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Nova Zelândia
‘Não é humano’, dizem vítimas do agressor dos ataques em Christchurch
Supremacista branco de 29 anos, de nacionalidade australiana, foi considerado culpado por 51 assassinatos e por 40 tentativas de homicídio. Ele é confrontado nesta semana, pela primeira vez, com depoimentos de sobreviventes dos ataques a duas mesquitas de Christchurch
Estadão
25/08/2020 | 10:13

Sobreviventes dos ataques a mesquitas na Nova Zelândia expressaram sua raiva, nesta terça-feira, 25, no tribunal de Christchurch, contra o agressor Brenton Tarrant, chamando-o de “terrorista” e dizendo que ele “não deve nunca mais voltar a ver o sol”.

O supremacista branco de 29 anos, de nacionalidade australiana, foi considerado culpado por 51 assassinatos e por 40 tentativas de homicídio. Ele é confrontado nesta semana, pela primeira vez, com depoimentos de sobreviventes dos ataques a duas mesquitas de Christchurch, em março de 2019.

Tarrant, que poderia ser a primeira pessoa a ser condenada à prisão perpétua na Nova Zelândia, não reagiu e parecia indiferente às declarações dos sobreviventes.

“Não vi nenhum remorso, ou sinal de vergonha nos olhos do terrorista impenitente, então decidi não ler meu depoimento sobre as consequências (desse massacre) e, em vez disso, mostrar a ele a dor que ainda sofro”, disse Mirwais Waziri, exasperada diante do juiz Cameron Mander.

“Hoje você é um terrorista e nós, como muçulmanos, não somos terroristas”, disse Waziri ao autor do ataque, que se manteve impassível, enquanto os outros sobreviventes na sala aplaudiram. “Você age como um covarde e é um covarde. Você vive como um rato e merece isso. Você vai morrer sozinho, como um vírus que todo mundo evita”, censurou-o Zuhair Darwish, cujo irmão morreu durante o ataque.

“A punição justa para ele seria a pena de morte. Sei que a lei da Nova Zelândia aboliu a pena de morte para humanos, mas infelizmente ele não é um humano, não merece ser julgado como humano”, acrescentou.

‘Não é um ser humano’

Uma testemunha que não revelou seu nome pediu ao juiz que desse “a punição mais severa possível”. “Este homem deve permanecer na prisão para sempre (…), é um doente, não é um ser humano”, acrescentou a testemunha. “Não quero que o deixem ver o sol nunca mais, nunca, nunca mais”, frisou.

Enquanto era descrito como um “demônio” e um “criminoso odioso”, Tarrant apenas colocava a mão no queixo. Durante o massacre, Ambreen Naeem perdeu seu filho Talha e seu marido, Naeem Rashid, que foi considerado um herói após atacar Tarrant na mesquita de Al-Nur, salvando várias vidas.

“Depois da morte do meu marido e do meu filho, nunca mais tive um sonho correto e normal. Não acho que conseguirei ter de novo”, desabafou Ambreen Naeem, que considera que se trata de “um dano irreparável”. “Por isso acredito que sua punição deva ser eterna”.

Tarrant, que reconheceu sua culpa em março, disse que queria espalhar o medo entre a população muçulmana da Nova Zelândia, que ele descreve como “invasora”.

O julgamento começou na segunda-feira e 66 pessoas falarão no tribunal sobre as consequências do atentado em suas vidas. Após esses depoimentos, será a vez da fala de Tarrant, que decidiu se defender. O presidente do Alto Tribunal de Justiça de Christchurch anunciará a sentença na quinta.

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