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Marcelo Hollanda
Na periferia, famílias voltaram a queimar lenha por falta de dinheiro para comprar um botijão de gás
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quarta-feira 15
Marcelo Hollanda
15/09/2021 | 08:35

Uma nota de R$ 5 foi avistada no NE
Quem não fala de investimentos enquanto toma um puro malte ou beberica vinhos caros degustando uma boa tábua de queijos tem muito medo da inflação.

A classe média, que perdeu plano de saúde e não sabe mais como manter a escola particular dos filhos, está agora assombrada com o preço da gasolina.

Na periferia de muitas cidades, famílias voltaram a queimar lenha por falta de dinheiro para comprar um botijão de gás.

Ontem, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avisou que não vai alterar um milímetro a política monetária a cada alta da inflação. E olha que elas têm sido muitas ultimamente.

Prometeu que a taxa básica de juros será elevada quantas vezes for necessário para manter a inflação no teto da meta.

Uma nota a parte foi o comentário de Campos Neto ao criticar a velocidade em que a Petrobras repassa os reajustes dos combustíveis para as refinarias.

Não é assim em outros países, mas no Brasil, perversamente, é.

Motoristas de aplicativos não querem mais dirigir para os outros e passageiros não estão mais dispostos a cobrir corridas caras.

Isso resume de maneira bastante simplória o que é a estagflação (mistura de estagnação econômica com aumento da inflação).

Já vivemos este mesmíssimo filme no passado quando miseráveis invadiam mercados pelo interior até que políticas de distribuição de renda começaram a reverter essa situação a partir dos governos FHC e Lula.

A piada de antigamente que contava a história de uma nota de R$ 5 desembolsada no Sul ter sido vista no Nordeste é de novo uma anedota atual.

A cada 100 cédulas em circulação no Brasil, 28 são de R$ 50 e só uma é de R$ 200, revela a excelente revista Piauí, a mesma que nos ruboriza seus leitores com informações sobre mordomias concedidas a militares no governo Bolsonaro.

Ao tirar o civil Roberto Castello Branco da presidência da Petrobras e colocar no lugar dele o general Silva e Luna, o presidente fez um bem enorme ao Brasil: turbinou a aposentadoria do militar de R$ 32,2 mil brutos com mais 228,2 mil do salário da petrolífera para um alto executivo.

Agora, vai subsidiar moradias para setores de segurança e bombeiros, sua entusiasmada base de apoio, esquecendo todos os demais trabalhadores da iniciativa privada.

Mudança na lei
A grande novidade desta terça-feira veio do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid no Senado, que vai propor no seu relatório final mudanças na lei do impeachment. O parecer dele estará concluído na semana que vem, entre os dias 23 ou 24. É claro que a mudança na lei depende de aprovação no Congresso.

Pancada
O racionamento de energia não é só um grande problema para consumidores residenciais. Na imensa possibilidade de acontecer no Brasil, reduziria em 10% o consumo de eletricidade por um ano. E o reflexo final seria muito pior: 1,2 ponto percentual subtraído do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2022, zerando o crescimento do país, segundo cálculos de economistas da XP ouvidos pela Folha.

Pancada 2
Ainda segundo a mesma fonte, a XP reduziu as previsões de crescimento do PIB de 1,7% para 1,3%, tendo como causa os efeitos da política monetária mais apertada e das incertezas crescentes produzidas pelo governo. Entre elas, o cenário eleitoral mais próximo e a perspectiva de desaceleração da economia no mundo.

Lorota Bank
Os senadores da CPI da Covid aprovaram requerimentos pedindo à Procuradoria-Geral da República a suspensão de todos os contratos da União que tiveram o FIB Bank como a instituição que ofereceu a garantia. Nada mais justo, considerando que o referido FIB nem reconhecido é pelo Banco Central. E ontem mereceu por parte do relator Renan Calheiros a tradução do inglês: “Lorota Bank”.

Eita, Coronel!
O deputado estadual Coronel Azevedo (PSC), usou o horário do grande expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa desta terça-feira para afirmar que o Brasil tem hoje (em plena democracia) 13 presos políticos. Entre eles, o deputado federal Daniel Silveira, que disse que daria uma pisa num ministro da Suprema Corte; o ex-deputado Roberto Jefferson, que em vídeos ensinou boas técnicas para se matar um policial, além de “jornalistas e blogueiros que defendem a volta da ditadura militar. O deputado Coronel Azevedo destacou a participação do jornalista Oswaldo Eustáquio – preso, acusado de financiar atos com pautas contrárias ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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