pinacoteca do Estado, lugar que reúne a maior parte do acervo de artes visuais pertencentes ao Governo do RN. Por meio das obras dispostas em exposições nas salas do prédio, a Pinacoteca permite uma verdadeira imersão no universo artístico dentro do centro histórico de Natal.

Localizado em frente à Praça Sete de Setembro, o prédio que até 1995 tinha o nome de Palácio Potengi e foi até sede do Governo do Estado, passou por um período de reforma e foi reaberto em 2021. Hoje, a Pinacoteca é lugar de divulgação artística por dentro e por fora, com a presença de traços da arquitetura neoclássica em sua estrutura que foram conservados.

Parte do acervo conta com obras de Alfredo Volpi, Tarsila do Amaral, Cícero Dias e Fayga Ostrower. Entre os potiguares, são destaque as obras de Maria do Santíssimo, Newton Navarro, Dorian Gray Caldas e Abraham Palatnik.

Atualmente, estão sendo realizadas na Pinacoteca as exposições “Narrativas que não existem”, “Nísia Floresta: uma mulher à frente do seu tempo” e “Registro do Patrimônio Vivo do Rio Grande do Norte”. O local pode ser visitado de terça-feira a domingo, das 8h às 16h, com acesso gratuito.

Pinacoteca. Foto: José Aldenir / Agora RN
Pinacoteca. Foto: José Aldenir / Agora RN

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