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Fenômeno
Novo ciclone bomba se forma no Sul do Brasil; ventania pode chegar a 80 km/h
Ciclone está em alto-mar e não provocará ventania na mesma intensidade da ocorrida em julho, quando a velocidade dos ventos chegou a 120 km/h
Redação
14/09/2020 | 16:31

Um novo ciclone bomba está em formação no Sul do país. Mas, diferentemente do fenômeno que causou mortes e destruição em julho, o novo ciclone irá ocorrer longe da costa, o que diminui a chance de catástrofe.

À CNN, o meteorologista André Madeira, da Climatempo, explicou, nesta segunda-feira 14, que o ciclone está em alto-mar e não provocará ventania na mesma intensidade da ocorrida em julho, quando a velocidade dos ventos chegou a 120 km/h.

“Vai provocar rajadas de moderada a forte, especialmente no extremo sul e leste do Rio Grande do Sul e também no leste de Santa Catarina. A gente espera rajadas entre 70 km/h a 80 km/h”, classificou, frisando que “não veremos imagens tão duras” como em julho. “A influência sobre o continente é mais leve.”

Ainda segundo o especialista, “a formação desses ciclones extratropicais é comum nessa época do ano”. Apesar de não trazer riscos, a formação do novo ciclone deve trazer uma massa de ar polar, que causa um frio mais intenso nos estados do Sul do país. 

Chuva escura

O especialista ainda explicou outro fenômeno observado no Sul do país. Moradores de São Francisco de Assis, no interior do Rio Grande do Sul, compartilharam imagens de água da chuva com coloração escura. 

“Toda essa fumaça provocada pela queimada vai para a atmosfera, e estamos com uma situação em que a circulação dos ventos é de norte para sul, então levanta essa pluma de fumaça em direção ao sul do Brasil”, esclareceu.

Apesar das evidências apontarem para a relação entre a chuva turva e as queimadas que consomem o Pantanal, Madeira afirmou que é necessária uma apuração mais precisa para comprovar essa ligação.

“Mas as chances são grandes e é quase certo que tenha origem nas queimadas no Centro-Oeste do Brasil”, concluiu.

De acordo com imagens do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a fumaça das queimadas que devastam a Amazônia e o Pantanal começou a chegar nos últimos dias às regiões Sul e Sudeste do país.

Dados do instituto indicam que entre janeiro e agosto deste ano foram registrados 10.153 focos de incêndio no Pantanal – número superior ao total registrado entre 2014 e 2019 (10.048).

O que é um ciclone bomba?

Como o próprio nome já diz, o ciclone extratropical se forma fora das regiões tropicais do globo. Não é a primeira vez que um ciclone desse tipo atinge o país. Na verdade, sua chegada é até comum no outono e inverno.

Na América do Sul, os ciclones extratropicais costumam ter origem no oceano, perto do litoral da Argentina e do Uruguai. O episódio observado ontem teve início próximo ao Paraguai e seguiu pela costa sul brasileira. Agora, o ciclone deve continuar sua trajetória até perder força e se dissipar no oceano. 

O ciclone ocorre quando há o encontro de um centro de baixa pressão com outro de alta pressão. Funciona assim: primeiro, a temperatura do mar supera os 27 ºC.

Devido a essa temperatura, a água começa a evaporar, o que gera umidade e colabora para a formação de nuvens. Temos aí um centro de baixa pressão. Ao chegar lá em cima, esse ar que evapora se depara com um vento seco, sem umidade, aquilo que chamamos de frente fria. Essa representa um centro de alta pressão, que resfria o ar e joga-o novamente para baixo.

Então, o ar fica preso em um grande vai e vem: esquenta e sobe, esfria e desce. Esse movimento repetitivo, chamado de convecção, acaba gerando uma queda da pressão atmosférica no centro do sistema. Normalmente, a pressão de um ciclone costume se manter entre 980 e 1005 hPa (sigla para hectopascais, unidade usada para medir a pressão no centro do ciclone). 

O que a meteorologia diz sobre o ciclone bomba?

A meteorologista Doris Palma explicou, ao site Tempo Agora, que “um ciclone bomba nada mais é do que uma área de baixa pressão, que apresenta uma queda rápida na pressão atmosférica, de 24 hPa ou mais, em um período de 24 horas”. Ou seja, a queda de um hectopascal por hora é o que diferencia o ciclone bomba de outros ciclones comuns.

Pode parecer um número pequeno, mas quanto menor a pressão, maior a força do ciclone. Quando a pressão cai abaixo de 980 hPa, o ciclone pode ter intensidade semelhante a de um furacão. Foi o que aconteceu em 1919, no Canadá, quando um ciclone chegou a 928 hPa – e foi tão forte quanto um furacão da categoria 4 na escala de Saffir-Simpson.

O ciclone bomba tem relação com tempestades e ventanias?

O fenômeno é comumente relacionado a grandes tempestades, ventanias e ressacas marítimas. Essas ressacas caracterizam o movimento anormal das ondas em conjunto ao aumento do nível do mar. No sul do Brasil, os ventos chegaram a atingir a velocidade de 120 km/h, derrubando árvores e arrancando telhados de casas e estabelecimentos.

*Com informações da CNN Brasil e do Jornal Contábil

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