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Preocupante
Circulação de novas variantes elevam contágio da Covid-19 entre crianças
Em todo o RN, de janeiro de 2020 a março de 2021, 18 crianças e adolescentes de 0 a 18 anos faleceram em decorrência do vírus, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). Apesar de não serem considerados grupo de risco, os mais jovens devem ser foco de atenção em razão das novas variantes do coronavírus
Redação
16/03/2021 | 00:26

Uma criança de apenas 6 anos de idade foi vítima da Covid-19 no Rio Grande do Norte na última quarta-feira, 10. No dia seguinte, um menino de 8 anos faleceu com suspeita de Covid-19, e agora a causa morte está sendo investigada pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Em todo o RN, de janeiro de 2020 a março de 2021, 18 crianças e adolescentes de 0 a 18 anos faleceram em decorrência do vírus, de acordo com dados da pasta.

Apesar de não serem consideradas grupo de risco para a contaminação com o coronavírus, as crianças e os adolescentes devem ser foco de mais atenção, principalmente se tratando das novas variantes do vírus, que são mais transmissíveis. É o que defende o infectologista Alexandre Motta.

“Quanto maior o número de pessoas doentes, maior o número de pessoas contaminadas com forma grave, e maior probabilidade que crianças, que teriam menor risco de adoecer de forma grave, possam adoecer. E obviamente que vai aumentar o número de crianças com a forma grave”, argumenta o médico.

Para ele, as crianças e adolescentes deveriam ser motivo de atenção desde a primeira onda, pois mesmo não sendo o grupo mais atingido pela doença, podem ser transmissores.

“A criança contaminada vai transmitir pros idosos que estão em casa, para as pessoas que têm comorbidade, para o professor na escola, tem esses dados todos que têm que ser levados em consideração. A criança deve ser protegida porque na hora que protege ela, protege o seu entorno”, explica.
Para que haja essa segurança, o médico explica que a melhor forma de pais e familiares protegerem suas crianças é através do exemplo de usar a máscara corretamente, lavar as mãos, manter o isolamento social, etc.

“O maior indutor de comportamento é o exemplo, se o pai não dá o exemplo, se a família não se comporta de maneira a prevenir a Covid, a criança dificilmente o fará. É importante que os pais, os familiares, tenham um comportamento responsável quanto a si próprios, as crianças vão seguir o exemplo, isso eu não tenho dúvida. O problema é que a pessoa diz para a criança praticar, e ela própria não faz”, defende.

Além disso, Alexandre argumenta que não há condições para o retorno presencial das aulas nesse momento, visto que a criança pode ser infectada com o vírus na escola, através de outras crianças, ou ela mesma transmitir para alunos, professores e funcionários da escola.

“É uma cadeia de risco desnecessária. Acredito que, na medida em que tenhamos condições de vacinar grande parte da população, a gente possa resolver essa situação lamentável que o Brasil vive”.

O Rio Grande do Norte entrou em alerta no dia 20 de fevereiro, após o Instituto de Medicina Tropical, da UFRN, confirmar a circulação de duas novas variantes do coronavírus. A P.1, inicialmente identificada em Manaus (AM), e a P.2, registrada no Rio de Janeiro (RJ), às quais são associadas uma maior dispersão e transmissibilidade do vírus.

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)

As internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças e adolescentes apresentaram um avanço de 24% na média diária entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano em todo o Brasil, mostram dados do Ministério da Saúde.

Na esteira da disparada nacional da Covid-19, em que a SRAG aparece como uma das principais consequências, preocupa o salto entre os mais novos: enquanto 128 crianças entre 0 e 4 anos foram internadas em média por dia no mês de dezembro, esse número saltou para 171 em fevereiro, um crescimento de 34%. As demais faixas etárias, de 5 a 9 anos e de 10 a 14 anos, também registraram aumentos, de 15% e 7%, respectivamente.

Síndrome Inflamatória

Ainda há poucas evidências científicas sobre a manifestação da Covid-19 em crianças, mas observou-se a presença de uma síndrome inflamatória chamada Multisystem inflammatory syndrome in children (MIS-C)1-3, traduzido para o português como síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P).

Foram registrados casos em países como Reino Unido, Itália, EUA e na América Latina. No Brasil, houve 380 casos de SIM-P, com 26 óbitos. No Rio Grande do Norte, 12 casos e 1 óbito em decorrência da complicação. O quadro da SIM-P inclui vômitos, dor abdominal, diarreia, febre, entre outras.

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