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Eleições americanas
Partido Republicano da Califórnia admite ter espalhado urnas falsas no Estado
Caixas de metal têm aparecido nas últimas duas semanas perto de igrejas, lojas de armas e escritórios do Partido Republicano, principalmente em áreas conservadoras de um Estado amplamente democrata
Estadão
14/10/2020 | 05:27

O Partido Republicano da Califórnia admitiu a responsabilidade por colocar mais de 50 caixas de correios com rótulos oficiais falsos para depósito de cédulas em Los Angeles, Fresno e condado de Orange – uma ação que as autoridades estaduais disseram ser ilegal e pode configurar fraude eleitoral.

As caixas de metal cinza-escuro têm aparecido nas últimas duas semanas perto de igrejas, lojas de armas e escritórios do Partido Republicano, principalmente em áreas conservadoras de um Estado amplamente democrata. Elas aparecem com uma etiqueta branca que as identificam como “caixa para depositar cédulas oficiais” ou “caixa de entrega de cédulas”.

Para o eleitor médio, eles são indistinguíveis dos locais de entrega sancionados pelo Estado, que são regidos por regulamentos estritos destinados a impedir a manipulação partidária das cédulas.

As ações do partido estadual amplamente marginalizado vêm em um momento em que republicanos e democratas estão envolvidos em uma dura luta nacional pelos direitos ao voto. Aliados do presidente Donald Trump têm acusado os democratas em Minnesota e em outros lugares de minar a integridade do processo eleitoral ao expandir o voto ausente (que permite o voto por correspondência) e outras medidas para aumentar o acesso às urnas.

Na segunda-feira, o secretário de Estado da Califórnia, Alex Padilla, e o procurador-geral, Xavier Becerra, enviaram uma ordem aos diretórios estadual e municipal do Partido Republicano para que encerrem a prática e removam as urnas falsas.

Eles também pediram aos eleitores que possam inadvertidamente ter deixado suas cédulas nesses locais a se inscreverem no site de rastreamento de eleitores do Estado para garantir que seus votos sejam contados.

“Enganar os eleitores é errado, independentemente de quem o esteja fazendo”, disse Padilla em uma teleconferência com repórteres, acrescentando que as urnas falsas “não são permitidas pela lei estadual”.

Becerra acrescentou que era “ilegal adulterar o voto de um cidadão” e qualquer pessoa “envolvida nessa atividade” pode estar sujeita a processo criminal ou ação civil.

Hector Barajas, porta-voz do Partido Republicano da Califórnia, disse que o partido continuará a distribuir as caixas, sem adicionar nenhum rótulo que as identifique explicitamente como local oficial de depósito de voto.

Barajas – que revelou que os republicanos eram responsáveis ​​pelas caixas somente depois de ser bombardeado por perguntas de repórteres na segunda-feira – disse que as ações do partido eram legais porque a lei estadual não restringia a “coleta de votos”, uma prática que permite a terceiros recolher cédulas dos eleitores.

Trump e seus apoiadores denunciaram a prática como corrupta quando os democratas foram acusados ​​de coletar as cédulas, o que é legal em 26 Estados, mas sujeito a requisitos de verificação.

“Não há nada em qualquer uma das leis ou regulamentos citados naquele comunicado que indique que as caixas de coleta de organizações privadas não são permitidas”, disse Barajas, que culpou os democratas pela legislação.

“Da forma como os democratas escreveram a lei, se quiséssemos usar uma sacola do papai noel, poderíamos”, disse ele. “Uma caixa pesada trancada parece muito mais segura”, disse Barajas.

Padilla rejeitou essa afirmação, dizendo aos repórteres que as caixas não eram cobertas por proteções legais porque tinham a intenção de “enganar os eleitores e minar a confiança do público”.

As cédulas serão contadas se forem recebidas, mesmo que não tenham uma assinatura de terceiros normalmente exigida para votos coletados pelo correio, disse Padilla.

Autoridades republicanas compraram cerca de 100 caixas nas últimas semanas em uma tentativa de aumentar o comparecimento dos eleitores, especialmente nas disputas legislativas mais acirradas, enquanto os líderes do partido temem que Trump prejudique os candidatos republicanos, disse uma fonte ao New York Times.

Eles já haviam instalado cerca de metade delas quando Padilla e outras autoridades estaduais tomaram conhecimento do caso no fim de semana.

Autoridades estaduais rapidamente ordenaram uma investigação sobre as caixas, e Padilla enviou um memorando aos funcionários eleitorais locais instando-os a investigar as caixas não autorizadas a fim de “garantir a segurança e a custódia” das cédulas colocadas nelas.

Em seu memorando, ele lembrou às autoridades locais que a criação de um local de votação ilegal era um crime punível com até quatro anos de prisão.

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