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Coluna
O que as dunas e a política têm em comum
Confira a coluna de Alex Viana desta terça-feira 13
Alex Viana
13/07/2021 | 08:26

O poder e a política são como as dunas, estão sempre em movimento. E nesse movimento dos ventos, construções são soterradas e obrigadas a mudar de local, numa eterna troca de posições na contínua busca do poder para o qual está predestinada a política.

É uma questão de sobrevivência saber quando continuar jogando ou desistir da mão, trocando parceiros. É o que parte dos aliados do presidente Bolsonaro faz desde que ele assumiu o cargo e deixou para trás alguns fiéis seguidores, como Gustavo Bebiano (já falecido), o general Santos Cruz e outros tantos que caíram em desgraça junto à “filhocracia”.

Nessa dança das cadeiras nem os comandantes das três Forças Armadas resistiram, sendo trocados por modelos mais aderidos ao presidente e que agora retribuem à confiança com demonstrações mais ardorosas de fidelidade.
Mas esta embarcação reforçada com o Centrão no Congresso à base de generosos recursos do orçamento começa a fazer água. E o exemplo mais singelo disso é a sinalização contrária de alguns seguidores, como o senador Jorge Cajuru (GO), um ex-jornalista esportivo que fez sua carreira em cima da polêmica, mordendo agressivamente seus desafetos.

Tudo porque Kajuru se envolveu recentemente em uma polêmica ao divulgar o áudio de uma conversa telefônica com Bolsonaro sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, na qual o presidente revelou seu grau de preocupação com a iniciativa.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 01 de Bolsonaro, pediu ao Conselho de Ética para apurar se Kajuru quebrou o decoro parlamentar após a divulgação do áudio. E, como se não bastasse, o “jornalista” foi obrigado a deixar o Cidadania e buscar uma nova legenda mais à direita que a antiga presidida por Roberto Freire.

Tudo isso são movimentos das dunas. Só que nesta segunda-feira, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar se o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime de prevaricação no caso da Covaxin.

O procedimento foi oficialmente instaurado depois que a ministra Rosa Weber, do STF, atendeu a uma notícia-crime oferecida pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e… Jorge Kajuru (Podemos-GO).

Note-se que o caso foi levado ao Supremo depois que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão do parlamentar, Luís Ricardo Fernandes Miranda, que é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, lançaram suspeitas de corrupção no processo de aquisição do imunizante fabricado pelo laboratório Bharat Biotech.

Ou seja, dois aliados do presidente Bolsonaro, que foram escorraçados depois de tentar alertar o presidente para algo grave que estaria acontecendo no Ministério da Saúde, numa conversa que muita gente em Brasília jura de pés juntos que foi gravada por Miranda.

Ao descartar antigos e novos aliados por uma pressão qualquer dos filhos ou das circunstâncias, Bolsonaro vai inflacionando o valor de seu apoio e hipotecando vantagens que podem se tornar moeda de troca duvidosa no futuro.

Lembrem que José Edson Fachin foi advogado do MST e um defensor de teses extravagantes que jamais seriam compartilhadas por um conservador até sentar-se numa cadeira do Supremo e transforma-se num “lavajatista” de carteirinha, embora conduzido à toga mais poderosa da República pelas mãos de Dilma Roussef.

As dunas se movem.

Será o Benedito?
Segundo um dos colunistas do Estadão o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é visto como pensável pelo centro político como capaz de disputar com Lula e Bolsonaro as eleições de 2022.
Segundo a mesma fonte, militares ligados ao vice-presidente, Hamilton Mourão, já viam no senador mineiro um “excelente nome para essa tarefa”.

Mais, um dos generais ouvidos pelo colunista disse cultivar o sonho de ter o ex-juiz Sergio Moro como vice na chapa. Tem sonhador para todos os gostos.

Supremo entra na dança
Não é apenas a popularidade do presidente Jair Bolsonaro que murcha nesses tempos de pandemia. Segundo o DataFolha, o desempenho dos ministros do Supremo Tribunal Federal também corre no mesmo sentido e é ruim ou péssimo para 33% dos entrevistados, contra os 24% que avaliam a atuação deles como boa ou ótima. Para 36%, a avaliação é regular, e outros 7% não souberam responder. Em agosto do ano passado, a reprovação era de 29%, ante 27% que consideravam o trabalho dos magistrados ótimo ou bom.

O elixir do Poder
Malu Gaspar, de O Globo, revela que estão numa planilha de cerca de 90 mil linhas, trancada no gabinete do senador Marcio Bittar (MDB-AC), o relator do Orçamento de 2021, o único documento onde é possível encontrar dados sobre o destino dos R$ 16,850 bilhões a serem distribuídos em emendas parlamentares do relator. É o tal orçamento secreto revelado pelo jornal O Estado de São Paulo.

É um documento tão sigiloso, diz a colunista, que é difícil saber qual parlamentar será contemplado. Isso explica a multiplicação de puxa sacos do governo no Parlamento.

Ganho da Copa América
A seleção do Brasil perdeu para a Argentina, mas o país não saiu de mãos abanando: pode ter ganhado pelo menos uma nova variante do coronavírus para o país.

O processo para identificação das cepas do vírus feito pelo Instituto Adolfo Lutz identificou dois casos da variante B.1.621 entre 12 exames realizados. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, e confirmada pela Folha.

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