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Coluna
Marcelo Hollanda: Do alto dos seus 63 anos, o publicitário baiano Nizan Guanaes trocou o grande pelo pequeno
Confira a coluna de Marcelo Hollanda deste sábado 19
Marcelo Hollanda
19/06/2021 | 07:47

O publicitário Nizan Guanaes é um sujeito esperto. Sempre soube sair de seus negócios um pouco mais rico do que entrou. À medida que as agências de propaganda que ele criava se agigantavam em prestígio, contas e faturamento, eram passadas para frente com lucros que chegavam a dez dígitos.

E retornava à simplicidade. Afinal, quem tem muito dinheiro e sabe gastar pouco está no paraíso. Foge de sofisticações inúteis e atinge seus objetivos assertivamente. Foi com esse espírito que, dias atrás, Nizan comunicou sua última providência na vida: cortou a palavra “agência”. “Não quero ofender meus colegas da publicidade, indústria que amo tanto e me deu tudo que tenho, nem ser ave de mau agouro, mas tudo que tem agência no nome vai acabar: agência bancária, agência de viagens…”- declarou ele dias atrás durante um evento do Valor. Do alto de seus 63 anos e ainda com muita madeira para queimar, o baiano Guanaes resolveu trocar o grande pelo pequeno, esperar que voltasse a ser grande e trocar de novo com uma boa grana em cima.

Morador do Jardim Europa, Nizan não hesitou em refugiar-se num apartamento uma fração da morada anterior para se dedicar ao seu pequeno negócio. Motivo, segundo ele: agências com muitos funcionários e alto custo têm dificuldade de dizer não para os clientes que pagam as contas.

E, como ele disse ao Valor, “não ter custo me dá uma liberdade enorme. É como a liberdade editorial.”

Para Nizan Guanaes, o futuro aos pequenos pertence. Afinal – argumenta – eles são mais ágeis que os grandes e não têm medo de aprender com os próprios erros, coisa que costuma gerar demissões nas estruturas maiores.

Quando a internet não existia, mas as vaidades sim, um grande fazendeiro ficou esperando por uma hora para ser atendido por seu gerente do banco. Na frente dele havia um pequeno fabricante de tampinha de garrafa.

A razão óbvia para esse atendimento privilegiado era o tamanho financeiro da pequena indústria diante das dimensões das terras improdutivas do outro, que vivia de financiamentos oficiais para trocar a caminhonete ou comprar apartamentos.

Com a tecnologia no grau em que está não há como recusar o fato de que o mundo mudou.

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