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A dúvida
‘Não tenho nada a temer’: o desabafo da virologista chinesa no centro da teoria de que a Covid vazou de laboratório
Em rara entrevista, Shi Zhengli diz que as especulações sobre o laboratório em que ela trabalha em Wuhan são infundadas; o sigilo da China, no entanto, dificulta a confirmação de suas afirmações
New York Times
16/06/2021 | 13:33

Para um coro crescente de políticos e cientistas dos EUA, ela é a chave para saber se o mundo algum dia irá descobrir se o vírus por trás da devastadora pandemia da Covid-19 escapou de um laboratório chinês. Para o governo e a população chinesa, ela é uma heroína do sucesso do país na contenção da pandemia e uma vítima de teorias da conspiração maliciosas.

Shi Zhengli, uma importante virologista chinesa, está mais uma vez no centro das narrativas conflitantes sobre sua pesquisa do novo coronavírus em um laboratório estatal em Wuhan, a cidade onde o vírus foi identificado pela primeira vez.

A princípio, a ideia de que o vírus poderia ter escapado de um laboratório foi altamente rejeitada por cientistas, sendo considerada implausível — a maioria deles acredita que ele passou de um animal para um humano fora de um laborátório. No entanto, pedidos do governo Biden para investigar a teoria a fundo e apelos de cientistas proeminentes por mais transparência trouxeram-na de volta ao primeiro plano.

Em geral, cientistas concordam que não há evidências diretas que apoiem a teoria de que o vírus escapou do laboratório. No entanto, muitos deles agora dizem que a hipótese foi descartada com muita pressa, sem uma investigação completa, e apontam para uma série de questões preocupantes.

Alguns cientistas dizem que Shi conduziu experimentos arriscados, que não eram seguros o suficiente, com coronavírus de morcegos em laboratórios. Outros querem mais clareza nos relatórios, citando um documento da Inteligência dos EUA que sugere que funcionários do Instituto de Virologia de Wuhan podem ter contraído a Covid-19 antes de Pequim relatar os primeiros casos da doença.

Shi negou essas acusações e agora defende a reputação de seu laboratório e, de maneira mais ampla, de seu país. Contatada por celular há duas semanas, ela disse a princípio que preferia não falar diretamente com repórteres, citando as políticas de seu instituto. No entanto, ela mal conseguia conter sua frustração.

— Como posso fornecer evidências de algo que não tem evidências? — disse ela.

“Não sei como o mundo chegou a isso, despejando imundície constantemente sobre uma cientista inocente”, escreveu Shi depois em uma mensagem de texto.

Em uma rara entrevista por e-mail, ela classificou as suspeitas como infundadas, incluindo as alegações de que vários de seus colegas podem ter adoecidos antes dos primeiros casos relatados. A especulação se reduz a uma questão central: o laboratório de Shi continha alguma fonte do novo coronavírus antes da erupção da pandemia? A resposta dela é um enfático não.

Mas a recusa da China em permitir uma investigação independente em seu laboratório, ou em compartilhar dados sobre sua pesquisa, dificulta a validação das afirmações de Shi e só alimentou as suspeitas sobre como a pandemia poderia ter se espalhado na mesma cidade que hospeda um instituto conhecido por seu trabalho com coronavírus de morcegos.

Aqueles que concordam com a hipótese da origem natural, no entanto, destacam a posição de Wuhan como um importante hub de transportes, além de um estudo recente que mostra que, pouco antes da pandemia estourar, os mercados da cidade estavam vendendo muitas espécies de animais capazes de abrigar patógenos perigosos que poderiam saltar para humanos.

O governo chinês não deu sinais de que Shi esteja sob suspeita. Apesar do escrutínio internacional, ela seguiu com suas pesquisas e palestras na China..

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