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Saúde
Pandemia provoca subnotificação de casos de sífilis no RN
Doença pode evoluir para uma enfermidade crônica com sequelas irreversíveis se não for tratada precocemente
Redação
06/10/2020 | 16:05

Os gestores de saúde do Rio Grande do Norte estão preocupados com a situação epidemiológica da sífilis no estado. A doença é causa por uma infecção bacteriana, cuja principal via de transmissão é o contato sexual.

Segundo Juliana Soares, responsável técnica pelo Programa Estadual de IST, AIDS e Hepatites Virais, a oferta de testes rápidos, nos serviços de saúde do RN, teve considerável redução em todas as regiões de saúde do estado desde o início da pandemia do novo coronavírus.

“Este fato é preocupante uma vez que a sífilis é considerada uma epidemia em virtude do número de casos elevados e o não diagnóstico e tratamento oportunos implicam em riscos à saúde além de promover a manutenção da cadeia de transmissão da doença. Considerada uma infecção bacteriana sistêmica, crônica, curável, a sífilis é exclusiva do ser humano”, explica.

Ela ressalta como fator que chama a atenção, a existência de municípios silenciosos, ou seja, os que não notificaram casos de sífilis durante os oito primeiros meses de 2020, mas que a ocorrência da doença é sabidamente conhecida e tem alta prevalência nos territórios.

A pandemia da Covid-19 trouxe alguns desafios para as políticas de saúde voltadas para a doença, que devem ser desenvolvidas pelos municípios, com apoio da Sesap.

“A partir de março de 2020, foi percebida uma redução significativa na realização de testagem para sífilis nas gestantes e nas parcerias sexuais em todas as regiões de saúde do estado. Com o retorno gradual do funcionamento dos serviços de saúde, em julho, percebeu-se um discreto incremento na realização de testes rápidos em algumas regiões do estado. É importante frisar que a sífilis é uma epidemia e que as ações de enfrentamento a esta doença precisam ser permanentes”, ressalta Juliana Soares.

Casos

Para ter um panorama da situação atual da doença, o Programa Estadual de IST/AIDS e Hepatites Virais realizou a análise epidemiológica dos casos confirmados de Sífilis Adquirida, Sífilis na Gestação e Sífilis Congênita no RN e os dados preliminares registram que de janeiro a abril de 2020 foram notificados 505 casos de sífilis adquirida, 589 casos de sífilis em gestantes e 307 recém nascidos, que adquiriram a sífilis congênita por meio da transmissão vertical (de mãe para o bebê).

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESAP-RN), no Rio Grande do Norte, em 2019, foram notificados 1.717 casos de sífilis adquirida (taxa de detecção de 49,0 casos/100 mil habitantes), 923 casos de sífilis em gestantes (taxa de detecção de 21,6 casos/1.000 nascidos vivos) e 594 casos de sífilis congênita (taxa de incidência de 13,9 casos/1.000 nascidos vivos).

Em comparação com o ano de 2018, observou-se aumento de 24,1% na taxa de detecção de sífilis em gestantes, de 11,2% na incidência de sífilis congênita e de 2,7% na detecção de sífilis adquirida. De janeiro a agosto de 2020, já foram registrados 887 casos de sífilis adquirida, 646 de sífilis em gestante e 330 de sífilis congênita no estado.

Ações

O Programa Estadual de IST, AIDS e Hepatites Virais tem fortalecido as estratégias de enfrentamento à sífilis no estado, com ações realizadas para o controle da doença, como levantamento dos municípios que ainda não descentralizaram a administração da penicilina para a Atenção Básica, para que estes serviços possam realizar o tratamento oportuno e adequado através de ações de educação permanente dos profissionais, e sensibilização dos gestores municipais da importância do diagnóstico e tratamento da sífilis.

Transmissão, diagnóstico e tratamento

As principais vias de transmissão da sífilis são contato sexual sem preservativo e a transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação). O diagnóstico é feito principalmente pelos testes rápidos, considerados práticos e de fácil execução. “Eles têm a vantagem de serem realizados no momento da consulta, em geral, em 30 minutos sai o resultado e possibilita o tratamento imediato. Os testes rápidos são gratuitos e estão disponíveis nos serviços públicos de saúde”, explica Juliana Soares. A benzilpenicilina benzatina (penicilina) é o principal medicamento utilizado no tratamento.

Como não existe vacina contra a sífilis e a infecção não confere imunidade protetora, as pessoas podem ser reinfectadas, o que torna a prevenção ainda mais importante. “Essa doença ainda representa um problema de saúde pública de grande relevância, pois quando não tratada precocemente, pode evoluir para uma enfermidade crônica e comprometer vários órgãos do corpo, com sequelas irreversíveis em longo prazo”.

A maioria das pessoas com sífilis são assintomáticas; quando apresentam sinais e sintomas, muitas vezes não os percebem ou valorizam, e podem, sem saber, transmitir a infecção as suas parcerias sexuais. Quando não tratada, a sífilis pode evoluir para formas mais graves, comprometendo especialmente os sistemas nervoso e cardiovascular. Na gestação, a sífilis pode apresentar consequências severas como abortamento, parto prematuro e o óbito do bebê.

Cuidados na gestação

No caso das gestantes, a única forma de evitar que a doença seja transmitida para o bebê na barriga da mãe (transmissão vertical) é o tratamento durante a gestação. Porém, os dados da Sesap mostram que 49,8 % das gestantes diagnosticadas com sífilis foram diagnosticadas no 3° trimestre da gestação. Esse dado aponta um diagnóstico tardio da doença e possíveis chances de transmissão da sífilis para a criança. “A única forma de evitar que a sífilis seja transmitida da mãe para o bebê é realizar o diagnóstico oportuno e tratamento adequado durante o pré-natal. A ocorrência da transmissão vertical da sífilis revela que esta epidemia está muito longe de ser controlada nos territórios e isso impõe um grande desafio para os gestores e profissionais de saúde quanto à efetividade das ações que para o controle/eliminação da sífilis congênita”.

Em 2020, até agosto, foram registrados 589 casos de sífilis em gestantes e 307 recém-nascidos adquiriram a doença na barriga da mãe.

No período de 2011 a 2019, percebe-se que a taxa de incidência de sífilis congênita aumentou 2,6 vezes, passando de 5,2 para 13,9 casos por mil nascidos vivos; a taxa de detecção de sífilis em gestantes aumentou 5,5 vezes, passando de 3,9 para 21,6 casos por mil nascidos vivos.

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