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Entrevista
O partido político do industrial é a indústria, diz Amaro Sales
Numa entrevista exclusiva ao Agora RN, o presidente da Federação da Indústria do RN fala de política, da sucessão dentro da entidade, da pandemia, da Petrobras e do sonho de ver o estado como um grande produtor em várias atividades econômicas
Redação
26/06/2021 | 08:00

Uma das lideranças mais importantes do setor produtivo do Nordeste, Amaro Sales de Araújo tem se notabilizado pelo equilíbrio com que vem se conduzindo à frente da Federação da Indústria do Rio Grande do Norte (Fiern).

Num momento difícil da vida brasileira, marcada por polarizações políticas e uma pandemia que drena forças do país, Amaro insiste que o partido dos empresários deve ser sempre o da indústria, acima de tudo.

Nesta entrevista ao Agora RN, ele fala do presente e do futuro da entidade, da sucessão à frente da Fiern e dos desafios do RN com a saída da Petrobras do estado. E, é claro, dos aprendizados deixados pelo novo coronavírus.

Agora RN: A FIERN sempre adotou uma posição de neutralidade política, articulando sua agenda com todos os governos estaduais, independente de posição ideológica. Preocupa ao senhor a polarização política vigente no país?

Amaro Sales: A FIERN continuará com o posicionamento de neutralidade política. Contudo há a necessidade de conversa com os governos, com os entes políticos de maneira geral, sobre a participação e as prioridades da indústria. Isso é natural. Prefiro não tecer maiores comentários sobre a polarização política. A Fiern precisa que o partido da indústria, esse sim, tenha seu espaço e funcione muito bem. Que a indústria mantenha a sua sustentabilidade, a empregabilidade, o crescimento econômico. Esse é o papel da FIERN.

Agora RN: Do ponto de vista regional, não é novidade que o Rio Grande do Norte vem perdendo espaços para outros estados, inclusive a Paraíba, que parece abrir um mercado mais próspero atraindo mais empresas. Em sua opinião, onde estamos errando?

Amaro Sales – É preciso registrar que têm sido abertas várias negociações, inclusive com a FIERN fazendo parte dessas articulações junto ao Governo do Estado, que tem ouvido os pleitos das indústrias que mediamos, de forma que possamos manter nossas empresas aqui. Sabemos que a Paraíba e o Ceará apresentam políticas de incentivo fiscal audaciosas. Mas entendemos que o Governo do RN está atento aos pleitos que fazemos, atento a esta articulação e temos conseguido reverter a tendência de retirada. Estamos vivenciando a busca por um crescimento econômico em meio a essa pandemia.

E esperamos que o RN possa mostrar suas potencialidades de forma mais contundente nos próximos meses. Para isso, temos o MAIS RN como um grande canal de discussão dessa retomada da economia. Trata-se de uma plataforma de BussinesInteligence (B.I.) que tem levantado informações importantes e sistematizadas de setores expressivos da economia potiguar. É uma bússola que contém informações muito importantes para quem deseja investir ou aumentar sua abrangência em segmentos estratégicos do Rio Grande do Norte.

Agora RN: O senhor está em seu terceiro mandato à frente da Federação, como o senhor avalia esse período e qual foi o mais difícil? Pensa num quarto mandato ou o senhor prepara a sucessão?

Amaro Sales: Não haverá um quarto mandato, até porque o estatuto não permite. Para esse terceiro mandato, houve uma aclamação de 95% dos sindicatos, quase unanimidade, para que eu ficasse. A sucessão é algo natural em qualquer instituição. Estamos mais preocupados em que a pessoa que venha me substituir possa contribuir com a ampliação da competitividade da indústria, com a discussão dos projetos e pautas junto aos governos, na melhoria do ambiente de negócios e que possa abrir novas oportunidades, atrair mais empresas e contribuir com o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Sobre o mandato, em todo ele temos enfrentado dificuldades. Mas acredito que o mais difícil foi esse com a chegada da pandemia em que precisamos administrar com poucos recursos, sofremos vários cortes e precisamos nos adequar aos custos, às exigências sanitárias e aos recursos que tínhamos. Inclusive adequar o tamanho da FIERN aos recursos recebidos.

Agora RN: Como o senhor analisa o processo de substituição da Petrobras por empresas privadas no Rio Grande do Norte, já há uma perspectiva mais sólida em relação ao início desse processo?

Amaro Sales – Sem dúvidas. A Petrobras, desde a década de 1980 quando chegou ao RN, no boom do petróleo, se manteve por muito tempo como o grande agente da economia. O RN chegou a produzir mais de 120 mil barris ao dia e, hoje, não produzimos sequer 30 mil barris/dia. Não há como reverter essa saída, porque é decisão da empresa sair do estado. Entendemos que a retomada do setor de petróleo e gás segue um novo modelo, diferente, com vários atores de menor porte.

Estamos dando total apoio às empresas, por meio do SENAI/CTGAS-ER e do ISI-ER, que traz tecnologias em P&G, oferecem suporte na área de qualificação profissional, de pesquisa aplicada. Vivemos um novo momento do petróleo e gás no Rio Grande do Norte e espero que, com o tempo e a chegada dessas novas empresas, os números de produção voltem a crescer a níveis iguais aos de antes.

Agora RN: O estado já foi líder em setores importantes, como petróleo e camarão. O senhor acha que esse recuo econômico deixou o empresário mais cético em relação ao futuro?

Amaro Sales: Não, há uma retomada de confiança. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), medido pela FIERN, chegou a 60 pontos em junho de 2021, o patamar mais elevado para um mês de junho desde 2011.O Rio Grande do Norte continua sendo o maior produtor de frutas frescas, de camarão e, mesmo com a baixa no petróleo, ainda somos líder em produção em terra.

E temos setores importantes de alavancagem da economia como as energias eólica e solar, sal marinho e mineração. São várias as potencialidades e oportunidades de investimentos e negócios no Rio Grande do Norte, que estão apontados no MAIS RN – essa plataforma, mantida pela FIERN em parceria com empresários, traz para o RN a esperança de retomada. E que está totalmente acessível em meio digital, com análise de dados, cenários para consulta de investidores e sociedade em geral.

Agora RN: Na sua avaliação, estacionamos, melhoramos ou pioramos as condições de competitividade no RN nos últimos anos?

Amaro Sales: O Rio Grande do Norte continua com grandes oportunidades. Precisamos melhorar o ambiente de negócios, ponto em que a FIERN vem trabalhando fortemente junto ao governo do estado e temos recebido apoio. Precisamos de mais incentivos, reforçar as políticas de incentivos, dar maior segurança jurídica aos negócios, fazer as reformas estruturantes que o país precisa.

Temos a expectativa de uma reforma política, de gestão pública, de uma reforma tributária ampla, um grande avanço para as empresas. Acredito que o Rio Grande do Norte está numa posição melhor porque há um entendimento entre o empresário e a governança, e a FIERN atua como meio nessa relação, que traz um ambiente mais favorável para tratar sobre a economia do Rio Grande do Norte.

Agora RN: Quais os legados positivos e negativos que a pandemia deixará para o Rio Grande do Norte?

Amaro Sales: A pandemia deixará aprendizados para o mundo. Como diria o Papa Francisco, “ninguém sairá dessa crise sozinho”. No Brasil, infelizmente, tivemos a politização da pandemia. Tivemos uma enorme perda de vidas, de pessoas queridas, um difícil luto a enfrentar. Mas tivemos o aprendizado com a forma como as empresas e pessoas tiveram que se adequar a esse momento e retomar as atividades.

E fica como legado a diminuição de fronteiras com o trabalho remoto produtivo, o avanço no uso de tecnologia e a transformação digital dos negócios. Temos a esperança que, quando a imunização for concluída no Brasil, possamos ter condições para uma retomada da economia, como vinha acontecendo de 2019 para 2020. Vemos em alguns setores, já em 2021, sinais de melhorias. Esperamos que o segundo semestre seja de recuperação e o ano de 2022, o pós-pandemia, de crescimento.

Agora RN: Qual o seu grande sonho como industrial?

Amaro Sales: O meu sonho é ver o meu estado como um grande produtor em várias atividades econômicas, sendo destaque nacional. O Rio Grande do Norte é apontado como o maior gerador de energia eólica, e esse legado precisa chegar às pessoas, às indústrias, precisamos ter uma energia mais competitiva, o gás mais competitivo, um combustível mais competitivo no nosso estado.

Essa diferenciação precisa chegar à casa, à economia das pessoas, tornar isso prático. Ter um estado rico não só em belezas naturais, mas sobretudo pelas oportunidades. Rico em arrecadação e em desenvolvimento econômico, não mendigando com um pires na mão para pagar a folha de pessoal.

Agora RN: O Sistema FIERN inaugurou o ISI-ER. O que isso significa para o estado?

Amaro Sales: Um dos nossos maiores objetivos como gestor à frente da Federação era podermos inaugurar um Instituto SENAI de Inovação, onde trabalhamos a competitividade da indústria de energias renováveis. O RN enquanto um dos maiores produtores de energia eólica e solar do país precisava de um instituto à altura. Um investimento de quase R$ 20 milhões e que já tem quase o mesmo valor de R$ 20 milhões em projetos contratados com empresas nacionais e estrangeiras.

Um ISI de grande relevância, descobrindo novos horizontes, trabalhado novas tecnologias, inovação e pesquisa. Para colocarmos o RN em destaque para o mundo. Produzindo conhecimento e tecnologia para grandes players do mundo que trabalham com energia limpa.

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