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Mobilidade urbana
Novo secretário da STTU quer redesenhar transporte público antes da licitação
Novo responsável pela STTU detalha ações para modernizar pasta e, além disso, o mais importante: tirar do papel a licitação do transporte público de Natal
Redação
01/02/2021 | 07:30

O economista e ex-chefe de gabinete da prefeitura de Natal, Paulo César Medeiros, assumiu a Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) com a missão de reformular o trânsito e o transporte público da capital potiguar. Em entrevista ao Agora RN, o novo chefe da pasta busca reestruturar a malha viária do transporte urbano, agilizar o fluxo burocrático interno e reforçar a educação de pedestres e motoristas.

A licitação do transporte público de Natal será um dos principais desafios para a nova gestão. O processo vem se arrastando desde 2013 e o serviço segue sendo ofertado de forma deficiente, com permissão para rodar com cerca de 80 linhas. Após sucessivos adiamentos, editais desertos e restrições impostas pela pandemia de Covid-19, a licitação segue indefinida.

O secretário também falou sobre a intenção de implementar condições adequadas para incentivar o uso de bicicleta na cidade e promover ações de educação no trânsito. Ele substitui a engenheira civil Elequicina Santos, que deixou a STTU após sete anos.

Confira a entrevista com Paulo César Medeiros, o novo titular da Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal:

Agora RN – Após passagens por cargos de chefia nas áreas de finanças, administração e recursos humanos, tanto no município quanto no Governo do Rio Grande do Norte, qual a sua expectativa em assumir a pasta de Mobilidade Urbana?
Paulo César Medeiros –
Substituir Elequicina [dos Santos] não é uma tarefa fácil, mas assumo com a experiência de ser um especialista em gestão. Conto com a colaboração de uma equipe muito competente e aguerrida na questão de mobilidade da cidade. Estamos focando em um redesenho da rede para viabilizar todas as outras ações na área de transporte e melhoria nas áreas de trânsito também. Internamente estamos pensando em atualizar a instituição com a redefinições de papeis, por exemplo. A tecnologia também é uma forma de implementarmos um avanço e trabalharemos forte nesse aspecto.

Agora RN – Já conseguiu mapear os principais pontos que precisam de uma melhora imediata?
P.C.M. –
Internamente a gente precisa melhorar o fluxo de processos porque a gente precisa melhorar o atendimento das pessoas que vêm buscar algum tipo de ajuda. Em relação ao transporte nós temos que redesenhar a rede pra poder fazer o processo licitatório. Além disso tem ainda as melhorias contínuas, que são as vias públicas, sinalização. Temos tarefas centrais, mas também temos atividades que precisam ser feitas como a emissão de um carteira de idoso para estacionamento, que é uma coisa simples de se fazer, mas que precisa ser otimizada.

Agora RN – Como a pandemia influencia no jeito de se pensar mobilidade urbana em Natal, sobretudo em relação ao transporte público que sofre um grande estresse neste momento?
P.C.M. –
A gente não sabe exatamente o que vai acontecer, mas vemos algumas coisas acontecendo diferente. Antes da pandemia, tivemos uma redução e 35% do transporte público e isso causa um impacto. Depois foram perdidos 80% durante o pico da pandemia, depois da reabertura do comércio ganhou 20%, então nós ainda temos uma perda de 60% hoje. Isso impacta a rede e o nosso desafio é redesenhar essa rede enxergando esse novo normal. Esse novo normal será diferente do que muitas pessoas pensam porque alguém gostou de locomover de bicicleta, comprou uma moto, ou resolver andar um pouco mais. O número de passageiros caiu e a missão é encontrar um ponto de equilíbrio para isso.

Agora RN – O uso da bicicleta vem se tornando cada vez mais frequente, inclusive como alternativa de transporte na pandemia. Natal tem projeto para se tornar uma cidade mais atrativa para ciclistas?
P.C.M. –
Não tenha dúvidas. Independente de pandemia, essa modalidade tem sido uma opção no mundo todo e Natal não pode ser diferente. Já iríamos ampliar as ciclovias e agora mais ainda porque estamos percebendo uma adesão à bicicleta muito maior porque as pessoas querem evitar aglomerações. O que a pandemia fez foi catalisar o processo. Estimo que Natal seja uma cidade que adira ao uso de bicicleta e vamos incentivar isso.

Agora RN – E a atualização do Plano Municipal de Mobilidade?
P.C.M. –
A gente quer esse ano ter um plano de mobilidade atualizado. Não podemos nos adiantar muito porque a pandemia nos traz muitas incertezas. A gente quer um plano suficientemente flexível e que possa se movimentar para privilegiar esse ou aquele modal. A gente precisa ter a capacidade de pensar em um plano que possa mudar, porque o que nós pensamos para o começo de 2021 não servirá para o fim de 2021. A única constância que temos é a inconstância. Por isso a gente precisa de um política que dê mobilidade, rapidez e conforto.

Agora RN – Após sucessivos adiamentos e editais desertos, como está o processo licitatório para Natal? Existe uma data para ele ser retomado?
P.C.M. –
Tivemos solicitações desertas e só podemos concluir com isso que a modelagem precisa ser refeita para que apareçam interessados. Por isso a gente quer redesenhar a rede antes mesmo da licitação para que os participantes percebam que o sistema está melhor. Não podemos ter linhas tão longas. Esse novo desenho das linhas é justamente para que o tempo de espera seja curto e que o ônibus seja confortável e que as pessoas tenham uma boa viagem. É precipitado falar em prazos porque a pandemia não acabou e o perfil das pessoas que usam o sistema está suspenso. Acredito que só será possível a gente ter uma segurança sobre o fluxo de pessoas quando a vida voltar ao normal.

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