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Opinião
PDT, PCdoB e PSOL elogiam fala de Lula sobre eleição de 2022
Presidente do PDT, partido de Ciro Gomes, ex-ministro de Lula que concorreu contra Fernando Haddad (PT) em 2018, Carlos Lupi afirma que a fala do ex-presidente "é uma evolução"
O Globo
22/08/2020 | 10:31

O aceno do ex-presidente Lula a uma possível apoio do PT a outro partido como cabeça de chapa nas eleições presidenciais de 2022 foi recebido com elogios e ceticismo entre outras siglas de esquerda, como PDT, PCdoB e PSOL, que vêem, ao menos no discurso, um aceno a uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro e uma “evolução” na visão estratégica do Partido dos Trabalhadores. Dirigentes petistas, porém, avaliaram que é precipitado considerar que houve uma inflexão do ex-presidente, enquanto o presidente do PSB, Carlos Siqueira, diz não acreditar numa mudança de Lula.

Presidente do PDT, partido de Ciro Gomes, ex-ministro de Lula que concorreu contra Fernando Haddad (PT) em 2018, Carlos Lupi afirma que a fala do ex-presidente “é uma evolução” que demonstra “visão estratégica”.

“Para quem sempre ouviu do PT que ou era o PT o rei da cocada ou não tinha cocada para ninguém, é uma evolução, é positivo”, afirmou.

Questionado sobre as críticas de Lula pelo fato de Ciro não ter feito campanha ao lado de Haddad no segundo turno, Lupi afirma que o PDT foi maltratado pelo PT naquele pleito, vetando apoio político de outros partidos de esquerda, como o PSB, ao ex-governador cearense.

“Nós reconhecemos essa força [política], reconhecemos que estrategicamente ele fez um jogo que foi positivo para ele e para o PT, mas não foi bom para o Brasil”, disse, ao defender que Ciro teria mais chances de derrotar Bolsonaro no segundo turno. ” Só querem demonstração de amor, mas, na hora que nós precisamos, nunca? Que relação bilateral é essa?”

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), classificou como positiva a fala de Lula e ressalta que, mesmo sem encabeçar uma chapa, o apoio do PT é importante para uma eventual vitória da oposição em 2022.

“Eu não vejo a possibilidade de ter um projeto progressista vitorioso sem o PT. Você não pode ser exclusivista no sentido de que só o PT resolve, mas você também não pode descartar o PT”, defende, acrescentando que ainda falta ‘bastante tempo’ para as eleições e que o ‘desenho definitivo [das candidaturas] está muito longe’.

Gleisi fala em ‘contexto’

Dentro do PT, houve também quem destacasse que Lula costuma dar declarações contraditórias como parte de uma estratégia de testar várias hipóteses quando tem pouca certeza sobre o que fazer. A presidente do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PR), afirma que a frase gerou alvoroço, “principalmente para quem não quer disputar com o PT nas urnas” e também chamou a atenção para o contexto.

“É como ele explicou: basta lançar um nome com mais votos, capaz de dialogar, unir, defender o povo e levar em consideração o tamanho do PT. Não adianta querer ter um candidato que acha que vai bem no segundo turno, mas não consegue voto no primeiro”, disse.

Na eleição de 2018, Ciro aparecia na frente nas simulações de segundo turno contra Jair Bolsonaro, mas acabou em terceiro lugar no turno inicial. Gleisi descarta que a fala de Lula indique uma mudança de rumo.

“Na minha leitura, não há nenhuma mudança. Não estamos fechados a nenhuma conversa, mas a tendência é essa (ter candidato próprio), até pelo tamanho do partido, pela história” explicou Gleisi.

Presidente nacional do PSB, partido que já foi aliado mas vem se distanciando do PT, Carlos Siqueira acredita que a frase de Lula não passa de “retórica”.

“É contraditória com a fala que ele fez ao sair prisão (de que o PT precisaria ter o máximo de candidaturas próprias na eleição municipal deste ano) e com que está acontecendo hoje, que é a divisão da esquerda provocada pela postura exclusivista do PT. Acredite quem quiser nessa conversa porque a prática está demonstrando exatamente o inverso”, disse.

Um dos maiores desentendimentos entre os dois partidos ocorre na disputa pela prefeitura de Recife, que deve opor os deputados federais Marília Arraes (PT) e João Campos (PSB), além de Túlio Gadelha (PDT). Outras cidades importantes em que haverá disputas entre esses partidos é São Paulo, com Márcio França (PSB) e Jilmar Tatto (PT), e Rio de Janeiro, onde a deputada estadual Martha Rocha (PDT) conta com o apoio do PSB e da Rede e enfrenta a deputada federal Benedita da Silva (PT).

Um dirigente de um outro partido do mesmo campo entende que a declaração ajuda, porém, a distensionar um pouco o clima entre as legendas de esquerda, mas não pode ser superestimada porque veio acompanhada da mesma reiteração rotineira de que o PT é o maior dos partidos e o único que pode chegar ao segundo turno numa eleição presidencial.

Presidente do Psol, Juliano Medeiros também classificou como positivo o posicionamento de Lula. Segundo ele, a fala demonstra o “reconhecimento que o ciclo de hegemonia de um só partido de esquerda” acabou.

Ele ressalta, no entanto, que ainda falta muito tempo para as eleições de 2022 e que os partidos de esquerda e centro-esquerda ainda tem “diferenças importantes” entre si.

“A gente só pode pensar em qualquer entendimento eleitoral em 2022 colocando o debate programático em primeiro-plano”, defende.

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