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Desdobramento
MPGO vai recorrer de arquivamento de processo contra padre Robson
Integrantes do MPGO se reúnem ainda nesta quarta-feira 7 para definir estratégias para conduzir próximos passos do caso
Redação
07/10/2020 | 16:56

O Ministério Público de Goiás (MPGO) vai recorrer da decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) que arquivou o processo contra o padre Robson de Oliveira Pereira, investigado por lavagem de dinheiro enquanto dirigia a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), em Trindade (GO). De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, os integrantes do MP devem se reunir ainda nesta quarta-feira 7 para definir como conduzir os próximos passos do caso.

A decisão pelo arquivamento foi do desembargador Nicodemes Domingos Borges, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal. O magistrado entendeu que a Afipe é uma entidade privada e que não há provas suficientes de que o dinheiro doado pelos fiéis tinham desvios de finalidade. “A Afipe se trata de uma associação civil evangelizador e, para atender às suas necessidades, poderá criar atividades como instrumento captador de recursos financeiros”, justificou. É em cima desse argumento que deve atuar o MPGO. Da reunião dos promotores deve sair a estratégia que visa manter a investigação em andamento na Justiça.

Ao Correio, o advogado do padre, Pedro Paulo de Medeiros, disse que o sacerdote recebeu a notícia do arquivamento do processo com alegria e tranquilidade, mas sem surpresa. Ele disse ainda que, se o Ministério Público de Goiás tivesse procurado o padre para dar explicações, tudo já teria sido esclarecido. “Essa é a verdade que sempre existiu, não houve qualquer surpresa. Mas ele ficou feliz de ver a verdade estabelecida. O padre Robson foi muito mais que absolvido, reconheceu-se que ele não cometeu nenhum crime”, defende.

A investigação identificou pagamentos suspeitos da ordem de R$ 120 milhões, com prejuízo de R$ 60 milhões à Afipe. No entanto, a defesa diz que todos os bens adquiridos com dinheiro de doações de fiéis pertencem à associação, não ao padre. Além disso, o advogado argumenta que o estatuto da associação permite, expressamente, a possibilidade de usar o dinheiro para investimentos, com o objetivo de aumentar os recursos a serem aplicados na evangelização. “A Afipe é uma entidade privada e quem decide o que é feito com o dinheiro é a própria associação”, explica o advogado.

No mesmo dia da operação, o sacerdote pediu afastamento da Afipe, alegando que o objetivo é contribuir com as investigações dos promotores. A Arquidiocese de Goiânia suspendeu temporariamente o direito de realizar celebrações do padre Robson em 23 de agosto, dois dias após a operação. Nos últimos meses, o padre ficou recolhido, cuidando da sua defesa no processo. “Agora, ele está aguardando humildemente para que a Igreja e a Afipe definam os próximos passos dele”, revelou Pedro.

Operação Vendilhões

O MPGO deflagrou a operação Vendilhões no dia 21 de agosto. Na ocasião, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Trindade e Goiânia. O MP suspeitava da prática de crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro. A quantia investigada chega a R$ 1,7 bilhão.

Segundo os procuradores, foi descoberta uma teia de movimentações financeiras, envolvendo a compra e venda de imóveis – casas, apartamentos e fazendas – em Goiás e outros estados, além de transferências de valores entre contas bancárias. Entre os imóveis investigados está uma casa na praia, na Bahia.

No mesmo dia da operação, a Justiça também autorizou a quebra de sigilo dos dados bancários, fiscais e telefônicos do padre. Um dia depois, o sacerdote pediu afastamento das funções de reitor da do Santuário Basílica de Trindade e da presidência da Afipe.

O Ministério Público chegou a pedir a prisão do padre, sob o argumento de que a detenção seria necessária porque os desvios de dinheiro estariam ocorrendo há anos. No entanto, o pedido foi negado pela juíza Placidina Pires, da Vara de Feitos Relativos a Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais da comarca de Goiânia.

*As informações são do Correio Braziliense

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