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Manifestação
Paraguai tem 2ª noite de protestos contra presidente Abdo por falta de vacinas
Milhares de pessoas saem às ruas de Assunção depois da renúncia do ministro da Saúde. Manifestação termina com um morto e pelo menos 20 feridos
Estadão
07/03/2021 | 18:31

Grupos de manifestantes, em sua maioria jovens, se concentraram na noite desta sexta-feira, 5, na região central de Assunção para exigir a renúncia do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, mesmo após a polícia dispersar com bombas de gás um protesto que reuniu centenas de pessoas em frente ao Congresso e terminou em confronto.

Ainda nesta sexta-feira, o ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, renunciou depois que o Senado pediu que ele deixasse o cargo em meio ao agravamento da pandemia do coronavírus. “É um momento em que é absolutamente necessário estarmos unidos para combater a pandemia e o interesse nacional está acima de qualquer pessoa e espero que esta decisão sirva para a união do país”, declarou Mazzoleni após se reunir com o presidente.

A manifestação de hoje tinha como alvo as medidas tomadas pelo governo do país para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Imagens exibidas pela imprensa local mostraram várias pessoas feridas por balas de borracha disparadas por policiais, e agentes das forças de segurança atingidos por pedras lançadas por alguns manifestantes.

O núcleo dos distúrbios, uma área que inclui a sede da Polícia Nacional, a sede do Congresso e o Palácio do Governo, sofreu atos de vandalismo, e em alguns locais houve focos de incêndio. O grupo de manifestantes, calculado em cerca de 100 pela imprensa paraguaia, pretende fazer uma vigília diante do Congresso para exigir a renúncia de Abdo Benítez.

O ministro do Interior, Arnaldo Giuzzio, disse a jornalistas que os incidentes foram provocados por pessoas que se infiltraram na manifestação para gerar tumulto. De acordo com alguns veículos de imprensa, policiais foram enviados para proteger edifícios institucionais, como a residência presidencial e a sede do governo.

Os incidentes começaram cerca de duas horas após o início do protesto contra as ações do governo para combater a pandemia. Segundo porta-vozes da polícia, os agentes reagiram com bombas de gás a ataques de alguns manifestantes que tentaram furar o cordão de isolamento. Depois do confronto, a multidão se dispersou por várias ruas do centro, gritando palavras de ordem contra o governo.

A convocação para o protesto desta sexta-feira foi feita após o sindicato de enfermeiras e parentes de pacientes realizar nesta semana outras manifestações para denunciar a falta de suprimentos e materiais médicos nos hospitais públicos, especialmente entre os mais afetados pelo coronavírus.

Com uma população de 7 milhões de habitantes, o Paraguai registrou mais de 160 mil casos de covid-19 e 3,2 mil mortes em decorrência da doença desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Carlos Morínigo, pneumologista do Instituto Nacional de Doenças Respiratórias e Ambientais (Ineram), que concentra os pacientes mais graves com covid-19, disse que os hospitais “estão trabalhando muito” e que “a situação é complicada”. “Ainda mais complicado é porque não temos cabeça (ministro). Queremos que isso seja resolvido o mais rápido possível para trazer tranquilidade aos cidadãos”, disse o médico em declarações aos jornalistas.

O Ministério da Saúde garantiu nesta sexta-feira o fornecimento de insumos para o tratamento de pacientes com coronavírus, segundo declarações de um porta-voz. A entidade informou que existem quase 300 pacientes em terapia intensiva e pediu à população que reduzisse as aglomerações sociais.

“Estamos em uma situação crítica. Não estamos falando em reverter as fases de quarentena, mas vamos evitar multidões. É a única coisa que pode nos salvar do colapso do sistema de saúde”, alertou Hernán Martínez, porta-voz do ministério.

Além disso, o trabalho do Ministério foi contestado diante da demora da chegada das vacinas no Paraguai, que até agora se limitam a 4 mil doses da Sputnik V, que já foram aplicadas em profissionais da Saúde.

Mazzoleni admitiu ontem que não poderia dar as datas exatas para a chegada de mais meio milhão de doses do agente imunizante produzido na Rússia, além de 4,3 milhões de doses que chegarão pelo consórcio Covax, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)./AFP e EFE

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