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Festa diferente
Potiguares se reinventam para manter tradições natalinas durante pandemia
Agora RN conversou com potiguares para saber como será a ceia neste fim de ano, além de listar dicas práticas para minimizar os riscos de transmissão de Covid-19
Dandarah Filgueira
24/12/2020 | 06:41

Um Natal atípico que traz meses de sofrimento, de dificuldades e de perdas. Em uma situação calamitosa para a saúde pública, a pandemia da Covid-19 colocou em risco a vida das pessoas, muitas vezes forçando-as a lidar com grandes sofrimentos como a morte de entes queridos, o consequente luto, ou ainda a impossibilidade de ficar perto daqueles que estão sofrendo. Neste momento, a saudade é considerada por muitos o sentimento mais presente durante os festejos de fim de ano.

“Natal”, aliás, significa nascimento. Agora, com a enorme lista de mortos por coronavírus no Brasil, as celebrações e todo o clima natalino se fundamentam no compromisso com a vida e na esperança por dias melhores. Entre expectativas acerca das vacinas e aumento de casos confirmados da Covid-19, o recomendado é seguir todos os cuidados necessários para evitar novos contágios.

Em um contexto local, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), a porcentagem de jovens até 35 anos infectados aumentou de 27,8% no início da pandemia para 46,5% em novembro.

De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), essa informação é preocupante principalmente no contexto das comemorações de fim de ano, pois as festas familiares são um evento catalisador de novas infecções, especialmente quando se reúnem familiares que não possuem um convívio diário ou habitual. Isso porque o perigo é que os jovens possam transmitir o vírus para as pessoas idosas da família, que fazem parte do grupo de risco da doença.

A advogada potiguar Giovanna Mororo, de 42 anos, teve coronavírus no início de dezembro e passou por momentos ruins ao pensar que poderia ter infectado o próprio pai, que tem 69 anos, é diabético e passou por um transplante de rim.

“Nunca imaginei que existiria possibilidade de passar para o meu pai, porque eu só desenvolvi os sintomas uma semana depois de me encontrar com uma pessoa que teve a doença, então eu achei que não ia pegar mais. Tive contato com meu pai quando já estava doente e não sabia. O emocional de quem passa por esse medo e culpa da possibilidade da transmissão fica muito abalado”, desabafa.

Felizmente, Giovanna não transmitiu o vírus para nenhum parente. Mas essa situação fez com que sua família optasse por não fazer o tradicional Natal, que agregava familiares e amigos até mesmo de outros estados do Brasil. “A gente reunia as duas famílias e amigos, e vinham inclusive pessoas de Fortaleza, éramos na faixa de 30 pessoas. Esse ano, por causa da Covid, vamos ser só eu, meu pai, minha mãe, meus irmãos e sobrinhos, totalizando 8 pessoas. A gente vai ficar na casa de praia em Muriú, e a ceia de Natal vai ser em uma varanda, num local aberto”, explica.

Já a família da gastróloga Carol Oliveira, 24, também costumava reunir cerca de 30 pessoas para a ceia natalina. Segundo ela, era o único dia do ano em que a família inteira conseguia se encontrar. “Nosso Natal normalmente é bem animado, a gente gosta muito de brincar, de ficar junto. Sempre fazemos um amigo secreto, e minha avó sempre faz uma leitura e uma representação sobre o nascimento de Jesus, geralmente ela escolhe três primos menores para fazer essa representação, e depois a gente tem a ceia”, conta.

A preocupação principalmente com a avó, de 89 anos, fez com que optassem por fazer a festa, mas com cada família na própria casa, algo muito diferente para Carol.

“Minha avó já até mandou um recado pra todo mundo com as leituras que ela quer que a gente faça no Natal antes da ceia, cada um no seu canto. Vai ser o primeiro Natal com menos gente, é uma coisa que eu não estou muito acostumada. Só o pessoal daqui de casa, 5 pessoas, para quem estava habituada a ter mais de 20 pessoas juntas, é diferente, mesmo tendo videochamada. Então é torcer para que no próximo ano a situação esteja melhor e que a gente volte a se encontrar para ter um Natal animado junto com vovó, que é o que a gente mais gosta”, diz.

A recomendação de segurança da Organização Mundial de Saúde (OMS) para este fim de ano é para que não ocorram aglomerações nas reuniões familiares, justamente para impedir a disseminação do coronavírus. No entanto, algumas famílias ainda optaram por fazer a reunião com parentes que não são do núcleo familiar e amigos normalmente.

Como minimizar riscos?

A reportagem do Agora RN conversou com o infectologista Luiz Alberto Marinho para algumas recomendações práticas para tentar minimizar os riscos de contaminação:

1- Reunir o menor número de pessoas possível e evitar pessoas que não estão no convívio;

2- Que a festa seja em um ambiente aberto e tenha ventilação natural. Se for dentro de casa, manter portas e janelas abertas;

3- Usar máscara enquanto se conversa, tirar somente para comer;

4- Manter um distanciamento de 1 metro entre as pessoas;

5- Na hora da ceia, guardar a máscara em um saquinho plástico;

6- Evitar música alta, cantos e gritos. Manter uma conversa em voz baixa, porque quanto mais alto se fala ou canta, mais se elimina gotículas;

7- Lavar as mãos com água e sabão e higienizar com álcool em gel.

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