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Para 1ª entrega, Brasil paga o dobro dos europeus por vacinas
A Fiocruz confirmou os valores negociados. A AstraZeneca tinha sido a intermediária do contato com os indianos
Agência Estado
22/01/2021 | 14:13

O governo brasileiro irá pagar ao Instituto Serum, da Índia, um valor mais de duas vezes superior ao que os países ricos da União Europeia destinaram para garantir as vacinas da AstraZeneca. Enquanto o Banco Mundial aponta que a o PIB médio por pessoa da UE é de US$ 34 mil, no Brasil a taxa é de apenas US$ 8,7 mil.

Depois de um desencontro entre os governos do Brasil e da Índia, os dois países anunciaram que um carregamento de 2 milhões de doses da vacina chegará ao país. O Instituto Serum é um dos centros capacitados pela AstraZeneca para produzir sua vacina.

Num comunicado do início de janeiro, a Fiocruz confirmou a negociação e indicou que o “Instituto oferecerá as vacinas prontas ao mercado pelo valor de US$ 5,25 cada”.

Nas últimas semanas, um suposto erro de um ministro belga permitiu que os preços das diferentes doses de vacinas fossem revelados ao público europeu. De acordo com uma mensagem em suas redes sociais, o político belga indicou que a UE teria negociado um preço de US$ 2,16 (1,78 euros) por dose da vacina da AstraZeneca. Questionado, o bloco se recusou a comentar, alegando que os acordos eram confidenciais.

Procurado, o Instituto Serum afirmou que não poderia conversar com a reportagem. Já a sede mundial da AstraZeneca até este momento não deu uma resposta, enquanto no Brasil a assessoria da empresa indicou que eles foram apenas mediadores entre a Fiocruz e a Serum, não se envolvendo na negociação.

A Fiocruz confirmou que esses foram os valores negociados e que, de fato, a AstraZeneca tinha sido a intermediária do contato com os indianos.

Um caso similar de pagamentos de US$ 5,25 por dose da Serum foi identificado na África do Sul, que terá de pagar duas e vezes mais que os europeus pela vacina. A informação foi publicada pelo jornal The Guardian, nesta sexta-feira.

Questionado, o governo sul-africano disse que o argumento que lhes foi passado era de que não tinham participado do processo de desenvolvimento da vacina. “A explicação que nos foi dada para que outros países de alta renda tenham um preço mais baixo é que eles investiram na pesquisa e desenvolvimento, daí o desconto no preço”, disse Anban Pillay, representante da secretaria de Saúde do governo em Pretória.

A vacina continua sendo a mais barata hoje disponível no mercado e capaz de ser distribuída de forma mais simples. A AstraZeneca ainda indicou que está comercializando o produto por seu preço de custo.

Procurado para comentar o preço cobrado de Brasil e África do Sul, o Instituto Serum afirmou que não poderia conversar com a reportagem.

No caso do Brasil, não serão apenas as doses indianas que podem custar mais caro. De acordo com um comunicado da Fiocruz de 26 de outubro de 2020, o contrato entre o Brasil e a AstraZeneca foi revelado sobre o abastecimento de mais de 100 milhões de doses.

No texto, a entidade cita o fato de o custo ter sido negociado em US$ 3,16 por dose, superior que foi divulgado pelos belgas para a UE.

O preço é mais baixo que o carregamento indiano, já que caberá aos brasileiros sua preparação para ainda poder comercializar.

Ainda no ano passado, a AstraZeneca declarou em uma matéria na AFP que colocaria um teto de US$ 3,00 por dose para garantir que o produto chegasse ao maior número de pessoas possível.

O debate sobre os preços de vacinas tem dominado diferentes fóruns internacionais, entre eles a OMS e OMC. As empresas, porém, insistem que seus contratos devem permanecer em algumas instâncias sob confidencialidade. Mas garantem que estão oferecendo os produtos por um preço perto ou igual ao valor de produção.

A coluna revelou, no ano passado, que o contrato do governo federal com a AstraZeneca prevê que haverá uma renegociação do preço da vacina quando a pandemia terminar. Pelo contrato, fica estabelecido que é a empresa que determinará quando a crise termina.

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