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Depoimento
Negacionismo do governo leva pessoas à irracionalidade, diz cientista à CPI
Natalia Pasternack e Claudio Maierovitch são ouvidos nesta sexta-feira 11. Ambos os cientistas criticaram cloroquina e falta de planejamento
Poder360
11/06/2021 | 12:55

A microbiologista Natalia Pasternack disse nesta sexta-feira 11 à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado que o “negacionismo” do governo mata e leva as pessoas à irracionalidade. Já o médico Claudio Maierovitch criticou o planejamento e a falta de regras homogêneas para a vacinação.

Sobre a cloroquina, remédio defendido pelo presidente Jair Bolsonaro como tratamento precoce para covid-19 e que não tem eficácia comprovada, Pasternack declarou que o medicamento só funcionou em tubos de ensaio com células genéricas. Não bloqueia o vírus em células respiratórias. Afirmou que Brasil está 6 meses atrasado por ainda discutir isso.

“Não funciona em células do trato respiratório, não funciona em camundongos, não funciona em macacos e também já sabemos que não funciona em humanos. A cloroquina já foi testada em tudo. A gente testou em animais, a gente testou em humanos, a gente só não testou em emas porque as emas fugiram, mas no resto a gente testou em tudo. E não funcionou.”

Em julho de 2020, Bolsonaro viralizou na internet depois de ser fotografado mostrando uma caixa de hidroxicloroquina para as emas criadas no Palácio do Alvorada.

A cientista disse ao colegiado do Senado que não há falta de informação sobre a ineficácia do remédio e por isso o negacionismo do governo é uma mentira.

“Estamos pelo menos 6 meses atrasados em relação ao resto do mundo que já descartou a cloroquina e aqui no Brasil a gente segue discutindo isso. Isso é negacionismo senhores, isso não é falta de informação. Negar a ciência e usar esse negacionismo em politicas públicas não é falta de informação, é uma mentira. E no caso triste do brasil é uma mentira orquestrada pelo governo federal e pelo ministério da saúde e essa mentira mata porque ela leva pessoas a comportamentos irracionais que não são baseados em ciência.”

PLANEJAMENTO E IMUNIDADE DE REBANHO

Já o médico Claudio Maierovitch criticou a falta de planejamento e de critérios homogêneos para a vacinação. Segundo ele, o Brasil poderia ter se preparado melhor para evitar a disseminação da doença no país.

“O que poderíamos ter tido desde o inicio. Em primeiro lugar a presença do estado com plano de contenção, era a ideia inicial, antes da pandemia entrar no brasil…para detecção rápida, para testagem, para isolamento, para reatamento de contatos, nós tínhamos experiencia para fazer isso no nosso Sistema Único de Saúde.”

Sobre a tese conhecida como imunidade de rebanho, quando muitas pessoas se contaminam e geram proteção para outras, Maierovitch disse que o governo tenta produzir isso no Brasil a custa da vida de brasileiros.

“Temos muitos coletivos no nosso dicionário, rebanho não é um deles. Rebanho se aplica a animais e fomos tratados dessa forma. Acredito que a população brasileira tem sido tratada dessa forma ao se tentar produzir imunidade de rebanho ao custo de vidas humanas.”

“Infelizmente o governo brasileiro se manteve na posição de produzir imunidade de rebanho com essa conotação toda para nossa população ao invés de adotar as medidas reconhecidas pela ciência para evitar essa crise”, declarou.

QUEM SÃO OS CIENTISTAS OUVIDOS NA CPI DA COVID

Natalia Pasternak Taschner – Formada em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, tem PhD com pós-doutorado em Microbiologia na área de Genética Molecular de Bactérias pela mesma instituição. É colunista do jornal O Globo, da revista The Skeptic UK, do portal Medscape, da revista Saúde, e autora do livro Ciência no Cotidiano, da editora Contexto. Atua como pesquisadora visitante do ICB-USP, no Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas (LDV) e como professora convidada na Fundação Getulio Vargas, na escola de Administração Pública.

Claudio Maierovitch – Médico pela USP (Universidade de São Paulo) e mestre em medicina preventiva pela mesma insituição. Ele também é especialista em Medicina Tropical pela UnB (Universidade de Brasília). Foi coordenador na Secretaria da Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde de 2015 a 2016 e atualmente é sanitarista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

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