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Eleições 2020
Natal deve ter recorde de abstenção e votos nulos, analisa consultor político
Para Gaudêncio Torquato, previsão é reflexo da indignação e desprezo da sociedade em relação à classe política. “De uns tempos para cá, o que vemos é as pessoas dando as costas para a política e seus representantes”, diz professor, que é consultor político. Pesquisa Ibope divulgada na semana passada aponta que 20% não pretendem votar em nenhum candidato
Pedro Trindade
14/10/2020 | 05:05

Faltando só pouco mais de um mês para as eleições municipais de 2020, 20% dos eleitores natalenses não pretendem votar em nenhum dos 14 candidatos à prefeitura, segundo dados da pesquisa Ibope divulgada na semana passada pela InterTV Cabugi. O número é superior à soma das intenções de votos de Kelps Lima (Solidariedade) e Hermano Morais (PSB), 2° e 3° colocados no levantamento, com 12% e 6%, respectivamente.

Para o doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) Gaudêncio Torquato, que é consultor político, o resultado é reflexo da indignação e desprezo da sociedade em relação à classe política. “De uns tempos para cá, o que vemos é as pessoas dando as costas para a política e seus representantes. A eleição deste ano culmina em fatores como ódio pela corrupção e repúdio pela ‘velha política’” comenta.

O votos brancos e nulos, de acordo com ele, devem passar a marca dos 20%, seguindo a tendência de crescimento observada nos últimos pleitos.

Gaudêncio Torquato, um potiguar conhecedor da dinâmica política do RN, pontua que tal comportamento, aliado ao cenário de pandemia vivenciado, provocará abstenção recorde nas eleições de 2020. “Não tenho dúvidas que passaremos dos 30% de abstenção. Tenho amigos que estão em casa há mais de sete meses. Existem muitas pessoas assim, além dos integrantes do grupo do risco da Covid-19, que foram dispensados de comparecer à seção eleitoral”, destaca.

Ele completa que “o medo vai estar presente nas urnas”, pois “o novo coronavírus não deixará de comparecer à zona eleitoral”.

A fim de minimizar o contágio nas seções eleitores, uma nova versão do e-Título foi disponibilizada para permitir aos eleitores justificar a ausência nas votações de 15 de novembro (1º turno) e 29 de novembro (2º turno), até 60 dias após cada pleito, por meio dos celulares e tablets.

Gaudêncio Torquato reforça que o voto tem sido usado pelos eleitores como arma para protestar contra o que está errado em seu município, mas que a decisão na urna pode sofrer interferências do que classificou como “nacionalização dos votos”.

“É o momento que muitos têm para ‘dar o troco’ em quem realiza uma má gestão, enquanto outros seguirão na polarização que existe entre apoiadores e opositores do presidente Jair Bolsonaro. Acredito que, ao contrário de grandes metrópoles, pequenas capitais não serão tão afetadas”, explica.

O especialista, entretanto, reconhece que, em Natal, simpatizantes e seguidores do presidente devem votar em postulantes com discurso conservador e tradicional.

Na capital potiguar, assim como no restante do País, Torquato acredita que a “nova força social, organizada e refugiada em centros de referências, como sindicatos, associações e movimentos, definirá os candidatos eleitos”.
Ele diz ainda que a forma como os gestores lidaram com a pandemia do novo coronavírus vai influenciar na eleição. Ele declarou que uma má administração no enfrentamento à Covid-19 culminará em uma derrota nas urnas; resultado oposto no caso de uma boa gestão da crise sanitária.
“Recebi um vídeo de um vereador sendo expulso a pauladas pela população de uma comunidade periférica, pois a última vez que ele tinha ido ao local foi há quatro anos, justamente no período eleitoral”.

Gaudêncio Torquato diz que o vídeo sintetiza a imagem da eleição vigente, que será marcada pela renovação, e justifica sua análise em uma frase que convida à reflexão. “O voto está saindo do coração e subindo para cabeça”, finaliza.

Análise Histórica

O número de eleitores que votam em branco ou nulo tem aumentado nas últimas eleições.

Em 2016, quando Carlos Eduardo Alves (PDT) foi reeleito prefeito com 63,42% dos votos, os votos nulos representaram 12,56% dos eleitores e os brancos, 4,61%. Somados, os resultados foram 3,8 pontos percentuais maiores que os 13,37% dos votos válidos destinados ao segundo candidato, Kelps Lima (Solidariedade).

A abstenção nesta eleição em questão, ou seja, o número de faltosos, foi de 19,60%.

Já na disputa de 2012, os votos brancos (4,42%) e nulos (7,28%) somaram 11,7% no 1º turno, número que cresceu no 2º turno entre Carlos Eduardo e Hermano Moraes (PMDB, na época), atingindo 13,17%.

As abstenções no 1º e 2º turno foram de 18,32% e 19,44%, respectivamente.

Votos brancos e nulos são a mesma coisa?

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclarece que “votos nulos” são como se não existissem. Quando o eleitor digita “00” na urna, por exemplo, este voto não é válido para fim algum, nem mesmo para determinar o quociente eleitoral. O voto branco também não é levado em conta para nada.

Apesar disso, o TSE reforça que o voto no Brasil é obrigatório – o que significa dizer que o eleitor deve comparecer à sua seção eleitoral, na data do pleito, dirigir-se à cabine de votação e marcar algo na urna, ou, ao menos, justificar sua ausência. “O voto tem como uma das principais características a liberdade. É dizer, o eleitor, a despeito de ser obrigado a comparecer, não é obrigado a escolher tal ou qual candidato, ou mesmo a escolher candidato algum”, reforça.

O TSE completa que a medida “diz respeito à liberdade do voto a possibilidade de o eleitor optar por votar nulo ou em branco”. “É imprescindível, no entanto, que esta escolha não esteja fundamentada na premissa errada de que o voto nulo poderá atingir alguma finalidade – como a alardeada anulação do pleito. Se o eleitor pretende votar nulo, ou em branco, este é um direito dele. Importa que esteja devidamente esclarecido que seu voto não atingirá finalidade alguma e, definitivamente, não poderá propiciar a realização de novas eleições”.

Entenda como vai ser a votação em meio à pandemia da Covid

Proteção dos mesários

A máscara será obrigatória, e o eleitor não vai poder votar sem ela. Todas as seções vão ter álcool em gel para que os eleitores limpem as mãos antes e depois da votação. Além disso, mesários vão receber máscaras, álcool e um face shield. A máscara deve ser trocada a cada quatro horas e o face shield (espécie de capacete) deve ser usado a todo momento.

Caneta do eleitor

O TSE pede para que os eleitores levem sua própria caneta. Não haverá identificação biométrica. O eleitor também não vai precisar entregar seu documento ao mesário, apenas mostrá-lo a distância.

Caso seja necessário, o mesário pode pedir para que o eleitor se distancie e abaixe a máscara para conferir sua identidade.

Não será permitido comer ou beber nada na fila de espera. A medida é para evitar que as pessoas tirem a máscara.

justificar falta
Quem estiver com febre ou tenha testado positivo para Covid-19 duas semanas antes da eleição vai precisar ficar em casa e justificar a falta por esse motivo. O eleitor pode usar o e-Título.

Horário de votação

O horário de votação foi ampliado, sendo das 7h da manhã até as 17h. O período das 7h às 10h vai ser preferencial para maiores de 60 anos.

O que está em jogo?

Nas eleições 2020, serão eleitos novos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nos 5.570 municípios brasileiros, para mandatos de 2021 a 2024. Depois do adiamento, devido à pandemia da Covid-19, ficou determinado que o primeiro turno vai ocorrer no dia 15 de novembro e o segundo no dia 29 do mesmo mês.

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