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Editorial
No meu colo não
Redação
30/04/2020 | 04:00

Dias atrás, ao avaliar sua persistente posição contra o isolamento social, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que reconhecia estar se arriscando, caso o número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil disparasse.
“Caso eles aumentem, vai cair no meu colo”, admitiu.

Agora, que os casos dispararam e o País superou a China, uma nação de bilhões de habitantes, em número de mortes pela pandemia, Bolsonaro fez o que já é uma de suas especialidades: negou a própria responsabilidade. Foi, mais uma vez, Bolsonaro.

“Isso não vai cair no meu colo”, afirmou esta semana, empurrando o problema para os estados.

Não dá para confiar mais no que diz o presidente, mesmo em situação de tamanha pressão.

Como se a situação precária da economia fosse também responsável pelas mortes (o que, por enquanto, não é), ele não hesita em colocar tudo na conta de prefeitos e governadores.

Embora ontem à tarde, enquanto dava posse ao novo ministro da Justiça, tenha tentado amenizar o “e daí?” do dia anterior, o fato é que a credibilidade de Bolsonaro só existe mesmo para quem acredita nele piamente.

Mesmo sabendo o que aconteceu no mundo nos últimos meses por causa da pandemia, bolsonaristas são pessoas avessas a fatos e deixam claro isso quando organizam manifestações de dentro de seus carros para exigir que milhões de pessoas voltem a trabalhar de ônibus.

Consta, inclusive, buzinaços em frente a hospitais, junto com palavras de ordem como o retorno do AI-5 e fechamento do Congresso.

Bolsonaro, como sempre, diz não ter nada a ver com isso e, como o garoto travesso que aperta a campainha de um estranho e sai correndo, ele não consegue admitir o mal que causa quando, deliberadamente, põe milhares de brasileiros de cara com o perigo.

De fato, graças às suas reiteradas ações contra o isolamento, caiu consideravelmente nos últimos dias o porcentual de pessoas que ficam em casa no País, mesmo podendo fazê-lo, o que – sabemos – vai estourar lá na frente nos hospitais.

O Brasil está mergulhando na fase mais perigosa da pandemia – foi assim em outros países -, mas o presidente segue de peito aberto, sem máscara, exibindo sua falta de empatia com seres humanos na condição de líder político de todos os brasileiros.

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