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Alerta
Municípios com aglomerações políticas têm explosão de casos confirmados de Covid-19
Dados da Sesap mostram que quatro cidades do RN com grandes eventos políticos em setembro registraram alta da doença
Redação
20/10/2020 | 05:25

As cenas de aglomerações durante os eventos de campanha eleitoral ganharam as redes sociais nas últimas semanas. Centenas pessoas — em alguns casos, milhares — aparecem em vídeos e fotos com bandeiras, cartazes e cores partidárias, percorrendo ruas e avenidas para apoiar algum candidato. Contudo, à espreita, sem ser percebido, o vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, segue infectando quem aparece pela frente.

Segundo dados analisados pelo Agora RN a partir dos boletins epidemiológicos publicados pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), os municípios potiguares de Grossos, Tangará, Montanhas e São José de Campestre tiveram alta nos casos confirmados de Covid-19 em outubro, isso após o início das carreatas, comícios e atividades de rua dos candidatos em 17 de setembro — data de abertura oficial das ações da campanha eleitoral deste ano.

Entre os dias 1º e 17 de outubro, na cidade de Grossos, na região Oeste potiguar, foram somados 14 casos da doença, contra os três casos no mesmo período de setembro.

A cidade foi palco de carreatas políticas entre o fim de setembro e o início de outubro. Até o domingo 18, a cidade litorânea, mais conhecida pela produção de sal, tinha 260 infecções pela Covid-19. Grossos tem uma taxa de transmissibilidade (Rt) do novo coronavírus — a capacidade de contágio — acima de 3. Isso significa que o indivíduo infectado pode transmitir o vírus para mais de três pessoas.

Os especialistas em doenças infecciosas apontam que a taxa Rt acima 1 já é indício de descontrole no avanço da doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o período médio de incubação por coronavírus é de cinco dias, com intervalos que chegam a 12 dias, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção. A transmissibilidade dos pacientes infectados é em média de sete dias após o início dos sintomas. No entanto, a transmissão pode ocorrer mesmo sem o aparecimento de sintomas.

Em São José do Campestre, na microrregião da Borborema Potiguar, o número de casos aumentou 1.750% entre outubro e setembro. A alta corresponde a abertura das atividades político-partidárias. Em outubro, a cidade já contabiliza 37 casos de Covid-19. No entanto, nos primeiros 17 dias de setembro foram apenas dois casos. Ao todo, 225 campestrenses foram diagnosticados com a doença. O município tem Rt de 4,54.

A pior taxa de contágio foi registrada pela cidade de Montanhas, na região Agreste, com 5. Ou seja, uma pessoa infectada pode transmitir para outras cinco. A cidade registrou apenas um caso nas duas primeiras semanas de setembro. Já em outubro, no mesmo período de tempo, o número de contágios foi de 16. O município soma 127 casos da doença.

Outro município potiguar com aumento expressivo de casos após a abertura das atividades políticas foi Tangará, na região Agreste. A cidade tem 98 casos confirmados de infecção pelo coronavírus desde o início da pandemia. No entanto, apenas os 17 dias de outubro já representam 22,4% dos contágios na cidade. Foram 22 pessoas infectadas pelo coronavírus ao longo do período.

São José do Campestre rebate números da Sesap

O município de São José do Campestre rebateu os dados epidemiológicos apresentados pela Secretaria Estadual de Saúde Pública. Segundo o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da cidade potiguar, houve apenas cinco casos confirmados da doença no período entre 1º e 17 de outubro.

A discrepância nos números, segundo Emanuel L. da Silva Neto, atual coordenador do comitê contra a Covid-19 em São José de Campestre, decorre da demora da Secretaria Estadual de Saúde em compilar os dados apresentados pelo município.

Até esta terça-feira 20, de acordo com dados locais, a cidade tem 415 casos confirmados da doença. No entanto, os dados do boletim estadual mostram 234 registros da doença entre os campestrenses.

“O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Norte — órgão responsável pelos dados epidemiológicos pelo governo estadual — não atualiza diariamente as confirmações que os municípios enviam, aí gera problema nas informações”, disse Emanuel da Silva Neto.

Ainda de acordo com ele, a cidade não apresentou aumento dos dados ao longo das duas primeiras semanas de outubro. “A curva continua em declive, inclusive a quantidade de pessoas que buscam nossa rede de saúde com sintomas de síndrome gripal diminuiu muito”, ressaltou.

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