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Entrevista
Pandemia modificou segmento de eventos, avalia empresária
Crise sanitária mudará em definitivo as atividades do segmento de eventos em todo o mundo, segundo a empresária Sylvia Serejo, que vê no uso da internet a tônica para a continuidade dos trabalhos
Redação
20/07/2020 | 00:00

A empresária Sylvia Serejo, proprietária da empresa Verbo Comunicações e Eventos, avalia que a pandemia do novo coronavírus obrigou o setor de eventos a promover eventos on line de forma muito incisiva, como forma de quebrar tabus e resistências. Segunda ela, o segmento que congrega mais de 50 tipos de empresas ou serviços, merece maior atenção do setor público para enfrentar a crise financeira que hoje afeta o setor. Veja a entrevista:

AGORA RN – Como a pandemia afetou o setor de eventos no Rio Grande do Norte?

SYLVIA SEREJO – Fomos um dos primeiros segmentos a parar as atividades e seremos certamente os últimos a voltarmos de forma plena. Nós que atuamos no segmento de congressos e eventos corporativos ainda temos a possibilidade de realizar eventos on line ou híbridos, mas na área de eventos sociais e entretenimento, é bem mais complexo. Mas mesmo nos eventos híbridos, uma parte significativa da cadeia produtiva não é utilizada, então o cliente cumpre seu objetivo mas o segmento não tem giro de dinheiro.

AGORA – Que impactos a pandemia gerou para a empregabilidade do setor?

SS – São mais de 50 tipos de empresas ou serviços impactados. Empresas de montagem, buffets, gráficas, equipamentos, decoração, têm sofrido bastante, afora boa parte dos colaboradores, que já atua de forma intermitente, esses estão bem sacrificados. Além das empresas propriamente ditas, uma legião de profissionais como garçons, montadores, eletricistas, recepcionistas, seguranças, pessoal de limpeza, técnicos em som e luz, enfim, muita gente que trabalha como freelancer também está sofrendo os impactos.

AGORA – Para salvar o setor, a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) apresentou uma lista de pleitos ao Ministério do Turismo. No Rio Grande do Norte, o que o setor pede para garantir a continuidade dos trabalhos?

SS – Infelizmente o RN já não tem mais uma seccional da Abeoc em funcionamento, mas somos ‘abrigados’, digamos assim, pelo Natal Convention Bureau, que congrega não só os organizadores de eventos, mas também toda a cadeia produtiva. E a Câmara de Turismo da Fecomércio também tem sido uma entidade que nos representa. Os pedidos são os mesmos. O programa do Governo Federal que custeia temporariamente os salários de funcionários, agora estendido de dois para quatro meses tem sido importante, e os apoios técnicos do SENAC e SEBRAE, com o oferecimento de serviços e capacitação têm sido também um bom caminho, pois ajudam a sair da inércia e motivam os empresários.

AGORA – Como a Verbo Eventos enfrentou este período de crise?

SS – Tivemos todos os eventos cancelados para 2020, à exceção de dois que foram remarcados – um ainda sem data e outro só para setembro de 2021! Infelizmente, congressos implicam numa organização bem complexa, altos custos, não dá para ficar marcando e remarcando. Então, os eventos maiores geralmente têm sido remarcados para pelo menos um ano adiante. Na área de eventos corporativos, por exemplo, nem sempre os adiamentos são sustentáveis. Há objetivos institucionais, prazos, que quando passam de determinada data já não fazem mais sentido. Então, houve muitos cancelamentos. Passado o susto inicial, temos enfrentado esse momento com muito foco em estudar novos formatos, tendências e reorganizar processos. Chegamos aos 21 anos com um comportamento mais proativo, de avaliar as necessidades dos clientes e propor novos formatos e abordagens, de custo reduzido, para continuar na ativa e ajudar os clientes a cumprir seus objetivos.

AGORA – Como vê o futuro do segmento de eventos para o pós-pandemia?

SS – A necessidade do distanciamento social nos ‘obrigou’ a incorporar os eventos on line de forma muito incisiva, quebrar tabus e resistências. Acredito que para os eventos de pequeno porte e eminentemente técnicos, esse formato vai permanecer com muito espaço, afinal, é barato, seguro, prático. Mas o face-to-face, o aperto de mão, o olho no olho e o network são insuperáveis. Os eventos presenciais estão cada vez mais focados em propósitos e experiências de jornada do participante. E nesses aspectos saber ‘juntar gente’ continuará valendo muito.

AGORA – Sem um controle eficaz da doença, a crise tende a se prolongar por mais tempo. Como vê as ações dos entes públicos (União, Estados e Municípios) no combate da Covid-19 no Brasil?

SS – Especificamente no nosso segmento, penso que realmente, enquanto não houver vacina, realizar eventos de grande e médio porte será um risco. Não dá para empreender um grande projeto e, faltando semanas ou dias, ter de cancelar tudo em razão de uma nova onda de contaminação. Eu sinceramente compreendo o nível de dificuldade dos governantes, num país continental, de enormes discrepâncias sociais e culturais. A falta de preparo e a falta de recursos são visivelmente preocupantes, isso é tristemente histórico. Confesso que, proporcionalmente, entre preparo e compromisso, o Município e o Estado, ainda que capengas, estão mais engajados que a União.

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