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Omissão internacional e a crise na Venezuela

01/08/2017 | 04:10

Acordos internacionais e a crise na Venezuela

Ivanaldo Santos – Filósofo.
E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br

Presidente da venezuela afirma que morte de jovem em protesto ocorreu em “circunstâncias estranhas”

Na recente história humana existem alguns casos de omissão ou de concessão política que terminaram dando mais força a ditadores e, com isso, causando graves problemas militares, econômicos e humanitários. O caso mais famoso dessas omissões foi o Acordo de Munique, em 1938, onde as potências ocidentais, especialmente a Inglaterra e a França, deram a Alemanha nazista o direito de anexar a região dos Sudetos na Checoslováquia. Na prática esse acordo só serviu para fortalecer o ditador Adolf Hitler e terminou sendo a porta para a realização da Segunda Guerra Mundial. Uma guerra que, como sabe-se, foi o pior conflito armada da história humana. Outro exemplo é a recente guerra civil na Síria. Não está sendo discutido as causas desta guerra. No entanto, o fato das potências internacionais terem feito um acordo para pôr fim ao conflito e, neste acordo, o ditador sírio Bashar Al-Assad ter sido mantido no poder, passa uma mensagem positiva aos ditadores ao redor do mundo. Uma mensagem que diz: “Um ditador pode torturar, matar e espalhar o terror entre o seu próprio povo, desde que tenha algum aval dos países mais ricos do mundo”.

A Venezuela vive atualmente uma grave crise humanitária que pode avançar rumo a um doloroso processo de genocídio. Essa crise tem várias origens: crise econômica, crise nas exportações, crises políticas e outras. No entanto, o fator decisivo dessa crise é o governo autoritário de Nicolás Maduro, um governante populista, meio palhaço que sofre da Síndrome do Messias (ele pensa que é Deus ou um messias religioso), uma versão tropical de Benito Mussolini. O problema é que a duras penas, depois de guerras, prejuízos econômicos e humanitários, o mundo viu cair a ditadura de Adolf Hitler, na Alemanha, e do seu comparsa Benito Mussolini, na Itália.

Por diversos meios políticos e diplomáticos Nicolás Maduro, na Venezuela, está tentado um acordo semelhante ao de Munique, em 1938, que deu amplas vantagens ao ditador Adolf Hitler ou ao acordo internacional que possibilitou o processo de restabelecimento da paz na Síria, mas que manteve no poder o ditador Bashar Al-Assad.

Acordos internacionais não são tratados políticos perfeitos, sempre haverá erros e falhas. O problema é quando o acordo, por razões diversas, não consegue retirar do poder um tirano e, o pior, ainda fortalece a tirania, como foi o caso de Adolf Hitler em 1938. No caso da Venezuela, um caso que beira o genocídio, a comunidade internacional, as potências mundiais não podem repetir o erro de Munique em 1938. É necessário realizar acordos com as devidas falhas, mas que retire do poder o ditador Nicolás Maduro e, com isso, abra espaço para a reconstrução do país, para o restabelecimento da democracia e, o mais importante, evitar que as loucuras do ditador se espalhem por outros países da mesma forma que Hitler fez na Europa entre 1938 a 1945. Acordos internacionais podem ter erros, mas não podem manter o ditador no poder. É tempo de reconstruir a Venezuela, é tempo de as potências internacionais fazerem um acordo para a reconstrução do país, um acordo que retire do poder o governo autoritário de Nicolás Maduro.