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Câmara Federal
“Não fui eleito para ser carneirinho”, diz General Girão sobre expulsão do PSL
Deputado federal afirma que ainda não definiu para qual sigla irá seguir após processo de desfiliação e que trabalha para fundar o Aliança pelo Brasil
Bruno Vital
14/01/2021 | 06:13

A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados marca mais um episódio conturbado da crise interna do PSL, legenda pela qual Jair Bolsonaro, hoje sem partido, se elegeu presidente da República em 2018. Isso porque o líder da sigla, Luciano Bivar (PSL-PE), anunciou apoio ao candidato Baleia Rossi (MDB-SP), que é o parlamentar apoiado por Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O anúncio de apoio ao candidato do bloco de Maia aumentou ainda mais o estresse interno no PSL. Parte dos deputados da legenda decidiu se “rebelar” e seguir leal a Bolsonaro ao apoiar a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à sucessão de Maia. Entre eles está o deputado federal General Girão, da bancada potiguar. Desde 2019, ele questiona a condução interna do PSL e tenta deixar o partido.

“Não tenho como aceitar, não fui eleito para ser um carneirinho. O presidente do PSL decide fazer um acordo com o Baleia Rossi, não sei o que fez parte do acordo, e está se posicionando como sendo a maioria dos deputados do PSL. Isso não é verdade. Numa rápida pesquisa com os demais colegas, nós juntamos 32 nomes que não concordam com a medida adotada pelo presidente do partido. O líder deve representar seus liderados. A maioria não pode ser comandada por uma minoria desse jeito, isso não é democracia, isso tem outro nome”, afirmou Girão em entrevista ao Agora RN.

Dos 32 nomes dissidentes do PSL que decidiram apoiar Arthur Lira, 20 foram encaminhados ao Conselho de Ética pela Executiva Nacional do partido. Entre eles está o de Girão, que poderá ser expulso da legenda juntamente com os demais. “Não expulsar é passar atestado de boa conduta para quem é infrator”, declarou o deputado Junior Bozzella (PSL-SP) em conversa com a imprensa na terça-feira 12. O PSL tem atualmente 52 parlamentares.

A ideia do partido é efetivar a “expulsão consensual” de alguns parlamentares para retomar a maioria da bancada em apoio a Baleia Rossi. A proposta é vista como desrespeitosa pelos deputados porque a expulsão pode ser entendida como uma tentativa de burlar a legislação da fidelidade partidária. Diante do clima de insatisfação, o embate entre deputados e partido poderá ter desfecho nos tribunais.

“Vou entrar na Justiça pedindo que me explique o porquê da minha expulsão. Eu já demonstrei desde o ano retrasado que eu não quero mais continuar no PSL. Entramos com o pedido de desfiliação por justa causa, que é o que caberia ao PSL aceitar, mas eles não estão aceitando, eles querem nos expulsar, querem fazer prevalecer a vontade da minoria. Tenho usado um termo que é o ‘tribunal de exceção’ porque não está tendo o direito de se defender. Já aconteceu a primeira reunião na terça e nós não fomos chamados e vai acontecer outra reunião no Conselho de Ética quando nós já estamos condenados”, criticou Girão.

O deputado federal pelo Rio Grande do Norte afirma ainda que não definiu para qual sigla irá seguir e trabalha na fundação do Aliança pelo Brasil. A organização política encabeçada por Jair Bolsonaro tentou fundar um partido às vésperas da eleição de 2020, mas fracassou ao conseguir juntar apenas 9% das assinaturas necessárias para criação da legenda, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em um cenário de indefinição sobre o Aliança pelo Brasil, Girão afirma que poderá seguir uma eventual adesão de Jair Bolsonaro a um partido ligado ao “centrão”.

“De uma forma geral, o que a gente vê no Brasil é que os partidos são uma franquia, como se fosse uma empresa para ganhar dinheiro. Não tenho sigla ainda, estou participando do processo de criação do Aliança pelo Brasil. A gente pretende fazer um partido conservador, que valorize a vida desde a concepção, valores da família, direito de propriedade e de defesa. Sobre o centrão, minha ideia quando entrei na política foi ser leal ao presidente Bolsonaro. Apoio as ações do governo, mas se tiver alguma que eu não concordo eu emito opinião e voto contra. Tem sido assim. Espero que o presidente Bolsonaro tome a melhor decisão utilizando a experiência dele na política”, comentou.

Apoio a Arthur Lira

A manifestação pública de apoio ao candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara acontece após desentendimentos com Rodrigo Maia, de acordo com o parlamentar. General Girão acredita ainda que sob um eventual mandato de Lira, os deputados poderão dar andamento a uma reforma política, que incluiria, por exemplo, a candidatura avulsa, sem a necessidade de filiação a partido.

“O Rodrigo Maia negou tudo que ele tinha prometido antes. Ele disse que iria fazer um trabalho pela governabilidade, isto é, a Câmara iria trabalhar em legislar e não fez isso, continuou deixando que o Supremo Tribunal Federal continuasse legislando. Ele sentou em cima ainda do projeto de prisão em 2ª instância, quando, na verdade, a gente quer que seja prisão em 1º instância, podendo se defender, mas já estando preso. A gente pretende ainda fazer uma reforma política para acabarmos com fundo partidário, fundo eleitoral especial e que permita candidaturas avulsas. Hoje para ser candidato, você precisa ser filiado a um partido e precisa pagar por isso”, destacou.

Na sexta-feira 15, o deputado federal Arthur Lira faz uma visita ao Rio Grande do Norte para tentar buscar apoio da bancada potiguar. Em Natal, ele fará visitas ao prefeito Álvaro Dias e ao presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira.

Eleição na Câmara

A eleição do dia 1º de fevereiro para escolher o presidente da Câmara definirá também a Mesa Diretora (1º vice-presidente, 2º vice-presidente, quatro secretários e quatro suplentes) pelos próximos dois anos. A votação secreta precisa ter o quórum mínimo de 257 deputados (metade do número total de parlamentares + 1).

Maia conseguiu, até agora, o apoio formal de dez partidos: DEM, PDT, PSB, MDB, Cidadania, Rede, PV, PCdoB, PSDB, PSL e PT. A candidatura de Rossi, com apoio de Maia, é vista na Câmara como uma oposição ao governo federal.

Já Arthur Lira é apoiado formalmente por PP, PL, PSD, Republicanos, Solidariedade, Pros, PSC, Avante e Patriota. Ele tem ainda o apoio dos dissidentes do bloco de Rossi — como o grupo “rebelde” do PSL. No papel, levando em consideração o posicionamento formal dos partidos, o placar está 257 x 195 para Rossi. Em tese, o resultado já seria suficiente para uma eleição em primeiro turno, mas como o voto é secreto, as traições deverão definir o vencedor em uma contagem acirrada.

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