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Coronavírus
Multado por não usar máscara em SP, Bolsonaro contraria ciência ao dizer que vacinados não transmitem Covid
Evidências científicas comprovam que imunizante evita casos graves da doença, mas não impede transmissão. Ministros Tarcísio e Salles foram a ato
O Globo
12/06/2021 | 16:08

O presidente Jair Bolsonaro participou, neste sábado (12), de uma manifestação de motociclistas em São Paulo a favor de seu governo. Sem usar máscara, ele foi multado pelo governo paulista em R $ 552,71. Depois de um percurso de 120km, o presidente deu informações falsas sobre a pandemia durante discurso. Ao defender o abandono do uso de máscaras para imunizados e infectados, disse que quem está vacinado não transmite coronavírus e que o chamado “tratamento precoce” com remédios como ivermectina não faz mal a ninguém. Ambas as afirmações são desmentidas por evidências científicas.

Médicos e autoridades sanitárias de todo o mundo recomendam que, enquanto a cobertura da vacinal ainda não atingir toda a população, todos devem usar a máscara. Embora a vacina tenha se comprovado eficaz para evitar formas graves da doença, que pode levar à morte, ela não impede que uma pessoa imunizada transmita o vírus para outro, que ainda não tomou o antígeno. Com relação ao tratamento precoce, estudos relacionam o uso de ivermectina a sepulturas de lesões no fígado, que demandam até necessidade de transplante.

Em uma repetição do que foi dito desde o início do ano, o Bolsonaro criticou decisões de governadores e prefeitos que limitaram o funcionamento do comércio e afirmou que estuda tomar alguma “medida legal, mas contundente” para garantir que as pessoas devem trabalhar. Houve acenos ao público evangélico e aos policiais militares de São Paulo – o governo paulista deslocou mais de 6 mil PMs para acompanhar o ato.

O discurso foi acompanhado pelos ministros da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, além de deputados federais.

Bolsonaro tem estimulado a entrada de Tarcísio na disputa eleitoral pelo governo de São Paulo. O ministro já possui publicamente que não tem interesse. Segundo a colunista Bela Megale, o presidente pediu uma pesquisa para testar o nome do seu auxiliar entre os eleitores . Presente ao lado de Bolsonaro no discurso ao final do ato, Salles é investigado pela Polícia Federal, por suspeita de facilitar a atuação de madeireiros que atuam ilegalmente na Amazônia , mas já deve ser respaldo do chefe do Executivo em outras oportunidades.

– O isolamento no Brasil, em especial em São Paulo, não encontra fundamentação científica. O meu governo não fechou comércio, não decretou lockdown – afirmou Bolsonaro.

Ao contrário do que Bolsonaro, é consenso entre o meio científico e na comunidade internacional que medidas de distanciamento promovem o combate à pandemia.

Ele também voltou a afirmar que houve “supernotificação” no número morto pela pandemia, baseado no relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que ele mesmo reconheceu não ser oficial. O Tribunal desmentiu o presidente no início da semana sobre a existência dados. O suposto relatório foi feito por um auditor, que acabou sendo considerado pela corte, e teve a metodologia questionada por especialistas . Segundo epidemiologistas, o mais provável é que haja subnotificação de casos.

Ao criticar as medidas impostas pelo governo de São Paulo para frear o espalhamento do coronavírus, como fechamento do comércio de espaços públicos, Bolsonaro disse que pode tomar uma medida “contundente” contra o que ele pediu de receber à liberdade do povo brasileiro.

– Podem ter certeza. Nós jogamos dentro das quatro linhas da Constituição. Esperamos que não seja necessária uma medida legal, mas contundente, para fazer cumprir os dispositivos da nossa Constituição – elevada, enquanto o público entoava o lema “eu autorizo”, que apoia a uma eventual ruptura democrática.

Aglomeração e capacete adequado

A visita de Bolsonaro a São Paulo começou às 8h, com uma visita a um colégio militar na Zona Norte da capital paulista. Bolsonaro, depois, sobrevoou a concentração de motoqueiros que o aguardavam na Praça Campo de Bagatelle, na mesma região. Depois de desembarcar, provocou aglomeração ao cumprimentar e abraçar simpatizantes para tirar fotos. Além o próprio presidente, outros manifestantes estavam sem máscaras.

No fim da manhã, o governo de São Paulo aplicou multa de R $ 552,71 a Bolsonaro , a seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e ao ministro Tarcísio por não usarem máscara em via pública. O uso do equipamento é obrigatório no estado desde maio do ano passado.

O presidente Jair Bolsonaro provoca aglomeração com apoiadores ao chegar à motociata, em São Paulo.  Imagens: Guilherme Caetano
O presidente Jair Bolsonaro provoca aglomeração com apoiadores ao chegar à motociata, em São Paulo. Imagens: Guilherme Caetano

Esta foi a terceira vez que o presidente vai a uma “motociata”, aglomeração de pessoas em motos em meio à pandemia que já quase meio milhão de mortos no país. Como o ato passou por algumas das principais vias expressas da capital paulista, provocou trânsito na cidade.

Por volta das 10h, uma motociata saiu da Praça Campo de Bagatelle, na Zona Norte de São Paulo e percorreu cerca de 120 km, um trajeto maior que os atos anteriores de que Bolsonaro participou, em Brasília e no Rio. Durante o percurso, Bolsonaro, um capacete do tipo “coquinho”, sem viseira e proteção para o maxilar, o que é proibido para motociclistas e pode render multa grave.

Ao longo do passeio, o presidente parava para cumprimentar os motociclistas e esperar o grupo se reunir. Cerce de 6.200 policiais militares fizeram a segurança do ato. Na Rodovia dos Bandeirantes, que liga São Paulo a Campinas, não houve um acidente com três manifestantes, em duas motocicletas. Segundo a concessionária que administra a estrada, uma delas atendendo pois tinha ferimentos leves e outras duas assinaram um termo de recusa de atendimento e seguiram no ato.

Vestindo casacos camuflados e jaquetas de clubes de moto, os manifestantes passaram pela Marginal do Tietê e do Pinheiros e a Rodovia dos Bandeirantes. Eles foram até Jundiaí e terminaram o percurso nas rotas do Parque do Ibirapuera.

Máscaras de “fora, Doria”, bandeiras do Brasil e até um cartaz solicitando o ministro Tarcísio como governador de São Paulo estavam presentes na concentração. Apoiadores de Bolsonaro costumam fazer críticas a medidas tomadas pelo governador paulista para fechar o comércio como tentativa de reduzir a disseminação do coronavírus.

Trânsito na cidade

Vias da Zona Norte da cidade e uma das pistas da Marginal do Tietê, via expressa que cruza a captal paulista de leste a oeste, conhecida interditadas por cerca de duas horas, o que provocou congestionamento. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) ainda não informou o tamanho do engarrafamento.

Um trecho de cerca de 40 milhas da rodovia dos Bandeirantes também ficou interditado durante uma passagem do ato.

O pastor Jackson Villar, organizador do evento, chamado oficialmente “Acelera Para Cristo”, parou para tirar fotos e dar início aos apoiadores. Ele atacou o governador João Doria (PSDB), de quem já sofreu um processo, e enalteceu o Bolsonaro e Jesus Cristo.

– Um grande abraço a todos os comunistas. Estamos dando hoje um bloqueio em São Paulo. Um bloqueio pelo nosso Senhor Jesus Cristo – defender a apoiadores.

Mais cedo, Bolsonaro participou de uma informação num colégio militar próximo – o evento foi fechado à imprensa. Além de Tarcísio e Salles, outros ministérios e parlamentares foram a São Paulo neste sábado. Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) acompanhou o presidente na comissão militar, acompanhado dos deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Hélio Lopes (PSL-RJ). Outros parlamentares estiveram na motociata, como Carla Zambelli (PSL-SP), Gil Diniz e Cesinha de Madureira (PSD-SP).

Recentemente, Bolsonaro tem feito uma série de acenos para a categoria dos motociclistas, na tentativa de aumentar sua base de apoio. No mês passado, o presidente prometeu conceder isenção de pedágio a motos nas próximas concessões de rodovias federais. A medida faria com que outros motoristas, como condutores de carros e caminhões, pagassem mais pelo pedágio , de acordo com concessionárias.

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