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Coluna
“Motociatas” que ocorrem com a participação do presidente Jair Bolsonaro são um escárnio
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira 13
Marcelo Hollanda
13/07/2021 | 08:29

Motociatas são um escárnio

Motocicletas podem ser sinal de status dependendo da marca, modelo e cilindrada. As mais caras variam de 100 mil a 700 mil, daí pra cima.

Não há nenhuma delas entregando comida, mas é possível achá-las nas ‘motociatas’ promovidas sem máscara pelo presidente Jair Bolsonaro pelo país.

Não que nessas manifestações não existam motos usadas, de marcas mais usuais; o problema é que a estética de ‘carreatas’ e ‘motociatas’ já são excludentes pela própria natureza num país que sobrevive majoritariamente de ônibus ou de gente andando a pé.

Aliás, é incalculável o número de trabalhadores no Brasil que não têm dinheiro para pagar o ônibus e gasta sola de sapato ou se arriscam de bicicleta pelas perigosas e tumultuadas vias de cidades grandes e médias do Brasil.

Isso, num contexto em que as ciclovias são uma piada e as periferias exportam violência.

A maioria das pessoas que ganham a vida sobre duas rodas, que são autônomas e desprotegidas da legislação trabalhista, tem bons motivos para não gostar das ‘motociatas’.

Motoqueiros do dia a dia não podem usar, por força da legislação de trânsito, um capacete que protege apenas o lado superior da cabeça, como o presidente gosta de se exibir, e nem ter a placa tampada por adesivos, como aconteceu em São Paulo.

O problema desse trabalhador que anda sobre pneus carecas e uma máquina pronta para dar prego a qualquer instante é que ele talvez nem tenha ideia do simbolismo que a motocicleta carrega quando é associada à política.

Benito Mussolini, o todo poderoso ditador italiano, que achou de se aliar a Hitler na Segunda Guerra, e terminou pendurado pelos pés em companhia da mulher depois de cair em desgraça, adorava ‘motocistas’.

Em tempos como os atuais é difícil entender o que publicitariamente um presidente da República pretende passar de mensagem para uma maioria pobre com essas‘motociastas’.

Mesmo elas acontecendo em nome de Jesus, aquele homem simples que vagava pelo deserto a pé e comendo poeira em nome de uma fé.

Em breve, por pura necessidade, as motos serão maioria em relação aos automóveis.

E os eleitores que andam sobre elas, dizendo o que eles querem, também.

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