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Editorial
Não é hora de afrouxar
Redação
08/04/2020 | 05:00

Com a segunda semana de confinamento social em vigor, as ruas de Natal estão com o trânsito bastante reduzido em relação a dias normais, da pré-pandemia, mas as aglomerações seguem aqui e ali, com muitas pessoas de idades variadas desprezando a orientação de usar máscaras caseiras e outros protocolos, como despir-se das roupas e tomar banho ao chegar em casa.

Não é um bom sinal, considerando uma quase certa disparada dos casos, que já começaram a assolar alguns estados da região, como o Ceará e Pernambuco.

A verdade é que as autoridades estão impotentes para conter tantas aglomerações, em boa parte deflagradas pela falta de dinheiro, com as contas batendo à porta, e em boa parte municiadas pela ignorância e a desinformação.

No Alecrim, a associação dos empresários do bairro, que orientou as lojas a abrir apenas no período da tarde, com o cuidado de evitar excesso de pessoas nos ambientes, jogou a toalha. Embora boa parte das lojas de redes maiores continuem fechadas, muitos estabelecimentos ignoraram a recomendação, abrindo desde as primeiras horas da manhã.Não é privilégio de Natal isso acontecer, já que a maioria das cidades brasileiras enfrenta o mesmo problema, enquanto não houver o isolamento forçado, que todos nós torcemos para não acontecer.

Se os casos locais ainda não explodiram, isso se deve ao confinamento social possível praticado por milhares de famílias até aqui.

O número de vítimas, segundo as previsões dos especialistas, continua avançando e poderá chegar a hora de endurecer as regras, quando o sistema de saúde já debilitado não conseguir mais recepcionar tantos casos, o que costuma se dar rapidamente.

A verdade é que, sem testes massivos, estamos no escuro. Com uma maioria de pessoas assintomáticas passando o vírus, que pode ficar em média 12 dias incubado, quando os casos eclodirem, será preciso que tenhamos planos de contingência preparados.

Nesse ponto, o Brasil pode ser tão extenso territorialmente quanto os Estados Unidos, mas a renda per capita da população e as condições sanitárias são drasticamente piores aqui do que lá.

Isso significa que a população brasileira sofrerá muito mais as consequências de uma alta acelerada de casos – embora quem veja a situação vivida em Nova Iorque neste momento não possa de sã consciência dizer que lá as pessoas não estejam cortando um dobrado.

Portanto, a ideia de estender o isolamento, apesar de levar muita gente à loucura, e com razão, deve ser considerada seriamente, enquanto o governo federal – com atraso, é verdade – começa só agora a liberar os recursos de emergência para trabalhadores e empresas.

A luta, agora, é para que o tempo passe rápido.

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