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Saúde
O ‘divórcio do sono’: Dicas para casais superarem os desajustes (ou abrirem mão) de dormir junto
Reportagem do jornal O Globo mostra que casais nem sempre combinam na hora de dormir; veja como melhorar o sono a dois
O Globo
09/12/2023 | 09:56

Meu marido é um dorminhoco inquieto. Ele se mexe, puxa o edredom até o queixo e depois o joga para o lado, muitas vezes coberto de suor. Quando perguntei a ele se essa era uma descrição precisa de seus hábitos de sono, ele me disse para não deixar de mencionar que ele quase sempre acorda por volta das 2h e mexe no celular.

Felizmente, eu sempre fui uma dorminhoca pesada. Mas, à medida que entro na meia-idade, estou mais sensível à sua inquietude. Agora, quando me sinto cansada depois de uma noite de sono interrompido, o ressentimento se instala.

Segundo a cientista comportamental Wendy Troxel, autora de “Compartilhando os Lençóis: Guia de Todos os Casais para um Sono Melhor”, dormir bem é complicado quando mais de uma pessoa está envolvida.

— Muitas pessoas apreciam a sensação de segurança que pode vir de compartilhar a cama com um parceiro, mas, em alguns casais, o nível de perturbação começa a sobrepor os benefícios psicológicos — explica.

Uma pesquisa de janeiro da organização Sleep Foundation descobriu que 53% dos entrevistados que decidiram dormir separados disseram que isso melhorou a qualidade do sono. No entanto, o “divórcio do sono” não é a única opção. Pedimos a Wendy Troxel e outros especialistas algumas estratégias práticas para lidar com a hora de dormir com alguém inquieto.

Procure por um problema subjacente

O professor de psicologia clínica na Penn Medicine, Philip Gehrman, explica que “dorminhoco inquieto” é um termo amplo e não clínico que as pessoas tendem a usar para alguém que dorme de forma agitada ou se move muito, que, às vezes, realmente têm um distúrbio do sono subjacente:

— Incentive seu parceiro a consultar seu médico de atenção primária. Ele pode recomendar um centro de sono ou especialista para realizar um estudo do sono noturno, que procura condições como a síndrome das pernas inquietas, apneia do sono ou insônia crônica.

A professora associada clínica de neurologia no Albert Einstein College of Medicine, Shelby Harris, acrescenta que as pessoas têm medo de fazer um estudo do sono porque acham que vão ter que dormir em um laboratório, mas estudos de sono domiciliares não invasivos também são comuns.

Ajuste a Cama

Para Harris, a inquietude pode ser um sinal de desconforto, e algumas alterações trazem grandes benefícios.

— Unir dois colchões de solteiro com um conector pode ajudar, já que permite que você e seu parceiro determinem o quão macios ou firmes desejam que eles sejam e isso pode reduzir os movimentos do outro — indica.

Cobertas separadas também podem ajudar, afirma Troxel, observando que seus clientes às vezes colocam um edredom grande sobre ambos se a estética for uma preocupação.

Algumas camas têm tecnologia que permite aos casais ajustar cada lado, explica Harris. Você pode ainda investir em protetores de colchão individuais com capacidades de aquecimento ou resfriamento.

Respeite os Padrões de Sono do Seu Parceiro

Os padrões de sono são parcialmente inatos, e os casais podem enfrentar problemas ao tentar se sincronizar. Notívagos podem ficar agitados porque ainda não estão realmente cansados, e isso pode manter o parceiro acordado.

— Há essa ideia de que “bem, temos que ir para a cama ao mesmo tempo, senão há algo errado com nosso relacionamento”. Não! — afirma Gehrman — Talvez uma pessoa só precise se deitar mais cedo do que a outra e cair em um sono profundo antes que a coruja noturna entre no quarto.

A maior parte do sono profundo acontece no primeiro terço da noite, acrescenta o especialista, então dar ao parceiro que vai para a cama mais cedo 30 a 45 minutos de dianteira antes de você se infiltrar é uma boa regra.

Olhe para Dentro

Troxel trabalhou com casais em que um parceiro tem insônia ou algum outro problema, mas atribui erroneamente suas despertares a um companheiro de cama.

Os especialistas acrescentam que observar seus próprios hábitos e higiene do sono pode ajudar. Então, deve-se considerar se há medidas que você pode tomar para dormir mais profundamente, mesmo que seu parceiro esteja acordado. Por exemplo, álcool ou cafeína estão fragmentando seu sono? O estresse está causando uma espiral mental toda vez que você acorda?

Tire o Peso da Ideia do Divórcio do Sono

Alguns parceiros simplesmente são mais felizes e descansados se concordam em dormir em camas separadas, afirmam os especialistas, especialmente se uma pessoa não consegue controlar sua inquietude ou ronco. Shelby Harris incentiva esses casais a reservarem alguns minutos para construir intimidade antes de irem para a cama — talvez lendo um ao lado do outro ou ficando de conchinha por algum tempo.

Ambos os parceiros devem ter sua própria cama ou quarto confortável para dormir, recomenda a professora, embora reconheça que nem sempre isso é possível.

Seja objetivo ao discutir problemas de sono e soluções potenciais (“Mas não às 2 da manhã!”, acrescenta Troxel) e enfatize o quão valioso é um bom sono para a saúde de ambos e para o seu relacionamento em geral.

— É na verdade uma conduta pró-relacionamento discutir abertamente os desafios que surgem naquele aproximadamente um terço de nossas vidas que passamos dormindo e com nosso parceiro — defende a especialista.

 

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