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Marcelo Hollanda
O relógio para 2022 já disparou e as traições também: tic tac, tic tac
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta sexta-feira 27
Marcelo Hollanda
27/08/2021 | 08:49

Tudo na vida é uma questão de prazo.

Muita gente já disse isso, entre eles Antônio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento, e ex-deputado federal por cinco mandatos consecutivos. Uma carreira de sucesso feita em grande parte no interior do regime militar imposto em 1964 e extinto em 1985.

Isso não impediu que o ex-presidente Lula tomasse dele valiosos conselhos antes que Dilma Rousseff se fechasse em copas e fosse cuspida da presidência por um crime de responsabilidade ligado a uma pedalada fiscal, uma operação orçamentária não prevista na legislação.

Algo ridiculamente pequeno perto das dezenas de crimes de responsabilidade do atual presidente, mas que foi suficiente para abreviar um mandato a partir de um conjunto de circunstâncias políticas, inúmeras defecções ou traições mesmo, que fazem parte do jogo político em todos os tempos.

Quando as regras do jogo eleitoral estiverem definidas a partir de outubro e fatores exógenos à vontade de parte do parlamento começarem a pesar, como a inflação, insegurança alimentar, evasão de investidores, quem alugou o nome ou mandato em favor de sua estratégia política começará a escrever uma nova história.

Guardadas as devidas e necessárias proporções, tem sido assim desde o Império Romano. Perfídias, conspirações, traições, todo o acordo têm um preço de face que pode ou não ser honrado e, principalmente, um prazo que é fundamental quando se pratica esse jogo.

Com dois terços do mandato cumprido, Bolsonaro foi provavelmente o mandatário do período da redemocratização que mais ousou jogar no limite de suas amplas possibilidades garantidas pelo presidencialismo no Brasil.

Sem a menor cerimônia e com a mesma desfaçatez com que trabalha pela própria sobrevivência e da família, o presidente usou todo o poder da caneta para se blindar no Congresso e em parcelas da sociedade, como as Forças Armadas, polícias militares e setores retrógrados do empresariado e do agronegócio.

É comum e até razoável que políticos tenham suas bases, mas Bolsonaro não hesitou em abrir mão do controle orçamentário do governo para seguir até o limite do impossível. Hoje, os obstáculos para a reeleição presidencial já são amplamente aceitos até entre os apoiadores do governo no Congresso.

A tropa de choque, é claro, continuará atuando valorosamente em favor do governo, mas o relógio está correndo: tic tac, tic tac.

A propósito
Ouvidos fora da condição de anonimato – o que é incomum em Brasília – políticos começam a abrir o bico em Brasília sobre as chances de reeleição do presidente. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, lidera essa trupe. “Há uma chance grande de o presidente Bolsonaro não estar no segundo turno. A gestão está ruim e mal avaliada e uma série de fatores o atrapalha”.
Segundo uma apuração do Estadão, no Partido Progressistas já há quem considere que não vale a pena ficar com Bolsonaro. E cita o caso do deputado Eduardo da Fonte (PE), ex-líder do partido, ligado ao ministro Ciro Nogueira e apoiador da pré-candidatura do ex-presidente Lula.

Tá fácil
O deputado Fausto Pinato (Progressistas-SP) mostrou uma fórmula muito conveniente para o presidente se livrar de todos os seus problemas e se manter na presidência depois da eleição do ano que vem: conter os arroubos autoritários. E, é claro, ouvir o ministro da Casa Civil e os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, além de cessar os ataques às instituições.

Esperança
Ainda segundo o Estadão, o vice-líder do PL, o deputado Zé Vitor (MG), já admitiu dificuldades no horizonte do presidente. “Não é um bom momento para ele”, confirmou. Mesmo assim, honrando os benefícios recebidos, aquiesceu: “Estamos distante da eleição. Tudo pode acontecer”.

Probabilidade
Um outro deputado ouvido pelo Estadão, que já foi líder do PL e conversou com a reportagem sob a condição de anonimato, afirmou que a maioria da bancada apoia o governo, mas não descarta que o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, abandone Bolsonaro em 2022.

Uma exceção
Presidente do Progressistas, o deputado André Fufuca (MA), faz parte do time que ainda acredita que Bolsonaro pode recuperar a popularidade. “Acredito que o atual cenário é mutável. A tendência é que sua popularidade volte a subir e ele chegue com condições reais de disputar a reeleição”.
O problema é que Fufuca conversa muito com Lula.

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