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Covid-19
“Ninguém tem mais dúvida se tem reinfecção, mas não se sabe a dimensão”, diz infectologista
Em Pernambuco, eram estudadas, até o dia 25 de novembro, dez suspeitas de reinfecção pelo novo coronavírus. No início do mês, cinco casos haviam sido anunciados e tiveram seus resultados enviados ao Ministério da Saúde
JC
02/12/2020 | 10:40

A poucos dias de completar um ano da divulgação do primeiro caso de covid-19 no mundo, a dúvida que fica, agora, não é mais sobre sintomas, testes ou isolamento, mas se é possível que haja uma reinfecção para quem já foi positivado. A doutora em infectologia, pesquisadora e professora de doenças tropicais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Vera Magalhães respondeu, em entrevista à Rádio Jornal, nesta quarta-feira (2), que “não tem mais dúvidas” que pode acontecer uma segunda infecção, mas que maiores detalhes sobre a reincidência do vírus ainda são estudados.

“Para a gente ter certeza de uma reinfecção teria que ter positividade, negatividade e, novamente, depois de algumas semanas ou meses, nova positividade. para a gente ter certeza que não seria uma reativação viral, teríamos que ter o sequenciamento genético do vírus para observar que tratou-se de uma nova variante. Ninguém tem mais dúvida se tem infecção, mas não se sabe a dimensão disso”, explica.

Em Pernambuco, eram estudadas, até o dia 25 de novembro, dez suspeitas de reinfecção pelo novo coronavírus. No início do mês, cinco casos haviam sido anunciados e tiveram seus resultados enviados ao Ministério da Saúde. Para a SES, esses primeiros registros são “possíveis casos de reinfecção”, pois atendem todos os critérios descritos para análise pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará. Os pacientes são do Recife (4) e de Olinda (1). Os outros cinco estavam em análise para verificar se atendiam a todos os critérios para encaminhamento ao IEC. Dois são moradores de Olinda, e há outros do Sertão: Araripina (1), Carnaíba (1) e São José do Egito (1).

Outros Estados, como São Paulo, Acre, Ceará e Sergipe, têm registrado possíveis casos de segunda infecção pelo novo coronavírus, após terem se recuperado do primeiro episódio da doença. Pelo mundo, os Estados Unidos, Hong Kong, Bélgica, Holanda e Equador já confirmaram casos de reinfecção. Além disso, no último sábado (21), um novo quadro de segundo episódio de covid-19 foi relatado em Seul (Coreia do Sul). Uma mulher de 21 anos teve a doença em dois momentos distintos, num intervalo de 26 dias. O estudo de caso foi publicado na revista científica Clinical Infectious Disease.

No Brasil, para Vera, a reinfecção é mais difícil de ser detectada, pelo baixo número de testes. “A gente tem essa dificuldade maior porque a gente não testa, mas é possível, mesmo que a gente não possa comprovar”. Ela também critica uma falta de plano de ação do governo federal e pela provável perca de cerca de 6,86 milhões de testes para o diagnóstico do novo coronavírus comprados pelo Ministério da Saúde, que perdem a validade entre dezembro deste ano e janeiro de 2021 e não foram distribuídos.

“Houve uma perda criminosa de testes que foram vencidos e não foram distribuídos pelo governo federal. Chamo de criminosa porque falta um plano de ação, não só com os testes, mas também para verbas emergenciais que não foram repassadas no uso contra a pandemia que é a mais grave do século”, afirma.

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