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Pandemia x Cultura
Secretário de Cultura de Natal, Dácio Galvão, reconhece que a pandemia do novo coronavírus impactou fortemente a arte. Em entrevista, o gestor prevê que os eventos de fim de ano da capital potiguar serão virtuais – ou cancelados
Nathallya Macedo
30/07/2020 | 01:11

Até a metade dos anos 1980, Natal não possuía uma Secretaria de Cultura. E foi somente em 2014 que o setor passou a ter orçamento próprio – a partir da criação da pasta. Desde então, Dácio Galvão é responsável pelo comando da Secretaria de Cultura da cidade (Secult). Poeta e gestor, ele tem executado um trabalho notável para manter viva a cena artística da terra.

Os eventos e festivais estavam a todo vapor quando a pandemia da Covid-19 começou. Com a necessidade de ações para impedir o contágio, como a manutenção de regras de distanciamento social, o setor foi diretamente afetado e diversos planejamentos foram cancelados. Assim, rapidamente, uma alternativa surgiu: as lives, transmissões ao vivo pela internet, são a solução para continuar consumindo cultura de modo seguro.

De acordo com Dácio Galvão, o surgimento do vírus foi um “tiro em pleno voo”, logo em um momento de efervescência cultural em Natal. A previsão, segundo o secretário, é de que o “Natal em Natal” e a celebração do réveillon sejam realizados de maneira online ou até mesmo cancelados, caso o novo formato não seja viável economicamente.

Em 2019, os festejos de fim de ano, já considerados tradicionais, atraíram público total de 436 mil participantes. O “Natal em Natal” movimentou mais de R$ 38 milhões ao longo dos quase 50 dias de evento, segundo uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Rio Grande do Norte (Fecomércio).

Nesta entrevista ao Agora RN, Dácio Galvão avalia o cenário cultural atual. Confira:

AGORA RN – A cultura foi vigorosamente afetada pela Covid em todo o mundo. Como o senhor classifica a gravidade da situação na cidade? Observamos, aliás, que a prefeitura apoiou algumas lives durante os últimos dias.

DÁCIO GALVÃO – Foi um tiro em pleno voo. Natal estava vivendo uma consolidação nos aspectos artístico e econômico. A pandemia nos abateu, mas repito: o setor é criativo, literalmente, e a tendência já é alçar novos voos, encarar novos desafios. Seguramente, a cultura vai ganhar poder mais uma vez. A prefeitura já apoiou alguns projetos, inclusive com funções sociais, através da Lei Djalma Maranhão – a que mais tem sido exercitada financeiramente hoje em dia.

AGORA – Qual é o parâmetro do contexto de outros artistas, além de músicos?

DG – As demais áreas foram demasiadamente afetadas: as artes cênicas, plásticas, circense… se a música, que Mário de Andrade apontou em 1930 como a linguagem mais mobilizadora no país inteiro, sentiu tragicamente os efeitos da pandemia, imagine as outras áreas. O corte foi muito maior, mas os mecanismos de reação devem acontecer. No entanto, não podemos prever em um horizonte breve quando isso será restabelecido.

AGORA – O processo de cadastro da Lei Aldir Blanc já foi iniciado em Natal para espaços culturais. Já há algum balanço de registros?

DG – Hoje, temos uma média de 200 inscrições. A regulamentação da lei ainda está para sair, já que recebeu três emendas no Senado Federal. Agora, a Câmara dos Deputados precisa decidir sobre a normatização mediante essas emendas. O auxílio emergencial só será ativado quando essa regulamentação for deliberada. Estamos com a expectativa de que haja uma grande adesão na cidade.

AGORA – Qual é a perspectiva para grandes eventos na capital potiguar, como o Natal em Natal e o réveillon?

DG – É ter a possibilidade de migrar para o ambiente virtual, o que implica em uma reavaliação. O Brasil está adiando as grandes festividades nacionais, então vislumbramos a impossibilidade total de gerar aglomerações. Essa migração para o online significa, também, um outro investimento que precisa ser revisto, além do custo-benefício do ponto de vista do poder público. Não se pode fazer um investimento que não haja retorno, até porque o setor não é prioridade comparado à saúde neste momento.

AGORA – O senhor acredita que o mundo artístico/cultural mudará no pós-pandemia?

DG – Tenho lido bastante sobre o período pós-pandêmico na Europa, nos Estados Unidos e o no Brasil: o chamado “novo normal” ainda causa dúvidas. Mas o que se especula é que haverá um modelo híbrido, com a potencialização do meio digital no processo. Claro que não será possível substituir o afeto presencial, mas haverá esse diálogo entre os dois mundos.

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