Acordos internacionais e a crise na Venezuela
Ivanaldo Santos – Filósofo.
E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br

Na recente história humana existem alguns casos de omissão ou de concessão política que terminaram dando mais força a ditadores e, com isso, causando graves problemas militares, econômicos e humanitários. O caso mais famoso dessas omissões foi o Acordo de Munique, em 1938, onde as potências ocidentais, especialmente a Inglaterra e a França, deram a Alemanha nazista o direito de anexar a região dos Sudetos na Checoslováquia. Na prática esse acordo só serviu para fortalecer o ditador Adolf Hitler e terminou sendo a porta para a realização da Segunda Guerra Mundial. Uma guerra que, como sabe-se, foi o pior conflito armada da história humana. Outro exemplo é a recente guerra civil na Síria. Não está sendo discutido as causas desta guerra. No entanto, o fato das potências internacionais terem feito um acordo para pôr fim ao conflito e, neste acordo, o ditador sírio Bashar Al-Assad ter sido mantido no poder, passa uma mensagem positiva aos ditadores ao redor do mundo. Uma mensagem que diz: “Um ditador pode torturar, matar e espalhar o terror entre o seu próprio povo, desde que tenha algum aval dos países mais ricos do mundo”.
A Venezuela vive atualmente uma grave crise humanitária que pode avançar rumo a um doloroso processo de genocídio. Essa crise tem várias origens: crise econômica, crise nas exportações, crises políticas e outras. No entanto, o fator decisivo dessa crise é o governo autoritário de Nicolás Maduro, um governante populista, meio palhaço que sofre da Síndrome do Messias (ele pensa que é Deus ou um messias religioso), uma versão tropical de Benito Mussolini. O problema é que a duras penas, depois de guerras, prejuízos econômicos e humanitários, o mundo viu cair a ditadura de Adolf Hitler, na Alemanha, e do seu comparsa Benito Mussolini, na Itália.
Por diversos meios políticos e diplomáticos Nicolás Maduro, na Venezuela, está tentado um acordo semelhante ao de Munique, em 1938, que deu amplas vantagens ao ditador Adolf Hitler ou ao acordo internacional que possibilitou o processo de restabelecimento da paz na Síria, mas que manteve no poder o ditador Bashar Al-Assad.
Acordos internacionais não são tratados políticos perfeitos, sempre haverá erros e falhas. O problema é quando o acordo, por razões diversas, não consegue retirar do poder um tirano e, o pior, ainda fortalece a tirania, como foi o caso de Adolf Hitler em 1938. No caso da Venezuela, um caso que beira o genocídio, a comunidade internacional, as potências mundiais não podem repetir o erro de Munique em 1938. É necessário realizar acordos com as devidas falhas, mas que retire do poder o ditador Nicolás Maduro e, com isso, abra espaço para a reconstrução do país, para o restabelecimento da democracia e, o mais importante, evitar que as loucuras do ditador se espalhem por outros países da mesma forma que Hitler fez na Europa entre 1938 a 1945. Acordos internacionais podem ter erros, mas não podem manter o ditador no poder. É tempo de reconstruir a Venezuela, é tempo de as potências internacionais fazerem um acordo para a reconstrução do país, um acordo que retire do poder o governo autoritário de Nicolás Maduro.